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Ex-ministro da Economia acredita que o mundo vive um novo momento de desordem em que os conservadores estão à frente das mudanças
O mundo saiu de uma era de ascensão e crescimento das democracias e hoje vive um período de transição, em que a desordem impera. Esta é a análise de Paulo Guedes, que foi ministro da Economia entre os anos 2019 e 2022. Segundo ele, nenhuma das situações que o Brasil enfrenta neste momento é exclusividade do país, mas sim reflexo do cenário global.
Em painel no 8º Encontro Nacional da Anfidc, nesta quinta-feira (23), Guedes afirmou que neste novo momento do mundo, os valores conservadores têm se sobreposto aos valores liberais que impulsionaram as democracias e o capitalismo no período passado.
“Pega o liberal e joga para o banco de trás. Pega o conservador e bota no banco da frente. Ah, mas isso e aquilo. Ninguém quer saber. ‘Meus valores estão acima disso tudo e eu vou lutar até o final’. Esse é o novo momento”, disse Guedes.
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Nesse novo momento, o ex-ministro acredita que a economia está em segundo plano. Para ele, o mundo todo está se rearmando, o comércio está diminuindo e as democracias tão sacudindo.
Guedes afirma que o que os Estados Unidos viveram com as eleições presidenciais de 2024 e o que a França e a Alemanha viveram em suas eleições parlamentares no ano passado, é o que Brasil deve viver no próximo ano.
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“Todo mundo está achando que a economia vai ser o tema da eleição [2026]. Não vai ser. O tema eleitoral é segurança. Segurança para os seus filhos, famílias. Nacionalismo ainda forte. Todos os valores dos conservadores: religião, família, pátria. Não adianta querer reprimir isso", afirmou.
O “espírito do tempo” já mudou e os “atores brasileiros” não perceberam, segundo Guedes
O ex-ministro criticou a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na diplomacia internacional. Para ele, a posição histórica do Brasil sempre foi ser neutro e, com Lula na presidência, o país tem tomado posições.
“Tira foto com tudo que é ditador. Estou com Hamas. Estou com a Rússia, com a China. Pô, o resultado é qual: 10% [de tarifa] comercial mais 40% [de tarifa] geopolítica”, disse Guedes, em alusão às tarifas de importação dos Estados Unidos contra o Brasil.
Para ele, a presidência precisa pensar mais e refletir sobre as consequências. “O Brasil tem que ser neutro, essa é a tradição que existia antes”.
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