Lucro menor, margens sob pressão e risco de inadimplência: por que a Tenda (TEND3) lidera quedas do Ibovespa após 3T26?
Bancões identificam riscos para a recuperação da incorporadora, mas mantêm recomendação de compra preços-alvo que apontam valorização de até 193,7%

O balanço do terceiro trimestre da Tenda (TEND3), divulgado na noite da última quarta-feira (10), acendeu o sinal de alerta entre os grandes bancos e colocou a ação da companhia entre as maiores quedas do Ibovespa na manhã de hoje (11).
Além do lucro abaixo das expectativas, Itaú BBA, Safra e BTG Pactual identificaram uma combinação de margens pressionadas, maior restrição ao crédito imobiliário e riscos crescentes relacionados à qualidade da carteira de recebíveis da incorporadora.
Um dos principais desafios está fora do controle direto da incorporadora: o crédito imobiliário ficou mais restrito, especialmente nas operações envolvendo a Caixa Econômica Federal. Com exigências maiores para a aprovação de financiamentos, a venda de imóveis populares passou a depender de condições comerciais mais competitivas, o que acaba pressionando a rentabilidade dos projetos.
O cenário afeta não apenas a Tenda, mas também outras construtoras voltadas à habitação popular. A dificuldade de acesso ao financiamento reduz o poder de compra dos clientes e obriga as empresas a buscar alternativas para manter o ritmo de comercialização. Você pode entender mais detalhes nesta reportagem do Seu Dinheiro.
Menos crédito direto, mais pressão sobre as vendas
Na tentativa de reduzir sua exposição ao risco de crédito, a Tenda também alterou a política de financiamento oferecida diretamente aos compradores.
A companhia diminuiu de aproximadamente 10% para 7% a participação do crédito pro soluto pós-entrega no valor dos imóveis. Nesse modelo, uma parcela do pagamento é recebida depois que as unidades são entregues aos clientes.
Leia Também
A estratégia busca limitar o risco de inadimplência, mas trouxe um efeito colateral importante: a rentabilidade das novas vendas foi prejudicada.
De acordo com o Safra, a mudança contribuiu para uma redução de 2,9 pontos percentuais na margem bruta das vendas, que ficou em 34,5% no terceiro trimestre.
O Itaú BBA também identificou outros fatores por trás da pressão. Entre eles estão os descontos concedidos nos imóveis, sobretudo no Rio de Janeiro, onde as condições mais restritivas de financiamento exigiram maior flexibilidade comercial. Alterações no mix de produtos, cancelamentos e a falta de benefícios extraordinários na estrutura de custos também pesaram sobre os resultados.
Margens menores podem atingir lucro dos próximos anos
O recuo da rentabilidade é uma das principais preocupações compartilhadas pelos três bancos. Na operação principal da incorporadora, a margem bruta ajustada passou de 39,9% no segundo trimestre para 34,6% no terceiro, uma retração de 5,3 pontos percentuais.
Para o Itaú BBA, o movimento pode ter consequências que vão além do resultado apresentado agora. O banco vê risco de revisões negativas nas projeções de lucro para 2027.
Em uma análise de sensibilidade, os analistas estimam que uma redução da margem bruta dos empreendimentos em construção de 38,3% para aproximadamente 36% poderia provocar um corte de 10% a 15% nas estimativas de lucro.
O Safra também considera que as projeções podem ser revisadas para baixo. Segundo o banco, o efeito da redução do crédito pós-entrega foi mais intenso do que o inicialmente previsto.
Outro ponto de atenção é o avanço das despesas. Os gastos gerais e administrativos cresceram 28% na comparação anual, enquanto as despesas comerciais também foram pressionadas pelos cancelamentos de vendas.
Já o BTG Pactual avalia que a recuperação operacional deve acontecer de maneira gradual. Na visão dos analistas, o maior peso de empreendimentos das faixas 1 e 2 do Minha Casa, Minha Vida, combinado aos descontos comerciais e ao aumento dos distratos, pode continuar limitando as margens e a velocidade de vendas.
R$ 2,3 bilhões em recebíveis colocam inadimplência no radar
A preocupação dos bancos não se limita à capacidade de vender novos imóveis. A qualidade dos créditos que a Tenda já tem a receber também entrou no radar.
O Safra chama a atenção para uma carteira de aproximadamente R$ 2,3 bilhões em créditos pós-entrega, equivalente a cerca de 36% dos recebíveis brutos da incorporadora.
O volume é relevante diante do cenário de maior endividamento das famílias. Caso a capacidade de pagamento dos compradores se deteriore, a companhia poderá precisar aumentar as provisões para perdas com inadimplência, com reflexos negativos sobre os resultados.
A Tenda enfrenta, portanto, um dilema: restringir o financiamento direto ajuda a controlar o risco de crédito, mas pode dificultar a comercialização dos imóveis e comprometer as margens. Manter condições mais flexíveis, por outro lado, significa continuar exposta à capacidade de pagamento dos clientes após a entrega das unidades.
Alea é outro problema para a rentabilidade da Tenda
O BTG Pactual também destacou o desempenho da Alea, divisão da companhia dedicada à produção de casas industrializadas. A operação terminou o terceiro trimestre com margem bruta ajustada de apenas 5,5%, um nível que reforça as dificuldades da unidade em contribuir positivamente para a rentabilidade consolidada do grupo.
O desempenho da Alea é acompanhado de perto pelos investidores porque a operação representa uma das apostas da Tenda para ampliar a eficiência construtiva. Por enquanto, porém, os resultados ainda mostram desafios para que essa estratégia se traduza em margens mais robustas.
Bancos questionam transparência, mas mantêm potencial de alta
Outro aspecto que chamou a atenção do BTG foi a comunicação da companhia com o mercado. Na avaliação do banco, a falta de clareza na explicação das dificuldades operacionais tem prejudicado a confiança dos investidores.
A questão se torna ainda mais relevante diante da possibilidade de uma recuperação mais demorada. Os analistas querem entender não apenas quais fatores prejudicaram o trimestre, mas também por quanto tempo eles devem continuar afetando os resultados e quais medidas poderão reverter a tendência.
Apesar das ressalvas, as instituições ainda enxergam espaço para valorização expressiva das ações.
Itaú BBA e Safra mantêm recomendação de compra para Tenda. O Itaú BBA destaca que os papéis são negociados a múltiplos descontados, mesmo considerando o risco de revisões negativas nas estimativas de lucro.
Entre os três bancos, o Itaú BBA apresenta o maior preço-alvo, de R$ 58 por ação. Considerando o fechamento de R$ 19,75 no último pregão, o valor representa um potencial de valorização de 193,7%.
O Safra projeta R$ 46 por ação, o que corresponde a uma alta potencial de 132,9%. Já o BTG Pactual tem preço-alvo de R$ 45, equivalente a um upside de 127,8%.
FREIO NOS CORTES
Há uma pedra no caminho da Selic – e o próximo corte de juros pode depender de Lula
4 de novembro de 2026 - 6:43SAIU DO ATOLEIRO
Lotofácil 3820 tem 41 ganhadores, mas só um deles vai sacar prêmio milionário; Mega-Sena promete R$ 46 milhões hoje, mas tem loteria pagando mais
4 de novembro de 2026 - 5:56NOVA ECONOMIA?
Análise: o que o ‘acusador’ André Lara Resende colocou em debate e vale mais do que a proposta em si
3 de novembro de 2026 - 14:33INSTABILIDADE
Banco do Brasil enfrenta instabilidade em aplicativos e clientes relatam dificuldades em usar Pix
3 de novembro de 2026 - 12:30NOVIDADES NO RADAR
Caixa abre apostas para a Mega da Virada 2026 com prêmio bilionário e mudança na data e no horário do sorteio
3 de novembro de 2026 - 9:42RESSACA ELEITORAL
Menos cortes nos juros, mais inflação: Focus muda de cara às vésperas do Copom
3 de novembro de 2026 - 9:10Conteúdo Empiricus
Pote de ouro? Esse setor pode ser a chave para proteger sistemas de ataques de IA; ativos ligados a ele podem se valorizar até 42 vezes, segundo analistas
3 de novembro de 2026 - 9:00POLÍTICA ECONÔMICA
Por que o possível encontro de Lula com um dos pais do Plano Real deixou o mercado financeiro em alerta
2 de novembro de 2026 - 13:58MAIS LIDAS DO SD
Cruzeiro que terminou com passageiros abandonados, planos de Lula para o MEI, anulação das eleições e mais: veja o que bombou nesta semana
1 de novembro de 2026 - 17:24ANOTE NO CALENDÁRIO:
Queda da Selic à vista? Copom e payroll dividem atenções em semana mais curta no Brasil; veja a agenda econômica
1 de novembro de 2026 - 15:04Dívidas
Oncoclínicas (ONCO3) consegue apoio de credores para avançar com plano de recuperação de R$ 5,7 bilhões
31 de outubro de 2026 - 11:00TOUROS E URSOS #294
O efeito Lula 4: sangria na B3 e dólar a R$ 5,40; o que fazer com seus investimentos após a virada nas urnas
30 de outubro de 2026 - 19:39O QUE ABRE E O QUE FECHA
A bolsa abre no feriado de Finados? Veja como ficam os horários dos bancos, Correios, agências de INSS e outros serviços
30 de outubro de 2026 - 6:30VOLTANDO AO NORMAL
Aposta do Rio de Janeiro fatura quase R$ 4 milhões na Lotofácil 3817; Mega-Sena acumula depois de pagar o maior prêmio individual da história das loterias no Brasil
30 de outubro de 2026 - 5:45HORA DE COMPRAR?
Lucro cresce, caixa surpreende e Citi volta a recomendar compra para Motiva (MOTV3), mas com preço-alvo mais baixo
29 de outubro de 2026 - 14:01É RECORDE!
Mega-Sena desencanta e aposta do Mato Grosso fatura sozinha prêmio de R$ 324,9 milhões
29 de outubro de 2026 - 5:49CARRO-CHEFE ENCALHADO
Mega-Sena encalha de novo e pode pagar o maior prêmio individual da história das loterias no Brasil; 3 apostas simples dividem a Lotofácil 3815
28 de outubro de 2026 - 5:51LIDERANÇA TEM UM PREÇO
Citi passa a recomendar compra de Mercado Livre, mas vê risco em investimentos para manter liderança
27 de outubro de 2026 - 14:22MEGA SENA TODO DIA