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NEM 8, NEM 80

Na ponta do lápis: estrago do tarifaço de Trump contra o Brasil é bem menor do que se esperava

Medida vai sair do papel, mas quase dois terços das exportações brasileiras escaparam das “garras” do presidente dos Estados Unidos

Trump em evento na Casa Branca
Imagem: Divulgação Casa Branca

Donald Trump voltou a fazer barulho. Com um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, o presidente dos Estados Unidos parecia pronto para iniciar uma guerra comercial em larga escala contra o Brasil. Mas um olhar mais atento revela um movimento seletivo e até, digamos, contido.

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Segundo estimativas do diplomata Geraldo Pastore, quase dois terços das exportações brasileiras aos EUA ficaram de fora da lista do tarifaço anunciada pelo republicano. Ou seja: Trump latiu alto, mas — ao menos por enquanto — mordeu menos do que o esperado.

O levantamento mais recente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) confirma o alívio. De acordo com os dados, 64,1% das exportações brasileiras para os Estados Unidos seguirão com tarifas inalteradas ou já conhecidas.

Esse percentual combina dois grupos: os 44,6% de produtos contemplados pela lista de exceções, com sobretaxa limitada a até 10%, e os 19,5% que já vinham pagando tarifas específicas, aplicadas globalmente sob o argumento de segurança nacional.

Ou seja, apesar da retórica agressiva e do número redondo — a assustadora sobretaxa de 50% — o impacto prático será bem mais limitado do que o prometido.

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O que ficou de fora

Entre os cerca de 700 produtos poupados estão aviões, petróleo, celulose, suco de laranja e minério de ferro, pilares da pauta de exportações do Brasil para os EUA.

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Dessa forma, assim que o tarifaço entrar em vigor, esses produtos continuarão sujeitos a alíquotas menores, definidas em abril.

O MDIC também esclareceu que mercadorias já embarcadas até sete dias após a publicação do decreto, em 30 de julho, não serão afetadas pelas novas tarifas, desde que cumpram os critérios técnicos exigidos. A brecha dá fôlego temporário a exportadores que já tinham negócios em andamento.

E quem vai pagar a conta?

Como diz o ditado, quem senta na ponta, paga a conta — e, nesse caso, são os 35,9% restantes da pauta brasileira que vão arcar com as sobretaxas de Trump.

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Para esses produtos, o pacote é completo: 10% adicionais somados a mais 40% — totalizando os temidos 50%.

Ainda não há uma lista pública com os itens mais afetados, mas o governo brasileiro monitora possíveis impactos em setores como metalurgia, máquinas, veículos e bens industriais, que costumam ser alvos recorrentes em disputas comerciais. Isso sem contar os produtores de café.

Enquanto isso, outros 19,5% das exportações brasileiras seguem sujeitas a tarifas específicas já em vigor, aplicadas pelos EUA com base em alegações de segurança nacional. Nesse grupo estão automóveis, aço, alumínio e cobre, que enfrentam alíquotas elevadas desde março e maio deste ano.

Antes mesmo desses setores colocarem na ponta do lápis, o governo já fez as contas. Veja como as exportações brasileiras foram (ou não) atingidas pelo tarifaço de Trump, segundo o MDIC:

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CategoriaValor (US$ bilhões)Participação (%)
Produtos sujeitos ao tarifaço de 30/07 (10% + 40%)14,535,9%
Produtos na lista de exceções (tarifa adicional de até 10%)18,044,6%
Produtos com tarifas específicas já existentes (todos os países)7,919,5%
Total40,4100%
Fonte: MDIC

*Com informações da Agência Brasil

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