Negociação nas alturas: Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4) estão em conversas avançadas para fusão. O que se sabe até agora e o que está em jogo?
Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4) estão para fechar um Memorando de Entendimentos, de acordo com Valor Econômico. Entenda os desafios e os impactos dessa possível fusão para o setor

Dias depois de fecharem um acordo bilionário para o perdão de dívidas financeiras com o governo brasileiro, é hora da Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4) passarem a negociar o acordo de fusão das companhias com mais afinco. Ao menos é isso que traz uma matéria do Valor Econômico publicada nesta quinta (9/01).
Segundo a reportagem, a Abra (holding que controla a Gol) e a Azul estão estruturando a assinatura de um memorando de entendimento (MOU, na sigla em inglês), nas próximas semanas, para tratar das negociações de uma eventual união dos negócios.
A ideia inicial seria criar uma corporation, companhia sem um grupo controlador definido, algo incomum no setor, mas que daria a possibilidade das marcas serem mantidas e usadas, como aconteceu com a união entre Avianca e Gol.
Outra possibilidade, segundo a reportagem, seria uma joint venture entre as aéreas — Gol e Azul já operam em modelo de “codeshare” (compartilhamento de assentos).
De qualquer forma, diversas condicionantes teriam de entrar no negócio, até pelo fato do possível acordo acontecer em meio à reestruturação da Gol nos Estados Unidos (“Chapter 11”) – que, aliás, pode ter sido o motivo do tal MOU ter tido sua assinatura postergada até agora.
A conclusão do “Chapter 11” da Gol está prevista para abril e a Abra é uma das maiores credoras da companhia aérea.
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Por volta das 13h, as ações da AZUL4 subiam 5,23%, negociadas a R$ 4,43, enquanto GOLL4 estava em R$ 1,71, alta de 10,32%.
Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4) juntas: sinergias e entraves do acordo
Mas o que uma possível fusão de duas companhias aéreas significa para o setor, consumidores e acionistas? E o que esperar de desafios pela frente?
O que se sabe é que a união criaria uma gigante responsável por cerca de 60% do mercado doméstico de aviação, um enlace que geraria vários desafios regulatórios e concorrenciais. Sem contar, claro, o peso e aumento da governança que seriam exigidos para a operação.
Para analistas do BTG, no entanto, o esforço seria bem se levado em conta que essa seria a única possibilidade para o caso das duas companhias estarem à beira de uma bancarrota.
“Com a Gol passando pelo Chapter 11 agora e a Azul ainda precisando de uma grande diluição de capital, esse argumento pode se tornar efetivo”, traz o relatório do banco.
Permitir um acordo como esse também funcionaria em diferentes níveis da combinação de negócios. Usar codeshares, por exemplo, pode ser uma maneira de garantir a aprovação. “Para efeito de comparação, temos outros mercados de companhias aéreas onde as empresas líderes têm >60% de participação, como no Chile, por exemplo, com a Latam”, apontam.
O BTG ainda aponta que os níveis de endividamento de ambas as empresas agora são muito fluidos, dada toda a diluição de capital já anunciada (e ainda programada para acontecer). Ainda assim, ambas as empresas estão fortemente alavancadas, e a recente deterioração do BRL adicionou pressão adicional.
Nesse sentido, mais recursos financeiros serão necessários para formar a empresa combinada.
“Mas o problema é que, juntas, elas têm uma chance maior de levantar capital (a nova companhia provavelmente se tornaria uma campeã nacional), pois os investidores têm uma visibilidade mais clara sobre a dinâmica do setor. Uma saída fácil é fazer um acordo de troca de ações (sob uma avaliação acordada), o que não gera dívida”, dizem os analistas.
Além da força maior para a conquista de mais recursos, Azul e Gol poderiam juntas ter sinergia suficiente para liderarem o mercado nacional de aviação. Principalmente por conta da complementaridade de destinos de uma com a outra.
Atualmente, a Gol foca sua operação mais em Congonhas (São Paulo), Santos Dumont (Rio de Janeiro e BRB (Brasília), aeroportos dos principais hubs corporativos do país, enquanto a Azul estende a maior parte de sua linha pelo interior do país.
Então, a combinação das rotas poderia criar ganhos de conectividade. “Além disso, há valor em expandir o programa de milhagem e criar ofertas combinadas para passageiros frequentes”, levanta ainda o documento do BTG.
A análise lembra ainda de outra vantagem competitiva com a possível união: as melhores condições para negociar termos de leasing. Isso porque a Gol voa exclusivamente com aeronaves Boeing, enquanto a Azul voa principalmente com Airbuses e ERJs.
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