Reforma ministerial de Lula: demissão de Nísia Trindade da Saúde abre espaço para posto-chave do governo na relação com o Congresso
O ministro da Secretaria das Relações Institucionais (SRI), Alexandre Padilha, vai assumir a pasta, que é cobiçada por ser a que mais executa emendas parlamentares

A tão aguardada dança das cadeiras em Brasília começou — ainda que em ritmo lento. Nesta terça-feira (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez mais uma troca no governo: demitiu a ministra da Saúde, Nísia Trindade, e colocou no lugar o ministro da Secretaria das Relações Institucionais (SRI), Alexandre Padilha.
Em janeiro, Lula já tinha substituído o titular da Secretaria de Comunicação Social (Secom) — tirou Paulo Pimenta e colocou Sidônio Palmeira no lugar.
Com o deslocamento de Padilha da SRI, que ficava no Palácio do Planalto, Lula abre espaço para uma nova troca justamente na área que trata da relação com o Congresso.
Padilha foi alvo de ataques de parte de deputados e chegou a ter embates com o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL).
A troca da ministra da Saúde é a oitava mudança que Lula faz na Esplanada neste terceiro mandato. Além disso, é a terceira ministra a ser demitida na gestão. Anteriormente, foram substituídas Daniela Carneiro (Turismo) e Ana Moser (Esporte).
As três foram trocadas por homens — Padilha (Saúde), Celso Sabino (Turismo) e André Fufuca (Esporte) —, enfraquecendo o discurso propagado por Lula desde a campanha eleitoral de equidade de gênero.
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A fritura de Nísia, considerada cota de Lula
A demissão de Nísia já era esperada e acontece após semanas de fritura da então ministra da Saúde no cargo.
Ela é considerada da cota pessoal do presidente — foi nomeada sem indicação política de um partido aliado. Lula admirava o perfil técnico de Nísia, que foi presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Ela havia ganhado notoriedade durante a pandemia de covid-19, quando defendia publicamente as vacinas enquanto o então presidente Jair Bolsonaro falava contra os imunizantes.
No entanto, desde o início do governo, Nísia foi alvo de partidos que integram o Centrão, a exemplo do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). O Ministério da Saúde é a pasta que mais executa emendas parlamentares, o que faz a estrutura ser desejada pelos principais partidos do Congresso.
A avaliação em Brasília era de que faltava traquejo político para a então ministra administrar os interesses de congressistas sobre a pasta. Lula evitou demitir Nísia no auge da pressão política, mas passou a cobrar mais entregas de obras e programas.
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A despedida de Nísia da Saúde e do governo Lula
Na manhã desta terça, Nísia Trindade assinou os últimos atos como ministra numa solenidade no Planalto com a presença de Lula.
Ela assinou portarias referentes à produção de vacinas em cerimônia marcada por constrangimento. Nísia fez um longo discurso, em tom de despedida, e cumprimentou vários integrantes de sua equipe.
No fim da solenidade, realizada no Salão Leste do Palácio do Planalto, um repórter perguntou: "Presidente, o senhor vai fazer mudanças no Ministério?". Lula se surpreendeu com o questionamento, houve silêncio no Salão Leste, mas ele não respondeu.
O petista se reuniu com Nísia nesta tarde e depois se encontrou com Padilha — ele foi eleito deputado federal pelo PT em São Paulo e é médico e já foi ministro da Saúde na gestão de Dilma Rousseff.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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