Nasdaq leva um tombo e puxa S&P 500 para o vermelho; confira o que movimentou os mercados lá fora
Enquanto a B3 esteve fechada nesta segunda-feira (12) pelo feriado, Wall Street se manteve de portas abertas; saiba como fecharam as bolsas nos EUA, Europa, Ásia, petróleo e ouro

Enquanto a bolsa brasileira aproveitou o feriado para descansar, em Wall Street a segunda-feira (12) foi de portas abertas — mas sem um consenso entre os investidores. O Dia de Colombo nos EUA foi marcado pela falta de direção: o Dow Jones se segurou no azul, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq terminaram o dia no vermelho.
O pregão misto reflete um mercado que vem de uma semana vitoriosa, mas que fez hoje uma pausa estratégica à espera de uma enxurrada de balanços corporativos e dados cruciais de inflação nos EUA.
O S&P 500 recuou 0,06%, e o Nasdaq caiu 0,44%. Na contramão, o Dow Jones avançou 0,38%. O grande peso para o Nasdaq foi a fabricante de chips Micron Technology, cujas ações recuaram 3%.
O movimento refletiu o receio dos investidores com o avanço da concorrência chinesa, após a CXMT relatar progressos em uma nova estrutura de chips.
Já o Dow Jones foi salvo pela Salesforce, que subiu de 2% após receber uma dupla elevação de recomendação pelo Bank of America.
Os investidores agora apostam que a temporada de balanços do terceiro trimestre dará fôlego para que as ações superem as turbulências geopolíticas.
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As expectativas são altas: segundo dados da FactSet, os lucros das empresas do S&P 500 devem aumentar de 29,6% entre julho e setembro. Se confirmado, será o quarto trimestre consecutivo de alta superior a 25%, impulsionado pelos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial (IA).
O pontapé será dado pelos grandes bancos. Bank of America, Citigroup, Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Morgan Stanley e Wells Fargo divulgam seus números nos próximos dias.
Além disso, a semana traz o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) na quarta-feira (14) e o Índice de Preços ao Produtor (PPI) na quinta-feira (15).
- Leia também: Empresas do S&P 500 devem lucrar 31% mais no 3T26 — e esses dois setores devem largar na frente
Bolsa na Europa e na Ásia
Do outro lado do Atlântico, as bolsas europeias estenderam os ganhos da última sessão, impulsionadas pela expectativa com a temporada de resultados globais, especialmente dos bancos norte-americanos, o que puxou o setor financeiro europeu (+1,3%).
O noticiário regulatório também ajudou pontualmente: a União Europeia anunciou que limitará a importação de veículos híbridos chineses a 350 mil unidades por ano para proteger o mercado local. A medida deu fôlego marginal às montadoras europeias, com a Volkswagen subindo 0,2%.
Na Ásia, o pregão foi marcado pela cautela e pela falta de direção única, enquanto os investidores digeriam o acordo de Donald Trump para a compra de diesel russo.
O grande destaque negativo foi a bolsa da Coreia do Sul: na volta de um feriado, o índice Kospi caiu 3,65% em Seul.
Na China continental, o clima também foi de realização na bolsa, com perdas de 0,43% em Xangai e 1,79% em Shenzhen. Por outro lado, Hong Kong (+0,25%) e a bolsa australiana (+0,76%) conseguiram fechar no azul. O mercado japonês não operou devido a um feriado local.
Petróleo em ebulição, ouro em correção
No mercado de commodities, o petróleo ignorou propostas de trégua e fechou em forte alta, precificando o aumento das tensões geopolíticas globais.
O barril do Brent — usado como referência internacional, inclusive para a Petrobras — para dezembro avançou 1,84%, cotado a US$ 106,65, enquanto o WTI — a referência do mercado norte-americano — para novembro subiu 2,06%, a US$ 93,74.
O gatilho foi a escalada no Oriente Médio. A Arábia Saudita investiga falhas nas defesas antiaéreas após uma série de ataques de mísseis e drones promovidos por rebeldes Houthis do Iêmen, que atingiram o aeroporto de Riad, deixando 13 mortos e mais de 300 feridos.
O CEO da Saudi Aramco, Amin Nasser, alertou que a pressão sobre os preços continuará até que o Estreito de Ormuz seja plenamente reaberto.
No Leste Europeu, o cessar-fogo energético entre Rússia e Ucrânia anunciado por Trump no fim de semana parece não ter saído do papel. Autoridades ucranianas afirmam que instalações de energia do país continuam sob ataque russo.
Trump também causou ruído ao defender a decisão de Washington de firmar um acordo para comprar diesel russo antes das eleições legislativas nos EUA, marcadas para 3 de novembro, justificando que a União Europeia já pagou bilhões a Moscou por energia.
Para completar o cenário de oferta, grandes petrolíferas iniciaram a retomada da produção no Golfo do México após a passagem do furacão Isaias.
Por fim, no mercado de metais, o feriado do Dia de Colombo nos EUA reduziu a liquidez, e o ouro passou por uma correção técnica após ganhos recentes.
O contrato para dezembro recuou 0,61%, a US$ 4.190,60 a onça-troy, enquanto a prata caiu 0,87%, a US$ 60,51.
Segundo o Saxo Bank, o metal precioso continua encontrando forte resistência para se consolidar acima da marca psicológica de US$ 4.200, com os investidores na defensiva à espera dos dados de inflação dos EUA, que ditarão os próximos passos do Fed sobre os juros.
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