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EQUILIBRANDO PRATOS

Palmeiras, ciclope e doping: as metáforas de Galípolo para falar de juros, crédito e driblar perguntas espinhosas 

O presidente do Banco Central falou em coletiva nesta quinta-feira (24) e o Seu Dinheiro fez um resumo dos principais temas para você ficar por dentro

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil, está sentado, com um microfone e um copo de água sobre a mesa que está a sua frente
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil - Imagem: Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Entre uma metáfora sobre o Palmeiras e outra sobre doping no esporte, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tentou equilibrar duas tarefas nada simples: explicar os rumos da Selic e do crédito no país sem deixar de responder — ainda que pelas beiradas — sobre os casos mais delicados do momento: Banco Master e Banco de Brasília (BRB).  

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Ele confirmou que vai depor à Polícia Federal sobre a fiscalização do Master, prometeu mais rigor contra o crédito predatório e evitou, mais uma vez, qualquer palavra sobre o futuro do banco brasiliense. 

O Seu Dinheiro fez um resumo para você das principais declarações de Galípolo durante a coletiva do Relatório de Política Monetária (RPM) desta quinta-feira (24). 

O futuro da Selic 

A precificação de cortes da Selic, atualmente em 13,75%, tem se movido conforme os dados divulgados, movimento que Galípolo diz ser comum a todos os agentes econômicos e bancos centrais no mundo atual.  

Ele afirmou que essa leitura vem migrando gradativamente para um cenário de desaceleração. 

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O presidente do BC também comentou por que o Brasil convive historicamente com juros mais altos que outros países: o processo de indexação da economia brasileira gera inércia, o que é uma das explicações para isso. 

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O ciclope de Galípolo 

Galípolo defendeu que a sociedade não gostaria de ver o BC com uma visão limitada, comparando isso à figura mitológica do ciclope, que enxerga com um olho só.  

Para ele, uma visão ciclópica é típica de decisões tomadas com força, mas sem lateralidade — de forma dogmática, baseada em um único ponto de vista.  

Ele reforçou ainda que, em momentos de grande incerteza, é preciso humildade para interpretar os dados antes de tomar decisões. 

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Crédito: BC mira oferta predatória 

Um dos pontos de mais destaque na coletiva foi o crédito. Galípolo afirmou que o BC entende que é preciso limitar ofertas de crédito consideradas predatórias — linhas mais caras oferecidas a pessoas que poderiam ter acesso a modalidades mais adequadas às suas necessidades, muitas vezes sem que o consumidor tenha clareza dos riscos envolvidos. 

Ele destacou que a autarquia tem observado exemplos internacionais para calibrar essas medidas macroprudenciais, mas que a implementação não será feita "em bloco". Será, segundo ele, um processo gradual, em linha com o que o BC já vem publicando. 

Questionado se o problema estaria restrito a cartões de crédito, Galípolo esclareceu que não: a preocupação abrange modalidades de crédito de forma geral. 

No financiamento imobiliário, segundo ele, a família assume uma dívida para adquirir um imóvel. Já o parcelamento de gastos cotidianos pode contribuir para uma dinâmica mais preocupante. 

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"O problema é o risoto seis vezes sem juros. Aí você tem um problema", disse.

Galípolo vai depor sobre o Master 

Galípolo confirmou ter recebido intimação da Polícia Federal para depor sobre a fiscalização do Banco Master. Ele disse não se lembrar da data exata, mas que o depoimento deve ocorrer no início de outubro. 

A Polícia Federal determinou a intimação do ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, para prestar depoimento sobre a fiscalização do Master. Ambos devem comparecer na condição de testemunha. 

O silêncio de Galípolo sobre o BRB 

Sobre o futuro do BRB, Galípolo manteve a postura já conhecida e não respondeu a perguntas específicas, reafirmando que o BC não comenta casos individuais de instituições.  

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Ele disse ser preciso zelo para não mudar a jurisprudência no meio do processo e, usando uma metáfora futebolística com o Palmeiras, afirmou que a torcida pode gritar, mas que cabe à autoridade monetária seguir as melhores práticas — buscando, em todos os casos, a solução de menor impacto.  

Ele confirmou apenas que o BRB segue pagando multa mensal por não ter entregue o balanço. 

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A regulação das bets 

Ao comentar o número elevado de operações contra empresas do sistema financeiro, Galípolo comparou o processo regulatório do BC a uma corrida entre doping e antidoping no esporte, indicando um aprimoramento contínuo dos processos de fiscalização. 

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Sobre bets especificamente, ele disse que um estudo anterior do BC sobre o tema focou nos impactos para o mandato de política monetária, sem abordar outros efeitos do setor na economia e na população — como na saúde pública. 

*Com informações do Estadão Conteúdo

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