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O levantamento da Atlas em parceria com a Bloomberg indica uma reviravolta no cenário eleitoral para 2026, que vinha indicando um enfraquecimento da imagem de Lula
As interferências de Donald Trump vem trazendo reviravoltas em eleições ao redor do mundo. O primeiro caso ocorreu no Canadá, quando as ameaças de anexação revertaram o cenário na última hora, impedindo uma vitória conservadora dada como certa. Logo em seguida, na Austrália, o “efeito Trump” culminou na reeleição de um primeiro-ministro trabalhista. Agora, um cenário similar parece envolver o Brasil.
Nos últimos meses, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vinha se distanciando cada vez mais do eleitorado, enquanto representantes do bolsonarismo ganhavam fôlego. No entanto, a tentativa de Trump de usar a guerra comercial para tirar o Supremo Tribunal Federal (STF) do encalço do ex-presidente Jair Bolsonaro foi um tiro que saiu pela culatra.
Segundo levantamento da Atlas em parceria com a Bloomberg, o nível de aprovação do petista superou a desaprovação pela primeira vez neste ano, passando de 49,7% contra 50,3% para 50,2% contra 49,7%.
Além disso, Lula voltou a liderar todos os cenários hipotéticos no segundo turno das eleições de 2026.
A reviravolta ocorre em meio ao anúncio do aumento das tarifas de Trump impostas aos produtos brasileiros, que passaram de 10% para 50%. Em carta divulgada no início de julho, o republicano indicou o “caça às bruxas” do governo a Bolsonaro como justificativa para a medida.
O levantamento da Atlas em parceria com a Bloomberg ouviu 7.334 brasileiros entre os dias 25 e 28 de julho. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro é de um ponto porcentual.
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O tarifaço trouxe impactos para Bolsonaro, mas Trump acabou prejudicando mais do que ajudando. A imagem negativa do político brasileiro aumentou de 53% para 55%, enquanto a positiva recuou de 46% para 44%.
Já Lula viu a imagem positiva subir de 47% para 51%, e a negativa cair de 53% para 48%.
Apesar do tarifaço de Trump trazer fôlego para a campanha do petista, ele ainda tem um longo caminho até as eleições de 2026. Isso porque a avaliação negativa do governo atual segue acima da perspectiva positiva, embora tenha apresentado melhora.
De acordo com a pesquisa, 48,2% avaliam a gestão como ruim ou péssima, enquanto 46,6% a enxergam como boa ou ótima. No início deste mês, a percepção negativa era de 49,4% contra 43,4%.
Vale lembrar também que, ontem (30), Trump assinou um decreto oficializando as tarifas de 50% ao Brasil. Porém, o documento contava com mais de 700 exceções à sobretaxa. O Seu Dinheiro detalhou quem ficou de fora do tarifaço aqui.
Assim, a repercussão do anúncio na corrida eleitoral brasileira ainda será sentida pelo governo Lula e pela oposição.
Ainda falta mais de um ano para as eleições de 2026, mas, se elas fossem realizadas hoje, Lula conquistaria o quarto mandato, segundo a pesquisa.
O petista lidera as intenções de voto em todos os cenários de primeiro turno, inclusive na conjuntura vista em 2022.
Ao questionar em quem os entrevistados votariam caso os candidatos fossem os mesmos das eleições passadas, Lula aparece com 47,8% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro conta com 44,2%.
Porém, vale lembrar que o ex-presidente está inelegível por determinação do STF. Assim, o candidato de oposição que apresenta menor distância é Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 33% contra 48,5% de Lula.
Caso Michele Bolsonaro disputasse o primeiro turno, ela também perderia para o presidente. A ex-primeira dama aparece com 29,7% das intenções de voto.
No segundo turno, o cenário não é diferente. O petista voltou a despontar como o candidato favorito dos eleitores, mas com uma margem ainda apertada.
Caso Lula enfrentasse Jair Bolsonaro, o petista ganharia as eleições por 50,1% contra 46,3%.
Já se enfrentasse Tarcísio de Freitas, Lula teria 50,4% das intenções de voto contra 46,6% para o atual governador de São Paulo.
Enquanto, na disputa contra Michele Bolsonaro, o presidente aparece com 50,6% contra 45,9% para a ex-primeira dama.
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