Onde está a ‘mina de ouro’ da Weg (WEGE3)? Para o BTG, um país da América é a fronteira mais promissora para a empresa
Segundo o banco, investimentos em transformadores colocaram a companhia em posição estratégica para a crescente demanda energética

A fronteira de crescimento mais promissora da Weg (WEGE3) não está no Brasil. Para o BTG Pactual, a “mina de ouro” da fabricante de motores elétricos está nos Estados Unidos, já que os norte-americanos precisam “urgentemente” modernizar e expandir a infraestrutura de manufatura, após anos terceirizando esses serviços para outros países.
Esta falta de investimentos na última década fez com que os players locais entrassem em uma “corrida” para assegurar nova capacidade de geração de energia.
Para se ter uma noção: a rede de energia dos EUA está desatualizada, com 70% dos transformadores com mais de 25 anos. Esta capacidade doméstica limitada de gerar energia levou a uma forte dependência de importações, aumentando os riscos operacionais.
Somado a isso, há também uma forte demanda por investimentos em máquinas de transmissão e distribuição (T&D).
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Nesse contexto, os analistas consideram que a Weg está bem posicionada e fazem projeções otimistas: o mercado de transformadores norte-americano poderia adicionar 8% de potencial de valorização para a Weg tomando como base as projeções do BTG para 2030 — com espaço para mais crescimento ainda — e gerar cerca de US$ 2 bilhões em valor presente para a companhia.
“O mercado de transformadores nos Estados Unidos representa uma oportunidade clara e acessível para a Weg. Mesmo com o aumento da capacidade produtiva dos concorrentes, mantemos uma visão positiva para a companhia”, escrevem os analistas.
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Vale lembrar que, em 2020, durante o Investor Day da Weg, o setor de transformadores dos EUA era avaliado em US$ 4,2 bilhões anualmente.
Por que a demanda está aquecida para transformadores nos EUA
Existem diversos fatores que explicam a alta da demanda por transformadores nos Estados Unidos, que passam por temas e tendências como a transição energética e a inteligência artificial.
Primeiramente, embora a geração de energia tenha crescido nos últimos anos, ela ainda não acompanha a expansão populacional. Isso significa que, caso a tendência continue, em breve haverá uma lacuna de energia que, por consequência, vai exigir mais investimentos em infraestrutura.
Este investimento também reflete positivamente na demanda por transformadores, que são itens essenciais para garantir a estabilidade operacional das fábricas.
As novas tendências, voltadas para a mobilidade verde e para o uso de fontes renováveis, também impactam o setor e podem beneficiar a Weg.
“A transformação para mudança para energia renovável (principalmente solar e eólica) está impulsionando a necessidade de mais investimentos na distribuição de energia, já que, ao contrário do passado, quando a energia era gerada perto dos pontos de consumo, as fontes renováveis geralmente estão longe dos usuários finais”, explicam os analistas.
Os transformadores também são importantes para ajustar a tensão das redes, que agora devem suportar cada vez mais estações de carregamento para carros elétricos.
Da mesma forma, o uso crescente de data centers — especialmente para o desenvolvimento da inteligência artificial — deve impulsionar o investimento em equipamentos industriais.
Por fim, o BTG também cita que os eventos climáticos extremos também devem ser levados em consideração, já que representam uma ameaça à rede energética dos EUA e, consequentemente, às operações das empresas.
“Uma das maneiras óbvias de reduzir os riscos das operações contra essa volatilidade é ter transformadores com bom desempenho”, explicam os analistas.
Por que a Weg está bem posicionada para atender essa demanda
Uma das principais vantagens competitivas da Weg em relação aos players estadunidenses é o fato de que a companhia está fazendo investimentos para aumentar a capacidade de fabricação de transformadores desde o começo dos anos 2000.
Na visão do BTG, esta foi, inclusive, uma movimentação “exemplar” da parte dos executivos da companhia.
“Se eles não tivessem feito esse movimento naquela época, talvez não estivéssemos vendo a empresa tão bem posicionada para fornecer e lucrar com a infraestrutura de Transmissão & Distribuição para lidar com o crescimento secular do consumo de energia que temos pela frente”, escrevem.
Por outro lado, os concorrentes só começaram a se preocupar com essa questão no final de 2023. Nesse caso, tempo é dinheiro, já que os sistemas levam anos para se tornarem totalmente operacionais.
Ao mesmo tempo, a multinacional brasileira também não parou de fazer “upgrades”. No mesmo ano, a Weg anunciou mais um investimento de R$ 2,5 bilhões em transformadores.
Os analistas também consideram que “o ecossistema totalmente verticalizado da empresa a coloca em boa posição para se beneficiar do aumento contínuo na demanda por energia”, já que a companhia tem um portfólio completo, que contempla as várias etapas de produção dos transformadores.
Uma ‘pedra no caminho’? Como as tarifas de Trump podem impactar a Weg
Em meio a todo esse cenário aparentemente otimista para a Weg, é preciso abordar uma possível “pedra no caminho”: as tarifas de 25% à exportação de aço e alumínio, impostas pelo presidente Donald Trump.
O impacto dessas tarifas não será irrelevante para o Brasil. Atualmente, os EUA são o segundo maior mercado comprador de aço brasileiro, consumindo 60% de nossa produção siderúrgica, ficando atrás apenas do Canadá.
Como fica a Weg no meio disso? Em outro relatório, o BTG reforçou que vale a pena ter a ação na carteira neste momento, mesmo que a multinacional seja impactada por outras tarifas do republicano, como as impostas ao México e ao Canadá.
Segundo os analistas, essa taxação provavelmente levará a algumas estratégias de mitigação, incluindo o aumento da capacidade de produção nos EUA, que já está em andamento.
Veja a reportagem com a análise completa aqui.
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