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Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

SIMULAÇÃO

Deixando R$ 100 mil na mesa: abrir mão da liquidez diária na renda fixa conservadora pode render até 40% a mais no longo prazo

Simulação do banco Inter com CDBs mostra quanto é possível ganhar a mais, no longo prazo, ao se optar por ativos sem liquidez imediata, ainda que de prazos curtos

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
22 de janeiro de 2025
7:12 - atualizado às 18:59
Dinheiro na mesa
Dinheiro na mesa. - Imagem: Gustavo Mellossa/iStock

Os investidores conservadores tendem a preferir manter a maior parte ou a totalidade das suas reservas em ativos de renda fixa pós-fixada (indexada à Selic ou ao CDI), de baixíssima volatilidade e com liquidez diária, isto é, que podem ser resgatados a qualquer momento.

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Um bom exemplo desses investimentos são os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), emitidos por bancos e geralmente remunerados com base em um percentual do CDI.

De uns anos para cá se tornaram comuns, nos bancos e plataformas de investimento, os CDBs que pagam boas rentabilidades mesmo com liquidez diária — por exemplo, 100% do CDI.

Num país de juros elevados como o Brasil, um CDB de banco grande com essas características é um dos exemplos maiores de como é possível ganhar dinheiro sem fazer esforço e praticamente sem risco.

Como acontece com outros tipos de investimento, porém, o investidor consegue ganhar ainda mais se topar abrir mão da liquidez diária e adquirir CDBs de vencimentos mais longos, como um, dois ou três anos.

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Trata-se de uma forma de turbinar o rendimento da parcela mais conservadora da sua carteira sem aumentar o risco de crédito ou a volatilidade — desconsiderando-se, é claro, a reserva de emergência, que deve ficar obrigatoriamente aplicada em investimentos conservadores de liquidez diária.

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Muitos brasileiros, porém, ainda são apegados à liquidez imediata nas suas aplicações mais conservadoras. Mas uma análise feita pelo banco Inter demonstrou quanto dinheiro o investidor que não abre mão da liquidez de jeito nenhum está deixando na mesa.

Retorno poderia ser cerca de 40% maior no cenário atual

Em relatório recente, o analista do Inter Rafael Winalda resolveu calcular quanto o investidor de CDB de liquidez diária deixa de ganhar, no longo prazo, ao abrir mão de retornos anuais maiores (ainda que apenas 0,5% ou 1,0% mais altos) que ele poderia obter num CDB com liquidez apenas no vencimento.

Parece pouco, mas a simulação dele mostra que, em prazos como dez, 15 ou 20 anos, a diferença pode ser significativa.

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Primeiro, Winalda simulou os retornos para ativos de renda fixa que remunerem 100%, 102% e 105% do CDI com liquidez diária e comparou-os com o desempenho de ativos sem liquidez diária com vencimentos superiores a dois anos e retornos adicionais de 1% e 2%, rentabilidades condizentes com o mercado atual.

Foi considerado um prazo de investimento de 20 anos (até 2045), mas sem que os ativos precisassem ter um vencimento tão longo. A premissa era apenas de que eles tivessem prazo superior a dois anos, sendo os recursos reinvestidos sempre que vencessem.

Para o CDI foi considerada uma taxa de 12,25% em 2025, 11,00% em 2026, 10,00% em 2027 e 9,00% de 2028 em diante.

Assim, levando-se em conta apenas um aporte inicial único e a rentabilidade bruta, isto é, sem desconto de imposto de renda, o retorno acumulado destes cinco diferentes ativos mostrou uma diferença de até cerca de 40%, diz Winalda.

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Em outras palavras, num prazo de 20 anos e após múltiplos reinvestimentos, a diferença entre o retorno do CDB mais rentável dentre os títulos sem liquidez diária e o retorno do CDB menos rentável com liquidez diária chegou a cerca de 40%.

De fato, muita gente não tem estômago para a volatilidade de um investimento em ações nem quer ter a dor de cabeça de correr o risco de crédito de uma debênture, mas acaba priorizando a liquidez diária mesmo para a parcela da carteira destinada aos objetivos de médio e longo prazo.

Esses investidores acabam renovando o investimento por vários anos, deixando de ganhar um retorno maior em uma aplicação igualmente conservadora, porém sem a liquidez imediata da qual ele, de fato, vai acabar não precisando.

Deixando R$ 100 mil na mesa

Winalda ainda fez uma segunda simulação com os mesmos ativos, prazo e juros estimados, porém levando em conta outros dois fatores: aportes recorrentes de R$ 500 por mês e o desconto do imposto de renda sobre os rendimentos.

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Os ativos de renda fixa não isentos de IR são tributados de acordo com uma tabela regressiva, em que as alíquotas diminuem de acordo com o prazo do investimento.

Assim, aplicações que vencem ou são resgatadas em menos de seis meses são tributadas em 22,5%, enquanto aquelas que vencem ou são resgatadas após dois anos são tributadas em apenas 15%.

Portanto, na sua segunda simulação, Winalda considerou, além dos aportes mensais, que os CDBs de liquidez diária teriam seus rendimentos tributados em 22,5% — uma vez que ativos com essa característica frequentemente têm vencimentos inferiores a seis meses — e que os CDBs sem liquidez diária e com prazos superiores a dois anos teriam seus rendimentos tributados em 15%.

O resultado ficou assim:

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AtivoValor acumulado
CDB 100% do CDI com liquidez diáriaR$ 291.702,57
CDB 102% do CDI com liquidez diáriaR$ 297.209,64
CDB 105% do CDI com liquidez diáriaR$ 305.705,92
CDB sem liquidez diária com prêmio de 1%R$ 354.620,00
CDB sem liquidez diária com prêmio de 2%R$ 393.987,77
Fonte: banco Inter.

Repare que a diferença entre o CDB sem liquidez diária mais rentável e o CDB com liquidez diária menos rentável chegou a mais de R$ 100 mil em 20 anos (2045).

Em outras palavras, quem ficou por 20 anos fazendo aportes recorrentes em CDBs curtinhos de liquidez diária e que rendem 100% do CDI poderia ter recebido cerca de 35% a mais se tivesse optado por um CDB mais longo e com liquidez apenas no vencimento.

Winalda conclui sua análise dizendo que "cada 1% ao ano importa, e muito, no longo prazo", uma demonstração do poder dos juros compostos no patrimônio do investidor.

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