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De Bethnal Green à Vila Olímpia: chef brasileiro consagrado em Londres, Rafael Cagali, anuncia novos projetos em Brighton e na capital paulista.

O destino pode ser Londres, mas o sotaque é de São Paulo. No elegante bairro de Bethnal Green, leste da capital inglesa, o restaurante Da Terra se impôs como um dos mais sofisticados templos gastronômicos da cidade, com duas estrelas Michelin e uma lista de espera digna de premiére. No comando da casa, o chef Rafael Cagali traduz o Brasil com elegância sutil e precisão técnica. É dele o título de único brasileiro fora do país a conquistar duas estrelas no famoso guia vermelho.
Mas, para quem pensa que o sucesso o faz desacelerar, engana-se: Rafael prepara novos voos. Ainda neste verão europeu, ele inaugura uma nova casa em Brighton, à beira-mar. E, em 2027, será o responsável pela curadoria do restaurante do Daslu Residences, projeto imobiliário de luxo na Vila Olímpia, em São Paulo.
Filho de mãe italiana e pai brasileiro, Rafael nasceu e cresceu em São Paulo. A mãe chegou a ter um restaurante, mas foi a avó quem despertou sua paixão verdadeira pela cozinha. “Era aquela cozinha de casa, cheia de afeto e improviso”, conta ele. “Nada sofisticado, mas tudo com alma.”
Aos 20 e poucos anos, decidiu embarcar para a Europa em busca de formação. E que formação: passou pelas cozinhas de alguns dos mais reverenciados chefs do continente, incluindo Heston Blumenthal (The Fat Duck), Claude Bosi, Simon Rogan, e o vanguardista espanhol Quique Dacosta. Lá, aprendeu não só sobre ingredientes e técnicas, mas sobre estética, disciplina e o poder da narrativa em um prato.
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Essa bagagem foi fundamental para sua chegada a Londres. Em 2019, junto com o sócio e gerente de sala Charlie Lee, Rafael abriu o Da Terra no histórico Town Hall Hotel, um prédio de 1910 que já foi sede do governo local.
O projeto nasceu com ambição e alma. E logo se provou: apenas oito meses após abrir as portas, o restaurante conquistou sua primeira estrela Michelin. Em 2021, veio a segunda.

O Town Hall Hotel, onde estão localizados o Da Terra e o restaurante irmão Elis, é uma ode à arquitetura eduardiana. Mármore, vitrais, tetos ornamentados e escadarias monumentais convivem com design contemporâneo e suítes de estética limpa. Um luxo silencioso, que é justamente a atmosfera que permeia o salão do Da Terra.

Após uma reforma completa em 2024, o restaurante ganhou cozinha aberta ampliada, novos detalhes de iluminação e um layout ainda mais voltado à conexão entre equipe e clientes. São apenas 28 lugares, e tudo, desde o ritmo do serviço até o som ambiente, é pensado para criar uma experiência íntima e memorável.
Antes do jantar, os clientes são recebidos em um lounge com coquetéis artesanais e snacks criativos. O atendimento é discreto, quase imperceptível — como deve ser em um restaurante onde a comida é a protagonista.
O menu de degustação do Da Terra muda conforme a estação, mas sempre carrega elementos da dupla herança de Rafael: o Brasil e a Itália. São oito tempos, além de snacks e petit fours. Uma moqueca reinterpretada, por exemplo, surge em versão minimalista, com caldo translúcido e delicado toque de dendê, em contraste com o prato fumegante e intenso que conhecemos no Brasil.

Outros pratos podem incluir raviolo de feijão-de-corda com manteiga de garrafa, vieiras com tucupi negro, polvo defumado com purê de milho tostado, e uma sobremesa de banana com cumaru e miso branco, que mais parece uma escultura comestível.
E, como todo bom brasileiro sabe, a refeição só termina de verdade com doce. Os petit fours do Da Terra são um capítulo à parte: quindim reluzente servido em uma mordida, fudge inglês de maracujá — um híbrido inesperado e viciante —, e o toque final, um brigadeiro artesanal, embalado à mão, entregue ao cliente para levar para casa. Um pequeno gesto, mas com enorme memória.
No mesmo prédio do Da Terra, Rafael criou o Elis, restaurante mais descontraído e acessível, com menu à la carte e ambiente solar. O nome é homenagem direta ao restaurante de sua mãe, que funcionou em São Paulo nos anos 90. Aqui, porém, o chef se permite revisitar clássicos familiares, receitas com raízes ítalo-brasileiras e um serviço mais fluido — ensaio perfeito para o que virá a seguir em Brighton.
Em breve, ele desembarca na cidade costeira, conhecida por sua vibe criativa e descomplicada. “Brighton tem mar, cultura e liberdade. Era o lugar certo para um restaurante com menos formalidade e mais frescor”, antecipa.
O grande retorno simbólico de Rafael ao Brasil virá em 2027, quando será inaugurado o restaurante do Daslu Residences, empreendimento de alto padrão na Vila Olímpia. O chef será responsável pela curadoria completa da operação gastronômica, criando uma experiência que vai unir sofisticação, brasilidade e um toque internacional.
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