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A alta nas vendas de minério foram suportadas pela comercialização de estoques avançados formados em trimestres anteriores, para compensar as restrições de embarque no Sistema Norte devido às chuvas
O desempenho das ações da Vale (VALE3) nesta terça-feira (15) deu uma pista do que os investidores esperavam para o relatório de produção do primeiro trimestre de 2025. Os papéis da mineradora encerraram o dia com queda de 1,21%, cotados a R$ 53,70 — bem próximos da mínima da sessão.
No caso da Vale, não foi apenas o mau humor nas bolsas globais, que afetou em cheio o setor metálico, que derrubou as ações hoje. Os investidores também se anteciparam aos desafios que a mineradora enfrentou entre janeiro e março deste ano e que apareceram no relatório operacional do primeiro trimestre: as chuvas intensas nas operações do Sistema Norte.
A companhia informou, após o fechamento do mercado, que a produção de minério de ferro somou 67,664 milhões de toneladas métricas (Mt) entre janeiro e março, o que representa uma queda de 4,5% em base anual. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, a queda foi muito maior, de -20,7%.
No Sistema Norte, a produção foi 0,9 Mt menor na comparação anual, impactada pelas restrições de licenciamento em Serra Norte, já previstas no plano de produção. O efeito, porém, foi intensificado pelos maiores níveis de chuva.
Estes efeitos, segundo a Vale, foram parcialmente compensados pelo desempenho operacional do S11D, que atingiu a maior produção para um primeiro trimestre.
No Sistema Sudeste, a produção diminuiu 1,2 Mt, devido a uma manutenção corretiva de 49 dias na planta de Cauê, que impactou a produção de Itabira. Essa queda foi parcialmente compensada por um melhor desempenho em Fazendão, como resultado de melhorias implementadas na planta de processamento ao longo de 2024, e maiores compras de terceiros.
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No Sistema Sul, a produção foi 1,1 Mt menor, devido, principalmente, ao plano de priorizar a produção de produtos de maior margem em resposta às atuais condições de mercado.
A produção de pelotas, por sua vez, somou 7,183 Mt entre janeiro e março, o que representa uma baixa de 15,2% em base anual e de -21,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Já as vendas de minério de ferro subiram 3,6% nos primeiros três meses do ano na comparação com o mesmo período de 2024, mas uma diminuição de 18,5% na base trimestral, para 66,141 Mt.
As vendas dos finos de minério somaram 56,762 Mt, uma alta de 8,0% ano a ano, mas uma queda de 18,5% trimestre contra trimestre, enquanto as vendas de pelotas alcançaram 7,493 Mt, um avanço de 18,8% na comparação anual e de 25,6% em termos trimestrais.
Segundo a Vale, o aumento das vendas de minério foram suportadas pela comercialização de estoques avançados formados em trimestres anteriores, para compensar as restrições de embarque no Sistema Norte devido às chuvas.
A Vale é uma das companhias brasileiras que têm sentido mais de perto os efeitos da guerra comercial travada por Donald Trump, cujo foco é a China — uma das maiores compradoras de minério de ferro no mundo.
A commodity tem sentido os efeitos da troca de taxas entre as duas maiores economias do mundo, com preços despencando desde o início de abril — data do anúncio das tarifas recíprocas de Trump.
Mas antes da escalada da guerra comercial, no período entre janeiro e março, os preços praticados pela Vale já vinham recuando.
O relatório operacional da companhia, considerado uma espécie de prévia do balanço, mostrou que os preços dos finos de minério de ferro no período caíram 9,8%, para US$ 90,80 por tonelada. Na comparação trimestral, a baixa foi menor, de 2,4%.
Já os preços das pelotas de minério baixaram 18,1% na mesma comparação, para US$ 140,80. Em base trimestral, houve queda de 1,5%.
Em termos de comparação, na terça-feira (15), o contrato mais negociado do minério de ferro no mercado futuro da Dalian Commodity Exchange, para entrega em setembro de 2025, fechou em alta de 0,99%, cotado a US$ 97,49.
“Dadas as condições atuais de mercado, a Vale tem priorizado ofertar produtos de teor médio, como nossos produtos blendados (BRBF) e produtos concentrados na China (PFC1), visando maximizar a geração de valor do nosso portfólio”, afirma a Vale.
Mas não é só de minério de ferro que vive a Vale. O relatório de hoje mostrou que a produção de cobre da companhia totalizou 90,9 mil toneladas (kt) no primeiro trimestre de 2025, uma alta de 11,0% em base anual e uma queda de 10,7% na comparação com os três meses imediatamente anteriores.
As vendas de cobre subiram 6,6% ano a ano, mas caíram 17,3% em termos trimestrais, para 81,9kt, enquanto os preços alcançaram US$ 8.891 por tonelada, uma alta de 15,7% ano a ano, mas baixa de 3,2% trimestre contra trimestre.
A produção de níquel, por sua vez, aumentou 11,1% entre janeiro e março na comparação com o mesmo período do ano anterior, e foi 3,5% menor em base trimestral, totalizando 43,9kt.
As vendas de níquel totalizaram 38,9kt, o que representa uma alta de 17,5% em base anual e uma baixa de 17,4% na comparação trimestral. O preço alcançou US$ 16.106 por tonelada no período, queda de 4,4% ano a ano e de -0,4% trimestre contra trimestre.
A recomendação do BTG é de compra, com preço-alvo de R$ 40. “Do ponto de vista de valuation, a Azzas está sendo negociada a cerca de 7x P/L para 2026, um nível significativamente descontado em relação aos pares do setor”, afirma o banco
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