A explosão da renda fixa nos EUA: Treasury de dez anos bate máxima em 24 anos, ações caem e Ibovespa acompanha
No mercado de câmbio, o dólar se valorizou em relação às moedas de emergentes, entre elas, o real; confira as cotações

Uma explosão é uma liberação repentina e violenta de grande quantidade de energia, gerando um aumento brusco de temperatura e pressão. Foi mais ou menos o que os mercados experimentaram nesta quarta-feira (7): uma explosão que teve origem na renda fixa norte-americana e se espalhou para as ações.
Os títulos de dívida do governo dos EUA, os famosos Treasurys, vem renovando uma série de altas nas últimas semanas — o Seu Dinheiro explicou o movimento aqui e você pode entender em detalhes. E, nesta quarta-feira (7), mais uma marca foi renovada.
Os yields (rendimentos) dos títulos de dez anos, referência para quase tudo no mercado, subiu a 5,365%, o nível mais elevado desde abril de 2002, e foram acompanhados pelos yields dos títulos de vencimento mais longo, de 30 anos, que também renovaram máxima em 24 anos ao chegar a 5,732%.
A calmaria só veio depois que o Tesouro norte-americano realizou um leilão considerado sólido pelos agentes de mercado: US$ 39 bilhões em Treasurys de dez anos foram colocados à venda no certame.
"Essa pressão sobre os Treasurys se intensificou em agosto e desde então a gente vem apontando dois motivos para essa disparada: as expectativas cada vez maiores de juros mais altos nos EUA e em outras partes do mundo, e a compensação adicional que os investidores exigem para manter a dívida de longo prazo em meio à incerteza geopolítica e ao aumento da emissão federal e corporativa", disse Vikram Rai, economista sênior da TD Economics.
Para a Capital Economics, essa alta dos yields está apertando as condições financeiras, o que, se mantido, pesará sobre a atividade econômica.
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No entanto, com exceção da França e da Itália, as condições mais rígidas refletem principalmente as expectativas de taxas de juros mais altas e, se os bancos centrais não implementarem esses aumentos, grande parte do aperto pode ser revertido, segundo a consultoria britânica.
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Ações em queda
A disparada da renda fixa norte-americana pressionou as ações nesta quarta-feira (7), que só reduziram as perdas depois da realização do leilão do Tesouro dos EUA.
O Dow Jones perdeu mais de 300 pontos, ou 0,66%, enquanto o Nasdaq e o S&P 500 recuaram 0,22% cada um.
Por aqui, o dia também foi de ajuste de posições e de pressão vinda do exterior.
Depois de renovar uma série de máximas histórias e romper os 209 mil pontos na esteira do resultado do primeiro turno da eleição presidencial, que colocou Flávio Bolsonaro (PL) na frente de Lula (PT) para a segunda etapa do pleito, o Ibovespa devolveu uma parte dos ganhos.
O principal índice da bolsa brasileira encerrou o dia com queda de 0,74%, aos 204.302,33 pontos.
O dólar, por sua vez, subiu 0,72%, a R$ 5,0112. Assim como nas ações, a disparada dos yields e a valorização da moeda norte-americana no exterior exerceram pressão sobre as divisas de mercados emergentes, entre elas, o real.
Ações caem, juros oscilam
Enquanto as ações operaram em queda, os juros operaram sem uma direção única mesmo com o mercado demonstrando otimismo com a possibilidade de alternância de poder em 2027.
Sem gatilhos específicos, as taxas curtas apresentaram leve recuo, em linha com os cortes já precificados para a Selic no curto prazo. Já os vértices mais longos, operaram com viés de alta.
No fim da tarde, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 caía de 12,61%, no ajuste da véspera, para 12,59%. O DI para janeiro de 2029 cedia a 12,44%, vindo de 12,46% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 subia de 12,57% a 12,600%.
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