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Bruna Charifker Vogel

Bruna Charifker Vogel

Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo/USP e mestre em Estudos Latino Americanos e Caribenhos pela New York University/NYU, é redatora do Seu Dinheiro. Com mais de 15 anos de experiência em análise, fortalecimento e desenvolvimento de políticas públicas no Brasil e nos Estados Unidos, fez transição de carreira para o mercado financeiro, atuando nas áreas de comunicação interna, DEI, T&D, employer branding e cultura organizacional.

DENTRO DAS EXPECTATIVAS

Orçamento de Trump para 2026 propõe cortar mais de US$ 17 bilhões em energias renováveis e pesquisa climática

A proposta também impõe reduções severas em iniciativas ligadas à diversidade e inclusão, enquanto prevê aumento significativo nos investimentos em defesa e segurança interna.

Bruna Charifker Vogel
Bruna Charifker Vogel
5 de maio de 2025
13:27 - atualizado às 13:28
Donald Trump agenda climática
O presidente norte-americano Donald Trump. - Imagem: Divulgação Casa Branca

O governo de Donald Trump divulgou um esboço do orçamento federal para o ano fiscal de 2026 que prevê cortes profundos em áreas como energias renováveis, pesquisa climática e iniciativas de diversidade, equidade e inclusão (DEI). 

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O orçamento proposto por Trump na sexta-feira (2) cancela mais de US$ 15 bilhões (R$ 84,5 bilhões no câmbio atual) da Lei de Investimentos em Infraestrutura e Empregos (IIJA, na sigla em inglês) destinados ao que a Casa Branca chama de “Esquema Verde”: energias renováveis consideradas pouco confiáveis, remoção de dióxido de carbono do ar e outras tecnologias limpas. 

A proposta também prevê o cancelamento de US$ 5,7 bilhões adicionais da IIJA destinados ao Departamento de Transporte para programas de concessão de carregadores para veículos elétricos (EVs) em rodovias dos EUA.

Segundo o documento enviado ao Congresso, o orçamento para 2026 redireciona esses recursos do Departamento de Energia para pesquisa e desenvolvimento de tecnologias que possam gerar uma abundância de energia fóssil doméstica e minerais críticos.

Reduções em pesquisa climática e monitoramento ambiental

A proposta orçamentária de Trump também ameaça a base científica do combate às mudanças climáticas

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A Nasa, por exemplo, teria a verba para pesquisa em ciências da Terra drasticamente reduzida, com a eliminação do financiamento para satélites de monitoramento climático considerados de “baixa prioridade” e para a aviação "verde" com foco climático.

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O plano prevê ainda cortes expressivos na Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês) em programas de pesquisa e dados relacionados à agenda climática

De acordo com o texto enviado ao Congresso, “os programas de subsídios educacionais da agência têm financiado de forma consistente esforços para radicalizar estudantes contra o livre mercado e disseminar alarmismo ambiental”.

A Fundação Nacional da Ciência (NSF, na sigla em inglês) também seria impactada, com uma redução de 56% em seu orçamento, atingindo diretamente pesquisas sobre energia limpa e ciências ambientais.

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Além disso, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) perderia US$ 235 milhões em projetos voltados à justiça ambiental e estudos climáticos.

Eliminação de programas de diversidade, equidade e inclusão

O esboço do orçamento para 2026 também elimina completamente diversos programas ligados a diversidade, equidade e inclusão (DEI) desenvolvidos por agências federais e fundações científicas — inclusive no setor de saúde pública.

Entre os cortes estão:

  • Encerramento de quatro institutos dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) focados em saúde de minorias, pesquisas de enfermagem, saúde global e saúde integrativa;
  • Corte de US$ 3,4 bilhões para programas de pesquisa e educação da Fundação Nacional para a Ciência (NSF) voltados para clima, energia limpa e ciências sociais, comportamentais e econômicas consideradas de viés woke — termo usado pejorativamente pela extrema-direita americana.
  • Redução no financiamento de universidades historicamente negras, como a Howard University, que perderia US$ 64 milhões.

Orçamento em linha com a atual visão da Casa Branca

Os cortes propostos pelo governo Trump não são uma surpresa. Eles seguem sua lógica administrativa de deslegitimar políticas de energias renováveis, DEI e transição energética, associando-as a agendas woke e burocracia. 

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O novo orçamento aprofunda essa estratégia, eliminando ou enfraquecendo iniciativas ambientais, sociais e científicas que divergem da atual visão da Casa Branca.

Por outro lado, os principais investimentos para 2026 refletem claramente as prioridades políticas do governo: defesa e segurança interna

O orçamento propõe um aumento de 13% nos gastos com defesa, que chegariam a US$ 1 trilhão, além de um investimento de US$ 175 bilhões para reforçar a segurança nas fronteiras

Essas áreas são apresentadas por Trump como essenciais para garantir a soberania nacional e projetar força global, um dos principais pilares do seu slogan de campanha Make America great again (ou Maga que, na tradução livre, significa Torne os EUA grandes de novo). 

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“Durante décadas, a maior reclamação sobre o Orçamento Federal era o gasto excessivo e a burocracia inflada. Mas, nos últimos quatro anos, os gastos do governo passaram a se voltar agressivamente contra o povo americano, e trilhões de nossos dólares foram usados para financiar o marxismo cultural, esquemas verdes radicais e até mesmo a nossa própria invasão. Nenhuma agência foi poupada na revolução cultural financiada pelos contribuintes promovida pela esquerda”, disse Russ Vought, diretor do Escritório de Gestão e Orçamento.

“Neste momento crítico, precisamos de um orçamento histórico — um que encerre o financiamento do nosso declínio, coloque os americanos em primeiro lugar e ofereça um apoio sem precedentes às nossas forças armadas e à segurança interna. O orçamento do presidente faz exatamente isso”, acrescenta Vought.

A proposta ainda precisa passar pelo Congresso, que tem o poder de definir o orçamento final. 

*Com informações da CNN

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