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FOCO NA INADIMPLÊNCIA

Com o agro em crise, Banco do Brasil (BBAS3) dá início à renegociação de dívidas rurais

Nova linha BB Regulariza Agro permite renegociar dívidas de produtores afetados por perdas de safra em meio a pressão da inadimplência no agro sobre o balanço do banco estatal

Ação do Banco do Brasil (BBAS3) como urso na bolsa
Imagem: Montagem Canva Pro/ Seu Dinheiro

O agro tem sido uma bela fonte de dor de cabeça para o Banco do Brasil (BBAS3) e, nesta terça-feira (21), a instituição parece ter começado a tomar o remédio anunciado no começo do mês passado pelo governo federal.

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O banco começou a contratação de operações com base na Medida Provisória 1314, que prevê condições especiais para a renegociação de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos.

O Banco do Brasil lançou a linha BB Regulariza Agro, voltada a produtores rurais que enfrentam dificuldades financeiras após perdas de safra. A nova modalidade permite liquidar, amortizar ou alongar dívidas de custeio, investimento e Cédulas de Produto Rural (CPRs), inclusive aquelas já renegociadas ou ainda em dia.

O programa utiliza recursos livres do banco e tem como foco regiões afetadas por eventos climáticos adversos, que levaram ao aumento do endividamento no Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR).

Produtores rurais — sejam eles pessoas físicas ou jurídicas - e cooperativas agropecuárias já podem procurar as unidades de atendimento do BB para viabilizar a contratação de operação. 

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O valor a ser regularizado será definido conforme a necessidade e situação de cada cliente. O prazo pode chegar a até nove anos, incluído aí até um ano de carência.  

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“São condições que trazem alívio no fluxo de caixa e previsibilidade financeira para o produtor rural, seja ele um agricultor familiar, médio ou grande produtor”, afirma Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do BB.

O impacto do mau momento do agro no Banco do Brasil 

Há algum tempo, o BB tem sido prejudicado pelo aumento da inadimplência na carteira de agronegócio, com pequenos e médios produtores da agropecuária registrando problemas com suas produções nos últimos meses. 

Dificuldades com efeitos climáticos têm levado a perdas de plantações. Além disso, aumento de custos com fertilizantes e ração para o gado também são causas de preocupações.

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O agro é responsável por quase um terço do portfólio do Banco do Brasil, e a inadimplência do setor no banco está maior que a de seus pares, tanto em números absolutos quanto na proporção da carteira.

Tanto é que os últimos dois resultados do BB foram duramente afetados por isso, com o agravante da entrada em vigor da resolução 4.966 do Banco Central, que começou a valer em janeiro. Espelhada em padrões internacionais, essa resolução requer dos bancos uma abordagem mais preventiva e proativa contra calotes.

No Banco do Brasil, isso teve impacto porque muitos clientes entraram em recuperação judicial mesmo sem atrasar pagamentos, o que forçou o banco a provisionar mais de forma imediata. Nessas situações, a operação “pula” direto do estágio 1 (risco leve) para o estágio 3 (risco severo).

Entenda mais detalhes nesta reportagem do Seu Dinheiro. 

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Assim, o pacote do governo pode ser um alívio para o banco estatal, que ainda prevê impactos negativos do agro nos próximos balanços.

Veja também - A nova resolução do BC que custou ao Banco do Brasil (BBAS3) quase R$ 1 bilhão:

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