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'NÃO É HORA DE VENDER'

Ibovespa a 240 mil pontos? Inter explica por que ainda vê espaço para a bolsa subir

Mesmo após o rali da bolsa brasileira, banco avalia que as ações ainda negociam abaixo da média histórica; analista explica por que “não é hora de vender”

Montagem com um fundo de gráfico de ações e a bandeira do Brasil dentro de uma lupa, gestores, ações, fundos
Bolsa Brasil ações mercado - Imagem: Montagem Seu Dinheiro/ Canva/ istock/ cabral_augusto83

O Ibovespa (IBOV) já acumula uma valorização de 9,74% em outubro, mas, para o Inter, a bolsa brasileira ainda tem fôlego para subir mais. Atualmente na casa dos 205,4 mil pontos, o principal índice da B3 segue considerado barato pelo banco, que elevou sua projeção de 204 mil para 240 mil pontos — o equivalente a um potencial de valorização de aproximadamente 17% em relação ao patamar atual.

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Por que o Inter acredita que o Ibovespa ainda pode subir?

Antes de tudo, é importante lembrar do contexto atual: a bolsa brasileira ganhou força depois do primeiro turno das eleições presidenciais, quando Flávio Bolsonaro (PL) terminou a votação à frente do presidente Lula (PT). Assim, na semana seguinte à votação, o Ibovespa saltou 8,8%, registrando sua maior alta semanal após uma eleição desde 1994. Em dólares, a valorização foi de aproximadamente 12% no período.

Porém, apesar do entusiasmo dos investidores, o Inter avalia que o movimento ainda não foi suficiente para levar as ações brasileiras a preços considerados elevados.

Para chegar a essa conclusão, o banco utiliza um indicador bastante conhecido no mercado: o preço sobre lucro (P/L). O múltiplo mostra quanto os investidores estão dispostos a pagar pelas ações de uma empresa em relação ao lucro que ela gera. Quanto menor o indicador, mais barata a ação pode estar em relação aos seus resultados — embora isso não signifique, necessariamente, uma oportunidade de compra.

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“Na média histórica, o Ibovespa negocia perto de 11 vezes o lucro projetado (P/L). Hoje, mesmo depois de toda a alta, estamos pouco acima de 10 vezes. Ou seja, a bolsa subiu, mas o múltiplo ainda não voltou sequer para a média”, avalia o analista Rafael Winalda, do Inter.

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Ele também lembra que o mercado brasileiro vinha de um período de preços bastante pressionados. “Vale lembrar de onde partimos: nos últimos anos, o índice chegou a negociar em níveis bem deprimidos, perto de 7 a 8 vezes, e o que vimos em 2026 foi muito mais uma recuperação do que um exagero”, pondera ele.

Bolsa brasileira está mais barata que outros mercados?

Na comparação internacional, o desconto também chama a atenção do Inter. Enquanto o Ibovespa negocia perto de 10 vezes o lucro projetado, outros mercados apresentam múltiplos consideravelmente maiores.

Na Índia, por exemplo, as ações negociam, em média, perto de 21 vezes o lucro projetado. Em Taiwan, no México e na Indonésia, esse indicador fica entre 15 e 16 vezes.

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Até mesmo a Austrália, um mercado desenvolvido com forte exposição a commodities, apresenta média próxima de 15 vezes.

Para o Inter, essa diferença sugere que existe espaço para uma valorização adicional das ações brasileiras, caso os investidores passem a aceitar pagar mais pelos lucros das empresas.

“Hoje, negociando perto de 10 vezes, a bolsa brasileira está abaixo do seu histórico e muito abaixo do que pares emergentes costumam carregar. Não precisa de um cenário heroico para enxergar espaço: basta que parte desse desconto estrutural diminua”, avalia Rafael Winalda.

O que pode impedir o Ibovespa de chegar aos 240 mil pontos?

Apesar do otimismo, o Inter reconhece que a trajetória da bolsa brasileira não depende apenas dos resultados das empresas.

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O principal ponto de atenção continua sendo o cenário eleitoral, que pode provocar mudanças nas expectativas dos investidores e, consequentemente, nos preços das ações. “A conta pressupõe que a leitura atual do mercado se confirme, e é aí que mora o principal risco para a tese”, diz Winalda.

Outro fator importante é que o desconto histórico da bolsa brasileira não surgiu por acaso.

De acordo com Winalda, o mercado nacional convive há décadas com juros estruturalmente elevados, crises fiscais, inflação persistente e instabilidade política. Esses fatores ajudam a explicar por que os investidores costumam pagar menos pelas ações brasileiras do que por papéis de empresas de outros países.

“Tudo isso comprime o quanto o investidor aceita pagar pelo lucro das empresas, e esse desconto acabou virando o ‘normal’ nas estatísticas.”

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Com informações do Money Times, portal parceiro do Seu Dinheiro.

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