Conta de luz mais cara: Aneel aprova reajustes de até 15% em oito distribuidoras
Aumentos começam a valer nesta semana e foram parcialmente contidos por medidas extraordinárias; pressão estrutural segue no radar

A conta de luz vai ficar mais cara para consumidores de oito distribuidoras a partir desta semana. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou na quarta-feira (22) reajustes que variam de 5% a 15%.
Os aumentos poderiam ser ainda maiores. Pelas contas iniciais do regulador, as tarifas subiriam mais, mas parte desse avanço foi contida por medidas extraordinárias, como o uso de recursos do chamado Uso do Bem Público (UBP) e pedidos de diferimento feitos pelas próprias distribuidoras — uma espécie de “adiamento” de custos para os próximos ciclos tarifários.
Entre as empresas do grupo Energisa, os reajustes aprovados foram de 12,11% para a EMS (Mato Grosso do Sul), 6,86% para a EMT (Mato Grosso) e 6,86% para a ESE (Sergipe).
No caso da Neoenergia, a Coelba (Bahia) terá alta média de 5,85%, enquanto a Cosern (Rio Grande do Norte) verá aumento de 5,40%. Já a Enel Distribuição Ceará aplicará reajuste médio de 5,78%.
Pelo lado da CPFL Energia, os aumentos serão mais pesados: 12,13% para a CPFL Paulista, que atende o interior de São Paulo, e 15,12% para a CPFL Santa Cruz, com atuação em cidades de São Paulo, Paraná e Minas Gerais.
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Por que a conta de luz está subindo
Os reajustes seguem as regras dos contratos de concessão e refletem uma combinação de fatores: aumento de encargos setoriais — que financiam políticas públicas no setor elétrico — e a retirada de componentes financeiros que ajudaram a segurar tarifas em anos anteriores, mas que não se repetem agora.
Ainda assim, em alguns casos, os índices vieram menores do que o previsto inicialmente graças aos chamados “redutores”. Um deles foi a antecipação de recursos do UBP, uma espécie de royalty pago por hidrelétricas e direcionado à modicidade tarifária, especialmente em regiões atendidas por Sudam e Sudene.
- Leia também: Conta de luz vai subir o dobro da inflação em 2026 — e o motivo está “escondido” na sua fatura
Outro mecanismo foi o diferimento: parte dos custos que entrariam no reajuste de 2026 foi empurrada para o futuro. O maior volume aprovado foi o da CPFL Paulista, de R$ 812 milhões. Já a maior antecipação de UBP ocorreu na Coelba, somando R$ 991 milhões.
Pressão estrutural no setor
Por trás dos reajustes, há uma preocupação crescente com o custo estrutural da conta de luz.
A Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), principal fundo que banca subsídios do setor — da geração solar distribuída a incentivos para renováveis — já ultrapassa R$ 50 bilhões no orçamento de 2026.
O tema chegou a mobilizar o governo. O Ministério de Minas e Energia chegou a estudar medidas para suavizar os aumentos neste ano, mas a proposta de uma medida provisória acabou engavetada diante de resistências dentro da equipe econômica.
*Com informações do Money Times
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