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A Superintendência-Geral do Cade emitiu parecer favorável à combinação de negócios das gigantes do mercado pet. O que esperar agora?
Após mais de um ano de espera, agora é oficial: a fusão entre Petz (PETZ3) e Cobasi foi aprovada — e sem a necessidade de remédios, vacinas ou qualquer prescrição do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
A Superintendência-Geral (SG) do Cade emitiu parecer favorável à combinação de negócios das gigantes do mercado pet na última segunda-feira (2) — em um acordo selado sem latido de advertência das autoridades antitruste do país.
A aprovação torna-se definitiva após 15 dias, caso não haja manifestação pelo Tribunal do Cade ou recursos por terceiros interessados — por exemplo, a concorrente Petlove.
Procurada pelo Seu Dinheiro, a Petlove afirmou que acredita que a análise concorrencial do Cade "deve ser aprofundada pelo Tribunal".
"Mesmo ao considerar que os pequenos pet shops de bairro são concorrentes das superstores de Petz e Cobasi (o que diverge do entendimento que vem sendo adotado pelo Cade em mercados de varejo com dinâmicas semelhantes), a SG identificou que a operação resulta em concentração elevada em 281 mercados no canal físico. No canal online, a concentração identificada pela SG também é preocupante, entre 40-50%, e seria ainda superior se fossem desconsiderados os marketplaces, que exercem pressão competitiva limitada para a Petz e a Cobasi. Confiamos que o Tribunal do Cade vai se aprofundar sobre essa operação, que impacta diretamente pequenos petshops, fornecedores, distribuidores e 74% das famílias brasileiras, que têm um pet em casa", escreveu a Petlove, em nota.
As ações da Petz operam em alta nesta terça-feira (3), apesar de terem arrefecido os ganhos ao longo do pregão. Por volta das 16h20, os papéis PETZ3 subiam 1,16%, cotados a R$ 4,35. Nas máximas do dia, chegaram a superar a marca de 7% em valorização.
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A Petz e a Cobasi anunciaram pela primeira vez os planos para uma combinação dos negócios em agosto de 2023, mas um acordo só foi selado em abril de 2024, após longas negociações entre as empresas.
O acordo prevê incorporação de ações da Petz por uma subsidiária detida integralmente pela Cobasi, resultando na criação “do maior e mais integrado ecossistema pet do Brasil”.
A companhia resultante da fusão nasce com uma receita líquida combinada de R$ 6,9 bilhões, Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 464 milhões e mais de 20 marcas próprias de produtos de higiene, alimentação e lifestyle animal.
A negociação entre a Petz e a Cobasi aguardava a aprovação antitruste para seguir. Nos meses que se passaram, os reguladores tiveram que avaliar se a junção das duas companhias não seria prejudicial ao mercado, com a possível criação de um monopólio.
Na época, o CEO da Petz, Sergio Zimmermann, afirmou que eventuais "remédios" do Cade e de outros reguladores poderiam surgir, mas não deveriam ser "amargos".
Mas a aprovação da fusão animal veio melhor que o esperado: o Cade aprovou a fusão sem quaisquer restrições após considerar que a transação não deve gerar riscos de concorrência relevantes.
Na leitura do Cade, a combinação de negócios entre a Petz e a Cobasi gera, sim, concentração relevante no segmento de comércio varejista de produtos para pets em algumas localidades.
Mas, apesar da operação, esses mercados apresentam facilidade de entrada, ampla diversidade e um grande número de concorrentes.
“Esse cenário reforça a avaliação de que as redes envolvidas na fusão não terão espaço para impor alterações negativas nas condições de mercado, como preços, oferta ou qualidade, sob risco de perderem espaço para os demais players do setor”, avaliou o Cade.
Além disso, o regulador afirma que a fusão “não ofereceria qualquer risco à concorrência” nos mercados de serviços veterinários, serviços estéticos de cuidados animais e no varejo de plantas, flores e animais vivos.
“A atuação das duas empresas não é significativa nesses mercados e a operação não muda essa condição”, disse o Cade.
Nos termos do negócio, os investidores da Petz passarão a deter 52,6% das ações de emissão da companhia combinada.
Por sua vez, os acionistas da Cobasi restarão titulares das demais ações da empresa resultante da fusão, representando 47,4% do capital social.
Dessa maneira, a relação de troca se dará da seguinte forma: os acionistas da Petz receberão 0,0090445 ação da Cobasi por cada papel PETZ3 por eles detidos na ocasião do fechamento da operação.
Na avaliação do BTG Pactual, porém, o sinal verde para a fusão não é motivo para comprar as ações do Petz.
Para os analistas, dado o contexto do mercado desafiador de animais de estimação, não é improvável que o acordo entre a Petz e a Cobasi possa levar à otimização de suas estruturas de custos e algum poder de barganha com os fornecedores.
Mas a "natureza altamente competitiva do mercado brasileiro, com o Mercado Livre e a Amazon aumentando seus esforços na categoria, pode impedir uma precificação mais eficiente".
Apesar da reação positiva com a aprovação do negócio, a Petz hoje é negociada a um múltiplo de 25 vezes o preço/lucro estimado para 2025 (excluindo a Cobasi).
Na visão do BTG, esse valuation é elevado, dado o cenário macroeconômico e competitivo desafiador. Isso sustenta a recomendação neutra do banco para as ações PETZ3.
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