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O cenário do e-commerce brasileiro parece uma disputa de mundial, com “seleções” da Argentina, EUA e Cingapura lutando pela “taça” — e todas de olho na entrada da China na competição

Enquanto a Amazon (AMZO34) e a Shopee (S2EA34) aceleram investimentos e estratégias no país, o Mercado Livre (MELI34) está respondendo de forma assertiva à intensificação da concorrência, adotando um plano claro de ataque e defesa para proteger sua liderança no setor de e-commerce.
Essa é a visão dos analistas do Itaú BBA, que seguem apostando na “seleção argentina” e recomendam a compra da ação do MELI, com preço-alvo para fim de 2025 de US$ 3.133.
De acordo com relatório recente do banco, a Amazon anunciou que o Brasil se tornou seu principal mercado estratégico de expansão global para 2025. A companhia pretende ampliar seu número de centros de distribuição de 10 para 12 até o fim do ano, dobrar a quantidade de itens vendidos no país e acelerar prazos de entrega, após ter investido US$ 1,6 bilhão — cerca de R$ 8,8 bilhões — nos últimos dois anos.
Além disso, segundo os analistas do banco, a gigante americana busca crescer em categorias estratégicas como vestuário, onde ainda é pouco relevante. Para isso, tem contratado agressivamente gerentes de relacionamento para atrair e gerenciar novos vendedores em diversos segmentos.
A Shopee, por sua vez, dobrou seu volume bruto de mercadorias (GMV) ano contra ano no 1º trimestre de 2025, alcançando US$ 11,6 bilhões (aproximadamente R$ 64 bilhões), e inaugurou um novo centro logístico em São Paulo.
Diante desse ambiente mais competitivo no e-commerce brasileiro, o Mercado Livre tem reforçado sua proposta de valor para compradores e vendedores, segundo analistas do Itaú.
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Para os consumidores, novas políticas de frete tornaram a plataforma mais competitiva em categorias de tíquete médio mais baixo, como beleza, casa e moda — áreas em que a Shopee vem ganhando espaço.
Já para os sellers, a gigante dos hermanos reduziu de forma significativa os custos logísticos, tornando-se mais atrativa para novos parceiros e fortalecendo seu ecossistema.
Segundo o Itaú, essas movimentações são medidas calculadas para preservar a participação de mercado, aumentar a frequência de compra e impulsionar o GMV da companhia. No entanto, a estratégia deve pressionar as margens de curto prazo.
O relatório destaca que o recente anúncio de subsídios de frete para sellers e compradores terá um impacto negativo estimado de US$ 330 milhões (em torno de R$ 1,8 bilhão) após impostos — cerca de 13% do lucro operacional projetado para 2025.
Além das ofensivas de Amazon e Shopee, o relatório do Itaú também chama atenção para a chegada oficial do TikTok Shop ao Brasil, o que deve aumentar ainda mais a disputa por audiência e participação de mercado.
A Amazon, por exemplo, vem ampliando seu sortimento, que já supera 150 milhões de itens, e contratando de forma agressiva profissionais para captação e gestão de sellers em categorias estratégicas como vestuário, onde ainda possui baixa representatividade.
Para o Itaú, o desempenho do Mercado Livre no Brasil dependerá diretamente da capacidade da companhia de reacelerar o crescimento do GMV em meio a esse ambiente competitivo.
Caso consiga manter sua base de sellers e consumidores engajada e ampliar o volume de vendas, a expectativa do banco é de que as ações do MELI reajam positivamente no mercado.
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