Petrobras (PETR4) bate R$ 800 bilhões em valor de mercado pela primeira vez. O que está por trás do novo recorde?
Alta do petróleo e entrada de capital estrangeiro na bolsa impulsionam ações da estatal, que se destacam entre os maiores ganhos do Ibovespa

A Petrobras (PETR3) chegou a um patamar de inédito nesta quarta-feira (14): R$ 800 bilhões em valor de mercado. Com o petróleo em alta e novos recordes de produção no radar, as ações da estatal driblam a cautela dos investidores locais e estrangeiros e ocupam lugar de destaque entre os maiores ganhos do Ibovespa.
Por volta das 16h, as ações ordinárias PETR3 avançavam 2,38%, a R$ 65,30, entre as maiores altas do índice. Já as preferenciais PETR4 subiam 1,78%, a R$ 57,94.
Petróleo e gringos animados dão combustível à alta
Parte do impulso vem da alta do petróleo no mercado internacional. Por volta das 16h, o barril do Brent, usado como referência para os preços da Petrobras, subia 0,92%, a US$ 106,66.
Segundo Lucas Xavier, da AW Capital, o conflito entre a Arábia Saudita e os rebeldes houthis, do Iêmen, aumenta o receio de que falte petróleo no mercado — o que ajuda a puxar os preços para cima.
Para Xavier, com tantos riscos no radar, fica mais difícil esperar uma queda no preço do barril no curto prazo. Esse cenário beneficia as petroleiras nacionais mais eficientes.
Além disso, a entrada de capital estrangeiro na bolsa brasileira ganhou força nos últimos dias, após Flávio Bolsonaro sair à frente de Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno das eleições.
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Uma das portas de entrada para esses investidores são os ETFs, fundos que acompanham índices como o Ibovespa, movimento que pode beneficiar a Petrobras, um dos pesos-pesados.
Mais petróleo, mais dinheiro no caixa?
A Petrobras também tem motivos próprios para chamar a atenção dos investidores. Dados preliminares da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a companhia produziu 2,96 milhões de barris de petróleo por dia em setembro, alta de 1% sobre agosto e um novo recorde mensal.
Dois campos puxaram esse crescimento. Em Búzios, a produção aumentou 2% e ficou acima de 1 milhão de barris por dia pelo segundo mês seguido. Já em Tupi, o avanço foi de 8%, para cerca de 550 mil barris diários.
Com isso, a Petrobras encerrou o terceiro trimestre de 2026 com uma produção média de 2,89 milhões de barris por dia, 6% acima do trimestre anterior. O resultado também superou a média das estimativas do mercado, de 2,77 milhões de barris diários.
Para Vicente Falanga e Ricardo França, analistas do Bradesco BBI, esses números podem levar o mercado a elevar suas projeções para a companhia. A expectativa de produzir mais petróleo abre espaço para previsões de lucro maior e mais dinheiro entrando no caixa no terceiro trimestre.
Os analistas, porém, fazem uma ressalva: ainda é cedo para dizer que a Petrobras conseguirá repetir o recorde de setembro nos próximos meses.
Mesmo assim, o volume já supera a produção média diária que o banco esperava para 2027. Na avaliação da dupla, isso reforça a confiança nas perspectivas da estatal, embora um único mês não seja suficiente para garantir que esse ritmo veio para ficar.
Uma tese que vai além das eleições
O Bank of America (BofA) também passou a esperar uma produção maior da Petrobras nos próximos anos. A instituição elevou suas estimativas para 2,9 milhões de barris de petróleo por dia em 2027 e 3,1 milhões em 2028, ante projeções anteriores de 2,7 milhões e 2,8 milhões, respectivamente.
Os volumes superam os previstos pela própria estatal no Plano de Negócios 2026–2030: 2,6 milhões de barris diários em 2027 e 2,7 milhões em 2028.
A revisão reflete a expectativa de que os campos do pré-sal consigam manter uma produção elevada por mais tempo, com uma queda mais lenta dos volumes ao longo dos anos. Segundo os analistas, o mercado ainda subestima as vantagens desses reservatórios, que combinam petróleo mais leve, grande escala e produtividade excepcional.
Com mais produção e uma perspectiva de forte geração de caixa, o banco elevou o preço-alvo de R$ 55 para R$ 70 por ação, uma valorização potencial de 23% em relação ao fechamento da última terça-feira (13), e manteve a recomendação de compra.
Embora as eleições de 2026 continuem no radar, a instituição avalia que os fundamentos da Petrobras sustentam uma tese positiva que vai além da política.
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