Mercado Livre (MELI34) tem lucro abaixo das projeções no 2T25, mas Argentina segue puxando as vendas; confira os números
O lucro líquido da varejista online chegou a US$ 523 milhões entre abril e junho deste ano, uma queda de 1,5% frente ao mesmo período de 2025 e abaixo das expectativas

Acostumado a carregar expectativas elevadas a cada temporada de resultados, o Mercado Livre (MELI34) chegou ao segundo trimestre cercado de desconfiança — e, pelo visto, com motivos.
A companhia reportou um lucro líquido de US$ 523 milhões entre abril e junho deste ano, queda de 1,5% em relação ao mesmo período de 2024, com margem de 7,7%.
O número veio abaixo das projeções compiladas pela Bloomberg, que apontavam para um lucro líquido de US$ 612,471 milhões e confirmou suspeitas do mercado.
Analistas já alertavam sobre os possíveis impactos negativos dos altos investimentos que a empresa fez entre abril e junho nos resultados do trimestre — especialmente com a redução do valor mínimo para frete grátis no Brasil, de R$ 79 para R$ 19.
O Ebit (lucro antes de juros e impostos) atingiu um recorde de US$ 825 milhões, mas também ficou abaixo das estimativas, de US$869 milhões.
Após a divulgação dos seus resultados, as ações do Mercado Livre caíram mais de 6% nas negociações after hours (após o fechamento do mercado) em Nova York.
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A receita líquida, por sua vez, ficou em US$ 6,79 bilhões, um avanço de 34% na base anual, acima das projeções de mercado compiladas pela Bloomberg, de US$ 6,585 bilhões. Excluindo a volatilidade cambial, o avanço em relação ao mesmo intervalo de 2024 seria de 53%.
- A receita da operação no Brasil corresponde à metade da receita total do Mercado Livre, enquanto a receita das operações de Argentina e México têm de 20% a 25% do negócio cada.
O Volume Bruto de Mercadorias (GMV) chegou a US$ 15,3 bilhões neste segundo trimestre, aceleração de 21% ano a ano e 37% considerando câmbio neutro. A Argentina foi o principal motor desse avanço, como aconteceu no primeiro trimestre deste ano, com um crescimento de 75% no GMV, considerando o câmbio neutro.
Segundo a companhia, esse salto foi resultado de uma combinação de fatores, como a maior adoção de transações com parcelamento sem juros, mais financiamento de parcelas pela própria empresa, o lançamento do programa de fidelidade Meli+ e um avanço de 6 pontos percentuais na logística própria (fulfillment).
No Brasil, o GMV cresceu 29%, a menor alta entre os países que o Meli atua, perdendo para o México, que viu essa linha do balanço subir 32% no segundo trimestre.
A batalha do Mercado Livre contra o avanço da Shopee no Brasil
Em uma ofensiva contra a Shopee e outras plataformas de comércio online, o Mercado Livre lançou uma série de iniciativas no segundo trimestre: reduziu o valor para frete grátis de R$ 79 para R$ 19, fez campanhas de descontos — como a "10+9", com R$ 24 milhões em cupons — e diminuiu os custos de envio para vendedores em até 40%.
De acordo com o balanço publicado hoje, a mudança nas políticas de frete impulsionaram o número de itens vendidos no Brasil, que cresceu 31% ano a ano, ritmo mais rápido ano a ano desde meados de 2021.
No entanto, à Reuters, o diretor financeiro da companhia admitiu que isso pressionou as margens. Ele acrescentou que, embora isso possa gerar alguma pressão estrutural nas margens, a empresa está muito otimista em relação à sua trajetória de lucratividade a longo prazo.
O Mercado Pago
A carteira de crédito do Mercado Pago, a divisão de serviços financeiros da empresa, teve um crescimento de 91% em relação ao ano anterior, totalizando US$ 9,3 bilhões. Segundo o balanço a principal alavanca por trás disso foi o forte desempenho do cartão de crédito, que cresceu 118% em relação ao ano anterior e agora representa 43% do total da carteira.
A fintech também demonstrou uma alta de 30% no número de usuários ativos mensais, alcançando quase 68 milhões de clientes.
A companhia atribuiu essa aceleração às campanhas de marketing feitas entre abril e junho — como foi o caso da Anitta deixando o Nubank no passado e tornando-se garota propaganda do Mercado Pago. Cabe lembrar que o mercado também expressou preocupação sobre os altos investimentos em publicidade no trimestre.
Além disso, os ativos sob gestão mais que dobraram, chegando a US$ 13,8 bilhões na comparação anual.
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