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Rodolfo Amstalden

Rodolfo Amstalden

Sócio-fundador e CEO da Empiricus, é bacharel em Economia pela FEA-USP, em Jornalismo pela Cásper Líbero e mestre em Finanças pela FGV-EESP.

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Volta da inflação? Aprenda a falar a língua do determinismo estocástico 

Com inflação no radar e guerra no pano de fundo, veja como os próximos dados do mercado de trabalho podem influenciar o rumo da Selic

Rodolfo Amstalden
Rodolfo Amstalden
1 de abril de 2026
19:45 - atualizado às 17:06
Inflação IPCA Bolsa Ações
Imagem: iStock.com/Edson Souza

As expectativas de inflação estão sendo reavaliadas para cima, no mundo todo. Mas, quando falamos sobre inflação, será que estamos falando de inflação mesmo, ou estamos apenas falando indiretamente de guerra?

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Provavelmente, alguma dose (imensurável) das duas coisas.

O discurso financeiro tem dessas mesmo. Ele às vezes se disfarça de outras vestimentas para tentar dar conta de uma realidade maior do que as palavras comportam — aquilo que Wittgenstein chamava de “jogos de linguagem”.

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É vital para o financista compreender que sua linguagem cotidiana está à mercê de jogos contextuais, pois são exatamente essas mudanças de contexto que explicam o fato de o humor de mercado mudar tão rapidamente e tão drasticamente, para o bem ou para o mal.

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O que move o humor do mercado

Afinal, se fosse só culpa do núcleo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) mesmo, ou se o problema morasse nos gastos públicos brasileiros, qual motivo teríamos para derreter em março (ex oil & gas) e quiçá disparar em abril?

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Digo isso sem nenhum otimismo forçado, apenas para alertar (ou celebrar) que o mundo em que vivemos hoje — do ponto de vista linguístico — pode ser muito diferente do mundo que viveremos ao longo do segundo semestre de 2026.

E nem quero dar razões técnicas ou fundamentalistas para tanto, até porque vocês já leem o M5M todo dia útil, e estão cansados de saber.

Basta apenas dizer que tivemos — e, aparentemente, ainda temos — uma guerra do Irã no primeiro semestre. Ainda que os historiadores modernos argumentem que esse tipo de evento está ficando cada vez mais frequente (eles têm um bom lastro empírico recente), acho difícil assumir pura normalidade aí.

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A própria pandemia deixou uma série de efeitos long lasting sobre a economia real, sobre as alocações financeiras e sobre as cadeias globais de suprimento — e, principalmente, sobre todas as gravidades de saúde e vidas perdidas.

Ainda assim, porém, esses efeitos não devem ser confundidos com uma “covid eterna”.

Sob a devida distância, tudo aquilo que era chamado de estrutura pode ser rebatizado como conjuntura. O tempo passa, os contextos mudam, e mesmo as variáveis mais rígidas estão sujeitas a revisões — inclusive rápidas e drásticas.

Inflação, atividade e juros

Nesse sentido, ganha relevância a próxima divulgação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), marcada para 30 de abril.

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Grosso modo, se a criação de vagas vier em 300k, o Produto Interno Bruto (PIB) está forte mesmo, mais em linha com o intervalo entre +1,6% e +2,0% a/a, o que tende a manter a inflação pressionada.

Se vier em 200k, é uma leitura praticamente neutra, permitindo ao Comitê de Política Monetária (Copom) manter um ritmo lento a moderado.

Já se tivermos algo como 100k, haveria espaço para cortes mais assertivos da Selic, da ordem de 0,5 ponto percentual (pp) ou quiçá 0,75 pp, se o externo melhorar.

Não que tudo se resuma ao Caged, obviamente, até porque temos uma guerra dominando as manchetes do momento. Mas vale lembrar que a agenda cotidiana de indicadores macro ainda importa, e você pode sempre acompanhar suas repercussões através do Empiricus+.

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