Agora dá para chegar no Coliseu de metrô — e a estação é um museu
Nova estação Colosseo-Fori Imperiali, da Linha C, abriga mais de 350 relíquias arqueológicas e leva passageiros ao coração do Coliseu

Todos os caminhos levam a Roma e, agora, uma nova via leva mais rápido ao Coliseu: isso porque o anfiteatro mais famoso do mundo acaba de ganhar sua própria estação de metrô.
Após 11 anos de obras, foi inaugurada nesta terça-feira (16) a estação Colosseo-Fori Imperiali, da Linha C. Mas não estamos falando apenas de um novo ponto de embarque ou desembarque: a estação também funciona como um museu subterrâneo, transformando o trajeto em uma viagem por Roma Antiga.
Por dentro da estação-museu Colosseo-Fori

A estação que leva a uma das sétimas maravilhas do mundo moderno é distribuída em quatro níveis a 32 metros de profundidade, expondo cerca de 350 artefatos arqueológicos encontrados ao longo da instalação da linha.
Entre as relíquias estão vasos, pratos e lâmpadas de cerâmica, estatuetas de bronze e utensílios do cotidiano romano.
Há também algumas estruturas preservadas, como poços de pedra, baldes suspensos e os vestígios de uma piscina de água fria e de um banho termal pertencentes a uma residência do século 1.
Telões espalhados pela estação exibem o processo de escavação, explicando tanto a complexidade da obra quanto os atrasos na inauguração. Não é por acaso: escavar no coração de Roma significa lidar com cerca de três milênios de civilizações sobrepostas.
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Para se ter ideia, ao longo da construção de toda a Linha C, que já acontece há 20 anos, foram encontrados mais de 500 mil artefatos segundo a WeBuild, grupo italiano de engenharia que lidera a obra do metrô.
Esse volume de descobertas é, inclusive, um dos principais fatores por trás dos sucessivos atrasos. De acordo com Marco Cervone, gerente de construção do consórcio responsável pela linha, “o desafio era construir sob um lençol freático tão grande e, ao mesmo tempo, preservar todos os achados arqueológicos revelados durante as escavações, além de proteger tudo o que está acima”.
Roma também inaugura estação Porta Metronia

Nesta terça-feira, outra estação da Linha C foi aberta ao público: a Porta Metronia, localizada a uma parada da estação Colosseo.
Com uma profundidade de 30 metros, as escavações revelaram um quartel militar de quase 80 metros de comprimento, datado do início do século II, além de uma casa com afrescos e mosaicos preservados.
Segundo Simona Moretta, diretora científica da escavação, um museu dentro desta estação deve ser inaugurado futuramente, ampliando a proposta de unir mobilidade urbana e patrimônio histórico.
Conclusão da Linha C ainda está longe de acabar; veja custo da obra
O custo total das 31 estações previstas da Linha C deve chegar a cerca de 7 bilhões de euros, com conclusão estimada para 2035. Quando totalmente inaugurada, a linha passará por baixo de outros marcos históricos, como a Coluna de Trajano, a Basílica de Maxêncio e áreas próximas ao Vaticano.
Apesar disso, a estação Colosseo-Fori Imperiali já é capaz de cumpri um papel estratégico na mobilidade de Roma. Afinal, ela funciona como ponto de integração com a Linha B, permitindo conexões diretas nos sentidos de Termini e Laurentina, dois eixos centrais do transporte público da cidade. Além disso, também contribui para aliviar o trânsito em uma das regiões mais congestionadas da capital romana.
Para quem visita Roma, a estação-museu oferece algo ainda mais raro: a chance de sair do metrô e ver camada por camada de história.
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