Mais valor ao acionista: Oncoclínicas (ONCO3) dispara quase 20% na B3 em meio a recompra de ações
O programa de aquisição de papéis ONCO3 foi anunciado dias após um balanço aquém das expectativas no quarto trimestre de 2024

Depois de operar no vermelho após um balanço aquém das expectativas no quarto trimestre de 2024, a Oncoclínicas (ONCO3) agora protagoniza uma das maiores altas da bolsa brasileira na sessão desta segunda-feira (31).
Por volta das 15h, as ações ONCO3 entraram em leilão na B3 por oscilação máxima permitida, com ganhos de 19,15%, a R$ 6,47. Desde o início do ano, os papéis da empresa de saúde acumulam valorização de 181% na B3.
O desempenho robusto neste pregão vem na esteira do anúncio de um novo programa de recompra de ações.
Vale lembrar também que a Oncoclínicas possui um percentual relevante das ações em circulação no mercado (free float) alugadas, o que indica um percentual considerável de posições vendidas (short, que apostam na queda) na empresa e poderia representar uma volatilidade acentuada das ações na bolsa.
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Em paralelo, o mercado também repercute a notícia de que um dos principais acionistas da Oncoclínicas (ONCO3), o Banco Master, deve ser comprado pelo Banco de Brasília (BRB), em um negócio avaliado em R$ 2 bilhões.
Por que a Oncoclínicas (ONCO3) quer recomprar ações
Do lado da recompra da Oncoclínicas, a rede de tratamentos oncológicos pretende adquirir até 52 milhões de papéis, equivalente a cerca de 8,78% do total de ações ONCO3 atualmente em circulação no mercado.
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O programa teve início na última sexta-feira (28) e poderá ser estendido por 18 meses, até o dia 28 de setembro de 2026.
Existem diversos motivos que levam uma empresa como a Oncoclínicas (ONCO3) a aprovar um programa de recompras como esse. Entre eles, estão:
- A empresa acredita que suas ações estão baratas ou mal avaliadas pelo mercado;
- A companhia precisa distribuir ações aos executivos como bônus e não quer emitir novos papéis;
- Ela quer gerar valor ao acionista que continua em sua base, apesar da instabilidade do mercado.
No caso da Oncoclínicas, o objetivo é essencialmente maximizar a geração de valor para os investidores por meio de uma “administração eficiente da estrutura de capital”.
Vale lembrar que a recompra é justamente uma das maneiras que uma empresa pode escolher para dar retorno para o acionista, em uma espécie de “pagamento indireto de dividendos” aos investidores.
Afinal, caso a companhia opte por cancelar as ações recompradas, o acionista ganha por acabar com uma participação proporcionalmente na empresa maior após a operação — e consequentemente ter direito a uma fatia maior do lucro e dos proventos no futuro.
No entanto, a recompra de ações faz com que os papéis percam liquidez na bolsa, uma vez que menos ações são negociadas no mercado.
As ações adquiridas na recompra poderão ser usadas para manutenção em tesouraria, cancelamento, venda ou para cumprir com planos de incentivos outorgados de longo prazo da rede de tratamentos contra o câncer.
De acordo com a Oncoclínicas, as operações de recompra de ações serão financiadas pelo “montante global das reservas de capital”.
“A companhia possui reserva de capital em valor suficiente para a execução do programa de recompra”, afirmou, em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
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As finanças da Oncoclínicas (ONCO3)
Sob a ótica financeira, a Oncoclínicas (ONCO3) registrou um prejuízo líquido de R$ 759,2 milhões entre outubro e dezembro de 2024, revertendo o lucro de R$ 87 milhões apurado no mesmo período do ano anterior.
No acumulado do ano, as perdas somaram R$ 717,4 milhões, contra um lucro de R$ 312,6 milhões em 2023.
Segundo a empresa, bem como no trimestre anterior, o desempenho é reflexo da menor alavancagem operacional no trimestre, das despesas operacionais “pontualmente mais elevadas” e da maior alíquota efetiva de imposto de renda no trimestre.
Se desconsiderado o “efeito não caixa da apuração do valor justo do plano de incentivo de longo prazo (PILP)” e impairment referente ao ágio pago em aquisições passadas da Oncoclínicas, a companhia afirma que teria encerrado o trimestre com um lucro líquido de R$ 42,6 milhões, queda de 56,8% na base anual.
Além disso, após um breve alívio no terceiro trimestre, a Oncoclínicas retomou a queima de caixa no quarto trimestre de 2024. O fluxo de caixa livre foi negativo em R$ 1,5 milhão no período.
Enquanto isso, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, indicador usado para mensurar o potencial de geração de caixa de uma empresa, foi negativo em R$ 575,9 milhões, revertendo a cifra positiva de R$ 243,6 milhões registrada no mesmo trimestre de 2023.
Os custos dos serviços prestados caixa somaram R$ 1,1 bilhão, uma piora de 13,4% na comparação anual, passando a corresponder por 62,1% da receita bruta.
Já as despesas operacionais caixa encerraram o trimestre em R$ 280,7 milhões, crescimento de 20% frente ao 4T23, correspondente a 17,9% da receita líquida.
Um dos pontos positivos do balanço veio da redução do endividamento da companhia, tanto em termos sequenciais (-3,4% contra o 3T24) quanto anuais (-24,8% frente ao 4T23), para uma dívida líquida de R$ 3,2 milhões no fim do quarto trimestre.
Na avaliação de Rafael Ragazi, sócio e analista de ações da Nord Investimentos, a Oncoclínicas tem capacidade de crescer receita, mas dificuldade muito grande de converter o faturamento em lucro devido à alta lavancagem.
"Não enxergamos o resultado como algo que muda a nossa visão sobre a tese. Continuamos a ver uma relação de risco e retorno desfavorável, apesar das movimentações societárias que estão levando a ação a ter uma volatilidade", disse o analista.
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