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JUROS EM DEBATE

Selic parada: por que Alberto Ramos, do Goldman Sachs, só vê novos cortes de juros em 2028

Enquanto o Goldman Sachs vê a taxa básica de juros parada, o UBS ainda aposta em cortes no ano que vem. Entenda o que divide os economistas

Alberto Ramos, diretor de pesquisa macroeconômica para a América Latina do Goldman Sachs - Imagem: Divulgação

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa Selic parada em 13,75% nesta quarta-feira (4), mas o que mais chamou a atenção de Alberto Ramos, economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs, foi o recado dado pelo comitê para os próximos meses.

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Na avaliação de Ramos, o cenário brasileiro ficou tão desafiador que não há espaço para novos cortes de juros tão cedo. A projeção do banco norte-americano é que a Selic permaneça nos atuais 13,75% ao ano até pelo menos o segundo trimestre de 2028.

Mesmo assim, os próximos cortes não deverão ser intensos, na casa de 0,75 ou 1 ponto percentual (p.p.). Em relatório sobre a decisão do Copom, Ramos afirma que "vê espaço limitado para ajustes" mesmo em 2028.

"Esperamos que o Copom permaneça em espera até pelo menos o 2º trimestre de 2028, dado o visível deterioramento das perspectivas de inflação, e vemos espaço para cortes limitados em 2028, embora a considerável incerteza sobre o crescimento e as perspectivas de política (fiscal em particular) dificultem a avaliação", diz o economista.

O problema não é o crescimento. É a inflação.

O economista do Goldman Sachs vê o Banco Central diante de um dilema.

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De um lado, os dados indicam que a atividade econômica está perdendo força de maneira mais intensa do que o esperado.

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No comunicado de ontem, o Copom falou em uma "moderação mais acentuada" da economia e destacou que o mercado de trabalho continua resiliente, mas já apresenta sinais de arrefecimento.

De outro lado, a inflação voltou a preocupar.

As projeções do próprio Boletim Focus do Banco Central pioraram de forma significativa desde a última reunião, em setembro. A expectativa para o IPCA no fim de 2027, destacada no comunicado, saltou de 3,9% para 4,7%. Para 2028, a projeção também subiu.

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ProjeçãoSetembroNovembro
IPCA 20273,9%4,7%
IPCA 2T28 (Copom)3,1%3,5%
Preços livres 20274,1%4,8%
Compilado de dados feito pelo Goldman Sachs.

Para Ramos, o sinal de que o cenário inflacionário se deteriorou foi mais forte para a decisão do Copom do que a atividade econômica mais fraca.

Em relatório, o economista destacou como o Banco Central citou uma série de fatores de risco inflacionário, avaliando como alta a tendência de piora dos preços nos próximos meses:

  • alta dos preços do petróleo em meio aos conflitos no Oriente Médio,
  • desvalorização do real, e
  • aumento das expectativas de inflação para os próximos anos.

Para o economista, embora a preocupação com a inflação seja certa, o Copom não deu importância/ relevância suficiente ao forte aumento das expectativas de inflação de médio prazo para 2028-29.

Ele considera que o cenário é, de fato, desafiador, e vai levar bastante tempo para conciliar as expectativas de volta à meta de 3%.

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Itaú também revê seu cenário e não vê mais cortes em 2027

Internamente, a equipe de macroeconomia do Itaú, chefiada pelo ex-diretor do Banco Central, Diogo Guillen, reviu seu cenário para o Brasil e não vê mais condições para cortes na taxa Selic em 2027.

"Esperamos que o Copom interrompa o ciclo de flexibilização monetária na próxima reunião e mantenha a Selic em 13,75%. Para 2027, não esperamos mais novos cortes de juros", diz o relatório do banco.

Os analistas descrevem que o ambiente externo tornou-se muito adverso em meio ao aumento dos juros em outros países e à alta do preço do petróleo.

Por aqui, "apesar dos sinais claros de moderação da atividade", as pressões inflacionárias estão maiores e devem piorar as expectativas futuras para preços.

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"Nesse contexto, esperamos que o comitê reforce a necessidade de cautela e perseverança na condução da política monetária."

O relatório não traz previsões para 2028, mas fecha o seu cenário de 2027 com a Selic em 13,75% ao ano.

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Há quem veja espaço para respiro

Mas nem todos os bancos veem juros altos por tanto tempo. O cenário traçado pelos economistas do UBS BB é menos duro.

Para o banco, os juros seguem sem espaço para cortes nos próximos meses, mas a porta para uma retomada do ciclo de afrouxamento monetário ainda continua aberta em 2027.

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A principal diferença entre as instituições está no peso dado ao risco fiscal.

Segundo o UBS BB, a disparada recente das expectativas de inflação tem relação direta com as incertezas sobre as contas públicas e sobre as medidas econômicas do próximo governo.

Por isso, o banco afirma que seu cenário-base ainda prevê cortes de juros no ano que vem, desde que haja melhora da percepção sobre a política fiscal.

Basicamente, o UBS entende que a Selic atual já é suficientemente alta para ajudar no controle da inflação.

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O problema é que o Banco Central precisa ganhar confiança de que o quadro fiscal não voltará a pressionar preços, câmbio e expectativas antes de iniciar uma nova rodada de redução dos juros.

O presidente Lula marcou para domingo (8) um pronunciamento oficial sobre as medidas de seu governo para conter a trajetória ascendente do endividamento público. A ver se atende aos mercados.

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