PicPay, fintech da J&F, dos irmãos Batista, busca levantar mais de R$ 2,34 bilhões em IPO nos EUA
O banco digital controlado pela holding dos irmãos Batista busca levantar US$ 434,3 milhões em abertura de capital nos EUA

A temporada de IPOs voltou, ao menos nos Estados Unidos. O banco digital PicPay disse nesta terça-feira (20) que pretende levantar até US$ 434,3 milhões (aproximadamente R$ 2,34 bilhões) em sua oferta pública inicial (IPO) nos Estados Unidos.
A fintech, apoiada pela J&F Investimentos, dos irmãos Wesley e Joesley Batista, está buscando uma listagem nos EUA depois de planejá-la anteriormente para 2021 e ter o registro cancelado em 2022. O PicPay pretende ser listado na Nasdaq sob o símbolo “PICS”.
A empresa sediada em São Paulo está oferecendo cerca de 22,9 milhões de ações e busca precificá-las entre US$ 16 e US$ 19 cada.
A companhia de capital de crescimento focada na América Latina, Bicycle Capital, será o investidor âncora e planeja comprar US$ 75 milhões em ações do PicPay no IPO. Mizuho, Wolfe e Nomura Alliance, Bradesco BBI, BB Securities Ltd, BTG Pactual e XP Investment Banking também atuam como investidores conjuntos, e a FT Partners atua como apoiadora da oferta.
O Citigroup, a BofA Securities e a RBC Capital Markets são os coordenadores globais conjuntos da oferta pública inicial.
Uma fila parece ter começado a se formar em direção a Wall Street. Além do PicPay, Agibank e Abra — controladora da Gol — sinalizaram planos para realizar ofertas iniciais de ações (IPO) nos Estados Unidos.
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O PicPay
Fundada em Vitória (ES), a companhia diz que foi pioneira em transações instantâneas entre pessoas e no uso de QR Code, oito anos antes do Pix. Desde então evoluiu para um banco digital, com serviços que vão de contas digitais a cartões, investimentos, empréstimos e seguros.
São mais de 66 milhões de clientes, sendo que 42 milhões estavam ativos no terceiro trimestre de 2025, e 4,5 mil funcionários. De acordo com a empresa, o retorno anualizado sobre o patrimônio (ROE) foi de 17,4% no terceiro trimestre do ano passado.
A fintech entrou com pedido de IPO nos EUA em abril de 2021, visando uma avaliação de US$ 8 bilhões.
Porém, as incertezas com os juros e a piora de liquidez nas bolsas fecharam as janelas para aberturas de capital.
No entanto, o registro foi cancelado em junho de 2022. Agora, ela tenta abrir o capital novamente.
Nos primeiros nove meses de 2025, o PicPay registrou receita total e resultado financeiro de R$ 7,3 bilhões (aproximadamente US$ 1,37 bilhão) e lucro líquido de R$ 313,8 milhões (aproximadamente US$ 59 milhões), com depósitos de consumidores totalizando R$ 27 bilhões (aproximadamente US$ 5 bilhões)
A fintech é só uma das muitas companhias que fazem parte da holding J&F. O grupo também detém a Eldorado Brasil, de celulose, o portal de notícias Canal Rural, a fabricante de cosméticos, higiene pessoal e limpeza doméstica Flora, a Âmbar Energia, que recentemente adquiriu participação na Eletronuclear, a mineradora LHG Mining, Banco Original e, claro, o frigorífico JBS.
No ano passado, a JBS migrou para os EUA. Depois da dupla listagem, ela deixou de ser negociada na B3, passando a ser operada apenas por meio de BDRs (Brazilian Depositary Receipts, ou recibos de ações).
Alto padrão
Caso a oferta seja concluída, o PicPay pretende listar suas ações ordinárias Classe A na Nasdaq Global Select Market. A Nasdaq é o segundo maior mercado de ações em capitalização de mercado do mundo, depois da Bolsa de Nova York, a NYSE.
Já a Nasdaq Global Select Market é o segmento de listagem mais rigoroso da bolsa. Para entrar nesse mercado, a empresa precisa preencher critérios que incluem o valor de mercado, liquidez e receitas.
Segundo a própria Nasdaq, "qualificar-se para o Global Select Market é um marco de conquista, liderança e prestígio para as empresas. Isso transmite aos investidores uma mensagem de elevados padrões", que estariam dispostos a pagar mais por empresas nesse segmento.
Com Money Times
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