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Patrick Fuentes

Patrick Fuentes

Jornalista formado pela ECA-USP, foi repórter de Economia na Folha de S.Paulo e na CNN Brasil. Atualmente, atua na cobertura de empresas no Seu Dinheiro.

DIAS DE LUTA

Vítima da guerra comercial, ações da Braskem (BRKM5) são rebaixadas para venda pelo BB Investimentos

Nova recomendação reflete o temor de sobreoferta de commodities petroquímicas no cenário de troca de farpas entre Estados Unidos e o restante do mundo

Patrick Fuentes
Patrick Fuentes
11 de abril de 2025
18:08 - atualizado às 17:48
Vista da então nova unidade da Braskem Petroquímica, em Paulínia, São Paulo. Petrobras (PETR3 e PETR4) e Novonor são as principais acionistas da Braskem (BRKM5) | Dividendos
Novo preço-alvo por demonstrativo de fluxo de caixa sugere um potencial de alta no longo prazo, mas com prejuízos ao menos até o final de 2026. - Imagem: Estadão Conteúdo/Alex Silva

A imprevisibilidade da guerra comercial não para de fazer novas vítimas, e a Braskem (BRKM5) foi a escolhida da vez — ao menos na visão do BB Investimentos, que rebaixou a indicação das ações da petroquímica.

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Na tarde desta sexta-feira (11), o banco alterou a recomendação da Braskem para venda, com uma redução no preço-alvo, de R$ 24 para R$ 16.

Para o banco, apesar de no longo prazo a recomendação de venda parecer menos intuitiva, para investidores que buscam resultados mais rápidos, o atual cenário pode intensificar a pressão sobre a ação, devido aos impactos da troca de farpas dos Estados Unidos com o restante do mundo.

Olhando para os últimos 12 meses, os papéis da Braskem não parecem estar decolando — muito pelo contrário, já que o valor das ações caiu 61% nesse período.

Segundo o BB Investimentos, o cenário já era desafiador para a companhia antes das recentes quedas nos preços do petróleo e da piora na perspectiva de demanda global, causadas pela guerra tarifária.

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E as más notícias não acabam por aí. O relatório do banco indica que a Braskem sentirá fortemente o medo do mercado de apostar em commodities, com um agravante especial do setor: a sobreoferta, que já vem resultando em menores preços e baixo uso das capacidades instaladas.

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“Embora esperemos spreads ligeiramente melhores do que em 2024, a Braskem deve continuar abaixo das médias históricas devido à sobreoferta, com possíveis novas baixas com impactos da guerra tarifária”, destaca o relatório.

O BB Investimentos reforça que o novo preço-alvo por demonstrativo de fluxo de caixa (DFC) sugere um potencial de alta no longo prazo, mas com prejuízos ao menos até o final de 2026.

A projeção do BB Investimentos é que a Braskem tenha um prejuízo menor este ano, estimado em R$ 2 bilhões, ante R$ 12 bilhões negativos em 2024.

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Braskem ainda deve ter que lidar com capacidade da China

Nos últimos cinco anos, a China adicionou mais capacidade instalada para atuação no setor do que as existentes na Europa, Japão e Coreia do Sul combinados.

“Embora esperemos spreads ligeiramente melhores no comparativo de 2024 ante 2025, as adições de capacidade na Ásia pressionarão os custos e os preços dos produtos petroquímicos”, diz o BB.

Quem tem medo de Donald Trump? Como a nova Guerra Comercial mexe com a economia e investimentos

Somado a isso, a demanda pós-pandemia não trouxe condições de reduzir estoques, nem retorno de margens operacionais que trouxessem retorno adequado aos investimentos — especialmente em um setor cuja implementação leva prazos consideráveis para entrar em operação.

O CEO da Braskem, Roberto Ramos, concedeu recentemente uma entrevista sobre sua percepção do setor, que pode ser resumida pela frase: “Não vemos uma recuperação desse ciclo nos próximos cinco anos; provavelmente, veremos nos próximos dez”.

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