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MORDIDA DO LEÃO

O que diz o projeto do devedor contumaz de impostos que tramita no Congresso? Entenda ponto a ponto

O objetivo da Receita Federal é punir empresários que abrem empresas apenas com o intuito de não pagar impostos

Desdobramento das operações Boyle e Carbono Oculto, a nova ofensiva da Receita Federal mira a rota clandestina do metanol. Imagem: Divulgação Polícia Federal
Desdobramento das operações Boyle e Carbono Oculto, a nova ofensiva da Receita Federal mira a rota clandestina do metanol. Imagem: Divulgação Polícia Federal -

A Receita Federal quer apertar a mordida do leão. Há oito anos no Congresso Nacional, o projeto para punir os chamados devedores contumazes ganhou apelo e apoio após a Operação Carbono Oculto, que investiga um esquema bilionário de sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis e em fintechs ligadas a facções criminosas.

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A proposta é fechar o cerco aos contribuintes que deixam de pagar impostos de forma repetida, deliberada e intencional. O projeto cria parâmetros objetivos para classificar essas empresas e estabelece punições, como a proibição de participar de licitações, manter vínculos com a administração pública e entrar em recuperação judicial.

Aprovado no Senado, o texto agora tramita na Câmara. Veja o que diz o projeto:

Quem é devedor contumaz?

Empresas que deixam de pagar impostos de maneira "substancial, reiterada e injustificada" aos fiscos estaduais e à Receita Federal.

Como é o enquadramento?

O projeto cria parâmetros objetivos para a classificação: empresas com dívida tributária superior a R$ 15 milhões (no âmbito federal) e maior do que o seu patrimônio, mantida sem qualquer tentativa de repactuação por quatro meses seguidos ou por mais de seis meses

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Quem não será enquadrado?

Empresas que tenham aderido a programas de regularização ou estiverem questionando a dívida na esfera administrativa ou judicial, desde que apresentem garantias ou estejam amparadas em teses de repercussão geral.

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Também ficam de fora empresas que tenham se endividado em razão de calamidades públicas ou que tenham apurado resultados negativos nos últimos anos, sem indícios de fraude ou de má fé (como a distribuição de dividendos).

Qual é a punição?

A Receita tem que notificar a empresa 30 dias antes do enquadramento. As empresas devedoras contumazes terão os CNPJs baixados e os seus nomes divulgados pelo fisco em uma lista.

Elas serão proibidas de participar de licitações ou manter vínculos com a administração pública; não poderão entrar em recuperação judicial e, caso seja aberto processo penal contra os sócios em razão da dívida tributária, eles não poderão pedir o perdão pagando o valor atrasado.

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Caso um dos sócios tente abrir outro CNPJ, a nova empresa também será enquadrada como devedora contumaz por força de um tratamento legal chamado de "partes relacionadas".

Qual é o objetivo da Receita?

Os argumentos apresentados na defesa do projeto pela Receita Federal são punir empresários que abrem empresas apenas com o intuito de não pagar impostos.

A maioria das empresas mapeadas pelo fisco com esse conjunto de características duram pouco tempo (cerca de um ano), não têm patrimônio e são geralmente usadas como instrumentos para sonegar ou para cometer ilícitos, como lavar dinheiro do crime ou manter sócios ocultos.

Dessa forma, o fisco alega que a iniciativa ajudará a combater o crime organizado e, em termos mercadológicos, afasta competidores que concorram em patamares desiguais com os demais.

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O que mais tem no projeto do devedor contumaz?

Além do devedor contumaz, o projeto de lei complementar 125/22 cria programas para bons pagadores de impostos, o Confia e o Sintonia. O primeiro é de adesão voluntária, voltado para empresas maiores, com estruturas tributárias próprias.

O segundo é automático, para empresas que tenham boas práticas no pagamento de impostos. Como prêmio, as empresas participantes poderão obter redução da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de até três pontos porcentuais.

Haddad diz que projeto é essencial

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta quinta-feira, 27, que é preciso aprovar o projeto contra devedores contumazes na Câmara para continuar o trabalho da Pasta contra o crime organizado.

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Em falou a jornalistas sobre a nova operação da Receita Federal e autoridades de segurança contra esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo combustíveis, ele afirmou que levará aos Estados Unidos a informação de que há fundos de lá sendo usados para o crime e que há armas norte-americanas vindo para o Brasil.

"Nós vamos, em primeiro lugar, fazer chegar a informação de como os fundos lá nos Estados Unidos estão sendo utilizados para lavagem de dinheiro e simulação de investimentos estrangeiros no Brasil. É disso que se trata, uma simulação de investimentos estrangeiros", declarou Haddad.

Segundo ele, a ideia é fazer com a segurança pública o mesmo que foi feito com a Reforma Tributária. Porque, sem asfixiar financeiramente crime, há reposição de mão de obra barata na base.

Ele disse ainda que fala sempre que pode com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre a importância de se votar o projeto do devedor contumaz.

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"Então é fundamental para nós prosperarmos com esse projeto. Então, se conseguimos sancioná-lo este ano, vamos entrar no ano que vem ainda mais fortes em relação a esse tema", disse o ministro.

Haddad também citou lei Antifacção e Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da segurança pública como prioridades do governo no Congresso no âmbito da segurança.

A operação, batizada de Poço Lobato, teve cumprimento de mandatos em 5 estados. São 126 mandatos de busca e apreensão, sendo que a movimentação do grupo econômico no último ano é de R$ 70 bilhões.

"São pessoas que devem uma fortuna para os fiscos de todo o país. Estamos falando em R$ 26 bilhões não recolhidos" afirmou o ministro.

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Ele declarou ainda que a Petrobras está ajudando o governo a sanear o setor de combustíveis do crime organizado. E que já foi feita a apreensão de 250 milhões de litros de combustível, já depositados na estatal. "Esse grupo econômico deixou de pagar aos cofres estaduais do Rio de Janeiro é suficiente para custear um ano a polícia, toda a polícia", completou.

Com Estadão Conteúdo

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