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Mais de 250 bilhões de moedas de um centavo continuam em circulação, mas governo decidiu extinguir a fabricação do penny

O tradicional centavo de dólar, o penny, já respirava por aparelhos desde fevereiro deste ano, quando o presidente americano Donald Trump decretou o fim da produção da moeda. Agora, chegou a hora do adeus definitivo, aos 232 anos.
Os suspiros finais foram dados na quarta-feira (12), após o Tesouro dos Estados Unidos cunhar as últimas moedas.
Embora não consiga mais comprar nem uma bala, a moeda de um centavo de dólar carrega histórias e superstições populares no imaginário americano.
Um exemplo disso é o ditado “find a penny, pick it up, and all day you’ll have good luck”. Em bom português, ele diz que encontrar a moeda traz sorte ao longo do dia.
Mas há ressalvas: o penny tem que estar com a imagem de Abraham Lincoln –16º presidente dos EUA e face da moeda desde 1909 – para cima. Se estiver com o verso aparecendo, é sinal de azar e o melhor a se fazer é deixar a moeda no chão.
Outra superstição é colocar o centavo de dólar no sapato da noiva durante o casamento. Segundo a crença, a moeda traz prosperidade para a vida do casal.
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O centavo é quase um personagem da vida cotidiana americana. Ele está em potes nos caixas do supermercado, campanhas de doações, porta-copos de carros e cofrinhos em casa. Porém, a utilidade da moeda parece não passar disso.
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A moeda de um centavo de dólar foi criada em 1793 pelo primeiro secretário do Tesouro, Alexander Hamilton, e foi relevante por séculos da história dos EUA, mas ao longo do tempo perdeu sua função.
Os principais motivos para o fim da produção do penny são o custo elevado para fabricar a moeda, além da irrelevância no dia a dia. Afinal, é praticamente impossível encontrar algo para comprar com um centavo. E só para produzi-la, os Estados Unidos têm que desembolsar quase quatro centavos por unidade, o quádruplo do que ela vale.
As moedas de um centavo são as mais populares cunhadas pela Casa da Moeda dos EUA, que relatou ter produzido 3,2 bilhões delas no ano passado. Isso constitui mais da metade de todas as novas moedas fabricadas em 2024.
Com a “eutanásia” do penny, a expectativa do governo americano é de que haja uma economia anual de US$ 56 milhões – cerca de R$ 296 milhões na cotação atual.
O fim do centavo de dólar foi gradual. Outras autoridades já sugeriram acabar com o penny nas últimas décadas.
Em 2001 e 2006, o então deputado Jim Kolbe apresentou dois planos para tornar a moeda obsoleta. Nenhum deles foi para frente. A discussão também esteve presente durante o mandato do ex-presidente Barack Obama, que considerava aposentar a moeda.
Porém, o debate se arrastou e Donald Trump decidiu pôr fim de vez à produção do penny neste ano. O presidente assinou o decreto no dia 9 de fevereiro e fez uma publicação nas redes sociais sobre a decisão, reforçando o corte de gastos do governo:
“Vamos acabar com o desperdício do orçamento de nossa grande nação, mesmo que seja um centavo de cada vez”, escreveu no início do ano.
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Ainda que as moedas de um centavo tenham parado de ser produzidas, elas devem continuar em circulação na economia. Todas juntas, elas ainda valem uma fortuna.
Segundo estimativas do governo americano, existem 250 bilhões de centavos dólar em circulação, ou US$ 2,5 bilhões.
No entanto, a tendência com o tempo é que elas se tornem mais raras, mas ainda existirão e serão aceitas como método de pagamento.
Além disso, as últimas cinco moedas cunhadas nesta semana não entrarão em circulação na economia.
Elas possuem uma marca de registro especial e o objetivo do Tesouro americano é leiloá-las no futuro para colecionadores. A estimativa de especialistas da numismática é de que esses centavos finais sejam leiloados por milhares – ou até milhões – de dólares.
Mesmo com o fim de uma era, a extinção da moeda de um centavo não é uma grande novidade no cenário global. Vários outros países já implementaram a mesma medida, como é o caso do Brasil, Canadá, Austrália e Argentina.
Agora, o foco dos Estados Unidos se volta para a moeda de cinco centavos, o nickel. Ela é ainda mais cara para ser produzida, no valor de 14 centavos por unidade. Terá ela o mesmo destino do penny?
Com informações de Folha de S.Paulo, NBC News e Philadelphia Magazine.
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