Telefônica (VIVT3) desaba na bolsa mesmo após lucro bilionário no 4T24. O que desagradou o mercado no balanço da dona da Vivo?
Companhia registrou lucro líquido de R$ 1,76 bilhão no quarto trimestre de 2024, uma alta de 10,1% em relação ao mesmo período de 2023; mesmo assim, é uma das maiores quedas do Ibovespa hoje

Quando se fala de resultados financeiros, o lucro não é tudo. Tem outros números, como fluxo de caixa, dívida e rentabilidade, que dizem muito mais sobre a real saúde da empresa. Um exemplo disso é a Telefônica Brasil (VIVT3). Embora o lucro da empresa de telecomunicações tenha aumentado em 10% no quarto trimestre de 2024, a ação da companhia opera entre as maiores quedas do Ibovespa nesta quarta-feira (26).
O papel da dona da Vivo abriu em baixa no pregão de hoje e aprofundou as perdas no começo desta tarde. Por volta das 14h20, VIVT3 caía 6,51%, a R$ 50,01.
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Os resultados da Telefônica no 4T24
A Telefônica registrou lucro líquido de R$ 1,76 bilhão no quarto trimestre de 2024, uma alta de 10,1% em relação ao mesmo período de 2023, dentro das expectativas do mercado.
Analistas, em média, esperavam lucro líquido de R$ 1,7 bilhão para a empresa de telecomunicações, segundo dados da LSEG.
O Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia subiu 7,8% ano a ano, para R$ 6,2 bilhões nos meses de outubro a dezembro, com margem Ebitda estável.
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Separadamente, a companhia anunciou um novo programa de recompra de ações, envolvendo até 34,7 milhões de papéis, com início na quarta-feira e término em 25 de fevereiro de 2026. O valor máximo a ser utilizado no programa é de R$ 1,75 bilhão.
Não é o que parece
Embora os números tenham vindo em linha com as expectativas, a qualidade real dos resultados foi inferior quando ajustados por eventos não recorrentes. É o que afirmam Carlos Sequeira, Osni Carfi, Guilherme Guttilla e Bruno Henriques, analistas do BTG.
O ajuste em questão foram os efeitos não recorrentes relacionados à reversão de provisões da migração da concessão.
No final do ano passado, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou o acordo entre a Anatel e a Telefônica para o fim da concessão do serviço público de telefonia fixo e a migração para uma autorização em regime privado.
Isso significa que a Telefônica deixará de operar sob o regime de concessão, que impõe diversas obrigações regulatórias, e passará a atuar no modelo de autorização, que oferece mais flexibilidade.
Para isso, a companhia precisará investir até R$ 4,5 bilhões ao longo dos próximos dez anos, como parte do acordo com os órgãos reguladores.
No último trimestre do ano passado, a Vivo reverteu R$ 792 milhões em provisões, dos quais R$ 386 milhões impactaram o Ebitda e R$ 406 milhões o resultado financeiro.
Sem esse efeito positivo, o lucro líquido teria ficado abaixo do esperado, e o Ebitda, que inicialmente parecia em linha, ficaria levemente abaixo da projeção, segundo BTG.
Além disso, a margem Ebitda, que foi reportada como estável em 42,5%, cairia para abaixo de 40% sem esses ajustes.
“O lucro líquido reportado foi de R$ 1,76 bilhão, 10% acima da nossa estimativa, mas um resultado inferior quando ajustado pelo impacto positivo mencionado”, dizem os analistas.
Já a receita de serviços móveis da companhia se manteve estável em comparação ao trimestre anterior — mas a expectativa do banco de investimentos era de crescimento.
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VIVT3 é boa pedida para alocação defensiva
Por outro lado, o BTG cita alguns pontos positivos, como os benefícios da migração da concessão, que podem gerar eficiência operacional e novas oportunidades de receita.
No entanto, o fluxo de caixa operacional da empresa no quarto trimestre ficou abaixo das projeções, e o Capex (investimento) veio um pouco acima do esperado.
“Para investidores que buscam ações mais defensivas, a Vivo é uma opção sólida, especialmente em um mercado mais fraco. O setor de telecomunicações oferece modelos de negócios estáveis, forte posicionamento competitivo, geração robusta de caixa e retornos expressivos para os acionistas”, dizem os analistas do BTG.
Por conta disso, o banco tem recomendação de compra para VIVT3, com preço-alvo de R$ 62, o equivalente a um potencial de alta de 18% sobre o fechamento anterior.
Os analistas, no entanto, destacam que a ação negocia com um prêmio em relação aos pares globais e à TIM (TIMS3), o que pode limitar um potencial de valorização expressivo. Segundo o BTG, a Telefônica negocia a 15 vezes o preço sobre o lucro (P/L) projetado para 2025.
*Com informações do Money Times
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