As três ações brasileiras “à prova de Trump”? As empresas que podem se salvar em meio ao desespero global, segundo o BofA
Diante do pandemônio que as tarifas de Trump causaram nos mercados, o BofA separou quais seriam as ações que funcionariam como “porto seguro”

Desde o “Dia da Libertação”, quando Donald Trump finalmente anunciou as tarifas adicionais para os parceiros comerciais dos EUA, tem sido um verdadeiro pandemônio nos mercados globais.
Diante desse caos, o que os investidores querem agora é uma tábua de salvação. Quem está melhor posicionado para atravessar esse momento de desespero global? O Bank of America (BofA) fez uma lista com as ações com menos chances de serem negativamente afetadas no longo prazo — e três brasileiras aparecem nela.
São elas: Banco do Brasil (BBAS3), B3 (B3SA3) e BB Seguridade (BBSE3).
Ações à prova de Trump?
Com as tarifas de Trump, o Ibovespa já acumula queda de 3,59% nos últimos cinco dias até o fechamento do pregão de segunda-feira (07). Em Nova York, o Nasdaq e o S&P 500 têm perdas na casa dos 9%; já o Dow Jones cai impressionantes 10% no mesmo intervalo.
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Na Europa, o Stoxx 600, índice com as principais empresas listadas em 17 países do bloco, também se desvalorizou quase 10%.
Na Ásia, o Heng Seng, o principal índice de ações de Hong Kong, caiu mais de 13% nos últimos cinco dias, e o Nikkei teve perdas que se aproximam dos 8% — e chegou a ter que acionar o circuit breaker no pregão de segunda graças a uma desvalorização que ultrapassou os 8% no dia.
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Nesse banho de sangue, os analistas do BofA destacam que as ações de exportadoras têm sido as mais penalizadas pelo tarifaço no mundo inteiro. “As tarifas dos EUA parecem ser um dos principais diferenciadores no desempenho das ações até o momento”, escrevem os analistas em relatório.
Assim, o banco fez uma triagem global de ações com base em características que podem proteger as empresas do impacto negativo das tarifas dos EUA, levando em consideração apenas empresas grandes e líquidas — com valor de mercado superior a US$ 10 bilhões e volume diário médio de negociações superior a US$ 10 milhões.
De acordo com os critérios estabelecidos pelo banco, os setores mais protegidos das tarifas seriam os de bancos, seguradoras e energia. Veja o ranking:
- Bancos;
- Seguros;
- Energia;
- Imobiliário;
- Consumo e bens de consumo;
- Indústria;
- Telecomunicações;
- Saúde;
- Utilities.
De acordo com o relatório, estariam mais seguras as empresas que possuem:
- Nenhuma exposição à receita dos Estados Unidos;
- Sensibilidade negativa ao dólar: Essas empresas tendem a se beneficiar quando a divisa norte-americana está em queda;
- Sensibilidade abaixo da média ao Índice Global de Revisão de Lucros: Empresas com sensibilidade abaixo da média a ele são menos afetadas por revisões negativas nos lucros globais — o que pode indicar que elas têm uma performance mais estável, mesmo quando o ciclo global de lucros está em desaceleração;
- Uma classificação de Qualidade acima da média estabelecida pela análise (Quality Rank acima de 50): A "Qualidade" das empresas é avaliada com base em métricas financeiras, como rentabilidade, estabilidade de lucros e gestão de caixa;
- Classificação de Notícias acima da média (News Rank > 50): Reflete a quantidade e o tom das notícias relacionadas à empresa, sendo uma medida de como a empresa é percebida na mídia e entre os investidores.
Banco do Brasil (BBAS3), B3 (B3SA3) e BB Seguridade (BBSE3)
O Banco do Brasil se destaca por sua baixa exposição às receitas geradas nos Estados Unidos, o que torna suas operações menos suscetíveis aos impactos das tarifas comerciais impostas pelos EUA.
Embora tenha alguma exposição ao dólar devido às suas operações internacionais, a instituição pode apresentar uma sensibilidade negativa à moeda americana em certos cenários econômicos, como quando a depreciação do dólar favorece suas operações.
Além disso, o Banco do Brasil é reconhecido pela sua sólida qualidade financeira, com alta estabilidade e uma gestão de riscos eficiente, o que o posiciona como uma empresa resiliente frente a desafios econômicos.
Quanto à bolsa brasileira, uma possível desaceleração da economia norte-americana e enfraquecimento do dólar poderiam trazer fluxo de capital para países emergentes, como o Brasil — que, inclusive, recebeu a tarifação mínima dos EUA.
Já a BB Seguridade se destaca por concentrar suas operações no mercado brasileiro, com pouca ou nenhuma receita proveniente dos Estados Unidos de Trump. Isso a torna menos vulnerável às tarifas comerciais impostas pelo governo norte-americano.
E, embora a empresa possa ser afetada por variações cambiais, especialmente devido a investimentos e operações no exterior, sua sensibilidade ao dólar é relativamente controlada, o que ajuda a mitigar riscos associados a flutuações cambiais.
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