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Em termos de rentabilidade, o banco também não surpreendeu, com um retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) de 14,7% no trimestre; veja os destaques do balanço

O Bradesco (BBDC4) já tinha prometido balanços sem grandes emoções nos últimos meses, e foi exatamente isso que ele entregou nesta noite. O banco encerrou o terceiro trimestre de 2025 com um lucro líquido recorrente de R$ 6,2 bilhões, um avanço de 18,8% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 2,3% contra o trimestre passado.
O resultado veio dentro do esperado pelo mercado, que previa um lucro médio de R$ 6,184 bilhões para o período, de acordo com estimativas compiladas pela Bloomberg.
Do lado da rentabilidade, o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE, na sigla em inglês) do Bradesco encerrou o trimestre a 14,7%, também em linha com as expectativas, de 14,8%.
A cifra representa alta de 0,1 ponto percentual (p.p) no trimestre e de 2,3 p.p na comparação anual. Apesar da melhora sequencial, a rentabilidade ainda ficou aquém de pares privados como o Santander (SANB11), que entregou um ROE de 17,5% no trimestre.
“Mantemos o nosso compromisso em continuar elevando o nosso lucro nos próximos trimestres, step by step. A consistência da execução do nosso plano de transformação é fundamental. Preservamos tração comercial mesmo com a economia desacelerando”, disse Marcelo Noronha, CEO do Bradesco, em nota à imprensa.
Há alguns trimestres, o Bradesco decidiu adotar uma postura mais cautelosa na concessão de crédito, com foco maior em empréstimos garantidos e em segmentos de alta renda. Isso desacelerou um pouco o ritmo do crescimento do portfólio do banco.
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Em números, a carteira de crédito ampliada cresceu 9,6% na comparação com o mesmo período de 2024 e 1,6% frente ao trimestre anterior, para R$ 1,03 trilhão.
O crescimento foi puxado pelo segmento de Pessoa Física (PF), que subiu 13,8% ano a ano, com destaque para o avanço nas linhas de crédito consignado, crédito rural e cartão de crédito para alta renda.
Mas a carteira de Pessoa Jurídica (PJ) também contribuiu no trimestre, com expansão de 6,5% no portfólio no mesmo período, especialmente pela divisão de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs).
O banco também conseguiu manter os níveis de inadimplência (NPLs) sob controle no terceiro trimestre. Nas palavras do CEO, a qualidade dos ativos é "inegociável, cláusula pétrea”, e o Bradesco pretende seguir com cautela daqui para frente.
O índice de devedores acima de 90 dias permaneceu estável em relação ao último trimestre, com leve queda de 0,1 ponto porcentual em comparação a 2024, totalizando 4,1%.
Um ponto de atenção foi a exposição ao banco John Deere e à sua carteira do agronegócio, que segue sob pressão. Segundo o Bradesco, o aumento da inadimplência na pessoa física está relacionado substancialmente à consolidação do banco, que tem maior nível de atraso nas operações, dadas as garantias e ciclo específico de recuperação. Se desconsiderado esse efeito, o índice total de inadimplência teria caído 0,1 p.p. no trimestre.
Além disso, as provisões para devedores duvidosos (PDD) aumentaram 20,1% na comparação anual e 5,1% em relação ao trimestre anterior, totalizando R$ 8,56 bilhões em perdas previstas no crédito do trimestre.
O Bradesco atribui o aumento das despesas com PDD no trimestre principalmente a "operações específicas do segmento atacado".
O custo de crédito também subiu ligeiramente no trimestre, de 3,2% no fim de junho para 3,3% ao final de setembro, reflexo do reforço de provisão para casos específicos do atacado e Banco John Deere, segundo o banco.
A margem financeira, que considera a receita com crédito menos os custos de captação, alcançou R$ 18,7 bilhões no terceiro trimestre, um avanço de 13,1% em relação ao mesmo período de 2024 e de 3,7% frente ao trimestre anterior.
A margem com clientes apresentou um aumento de 19% na comparação anual e de 4,8% na base trimestral, somando R$ 18,6 bilhões. O indicador foi impulsionado pelo maior volume de crédito, o aumento da margem com passivos, a melhoria no mix e pelo efeito calendário no período, segundo o banco.
Já a margem financeira com o mercado, indicador que reflete a remuneração do banco nas operações de tesouraria, caiu 72,8% em comparação ao terceiro trimestre de 2024 e 65,6% na base trimestral, totalizando R$ 99 milhões.
O Bradesco afirma que essa pressão foi resultado especialmente das movimentações de gestão de ativos e passivos (ALM), dentro do esperado pelo banco.
As receitas do Bradesco com tarifas e prestação de serviços subiram 6,9% no período em relação ao ano passado, a R$ 10,59 bilhões. Para este trimestre, o banco destaca as performances das receitas de consórcios, cartões, operações de crédito e administração de fundos.
Enquanto isso, as despesas operacionais cresceram 9,6% no comparativo anual, encerrando o terceiro trimestre em R$ 16,48 bilhões. De acordo com o Bradesco, o ritmo de crescimento dos gastos é reflexo dos investimentos realizados no banco, além do aumento da participação na Cielo e da aquisição do Banco John Deere.
Junto ao balanço do terceiro trimestre, o CEO do Bradesco já trouxe uma promessa de ano novo aos investidores: “Repetiremos em 2026 o montante investido em 2025."
Noronha afirma que sabe que a rentabilidade do banco poderia aumentar mais rápido se a instituição cortasse investimentos, mas a decisão final foi a de "privilegiar a competitividade de longo prazo”.
"Contratamos milhares de profissionais para tecnologia desde o início do plano, preservando consultores e acelerando a transformação. Estamos ganhando produtividade, mas ainda investindo pesado. Os ganhos de eficiência ficarão mais claros a cada exercício”, disse o executivo.
Segundo o presidente, o Bradesco já está um passo à frente do cronograma de transformação em várias iniciativas, com um processo de reestruturação baseado em evoluções no crédito, tecnologia e modo de servir. "A cada ano teremos um banco mais competitivo”, acrescentou Noronha.
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