Mais uma dor de cabeça: Cade barra participação da EMS nas decisões da rival Hypera (HYPE3)
A EMS é negada de participar na eleição de novo conselho da rival após ter oferta de aquisição recusada e considerada hostil pela Hypera

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) barrou a EMS de participar das decisões da farmacêutica rival Hypera (HYPE3), após petição da EMS alegando ser um simples investidor passivo na empresa concorrente.
A tese da gigante farmacêutica, além de ser negada, instigou o órgão de defesa da concorrência a causar uma nova dor de cabeça para os envolvidos, solicitando mais informações para análise aprofundada sobre o caso.
A Hypera, segundo o Brazil Journal, afirmou que o movimento era uma estratégia da EMS para obter a aprovação do Cade para exercer poder político, votando em nomes ligados à própria EMS, como Lírio Parisotto, um dos maiores investidores pessoa física da bolsa brasileira e amigo de Carlos Sanchez, dono da farmacêutica, que possui 6% do capital da Hypera.
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A EMS e Parisotto já têm juntos cerca de 9% da Hypera, segundo uma fonte a par do assunto ouvida pelo Brazil Journal.
O Cade agora solicita informações a respeito da oferta hostil feita pela EMS à Hypera em outubro, dados sobre outras operações na bolsa com ações da companhia e informações sobre a participação conjunta de mercado de EMS e Hypera nos cinco anos anteriores à oferta.
A decisão do Cade acontece semanas antes da eleição do novo conselho administrativo da Hypera, que tem assembleia marcada para o dia 25 de abril.
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Segundo informações do Valor Econômico, o fundo LPar, de Parisotto, detém 4% da Hypera e indicou dois nomes, além do dele, para o conselho da companhia: Marcelo Gasparino e Rachel Maia. Sem os votos da EMS, o empresário provavelmente não terá condições de se eleger com o voto múltiplo.
Atualmente, a Hypera é liderada pelo fundador João Alves de Queiroz Filho, com 53% do capital da empresa, que inclui seus sócios mexicanos da Maiorem e a Votorantim.
Dor de cabeça da EMS com Hypera é história antiga
Em outubro de 2024, a EMS fez uma proposta de fusão com a Hypera, o que criaria a maior companhia farmacêutica do Brasil, com R$ 16 bilhões de receita e 17% do mercado brasileiro.
A Hypera (HYPE3) ficou nos holofotes do mercado financeiro até lançar um balde de água fria sobre as ambições da EMS, quando decidiu não aceitar os termos propostos pela farmacêutica de Sanchez.
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Três foram os motivos que levaram à rejeição da proposta:
- A Hypera considerou que o portfólio de produtos da EMS, focado principalmente em medicamentos genéricos, não está alinhado com os segmentos que a empresa avalia como estratégicos. Vale dizer que a farmacêutica é dona de marcas como Engov, Merthiolate e Benegrip;
- A companhia e a EMS têm uma cultura organizacional e práticas de governança corporativa bastante distintas, sendo a Hypera uma companhia aberta desde 2008, com substancial dispersão acionária, e a EMS uma empresa familiar de capital fechado;
- A EMS fez uma avaliação que “subestima significativamente” o valor da Hypera. De acordo com o Trademap, o valor de mercado da Hypera é da ordem de R$ 17,27 bilhões, levando em conta o fechamento da última quarta-feira (23).
*Com informações do Valor Econômico e Brazil Journal
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