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Dólar recua, inflação segue dentro da meta e cenário de juros favorece fluxo de investidores

Impulsionado pelo bom desempenho no exterior e pela expectativa de estabilidade da Selic, o Ibovespa encerrou a última semana aos 159 mil pontos. Nos últimos cinco pregões, o índice teve alta de 2,78%. Em novembro, o Ibovespa acumulou valorização de 6,37%, registrando o melhor desempenho mensal desde agosto de 2024.
Já o dólar à vista (USBRL) terminou a R$ 5,3348 e teve desvalorização de 1,23% ante o real no acumulado na semana e queda de 0,85% no mês.
Por aqui, a política monetária concentrou as atenções dos investidores. No início da semana, o diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Nilton David, disse que uma elevação na Selic não está mais no cenário-base da autoridade monetária.
Já o presidente do BC, Gabriel Galípolo, reforçou que o BC não pode perseguir o limite superior da meta de inflação, de 4,5%, mas sim o centro do alvo, de 3%. Em vários eventos ao longo da semana, Galípolo afirmou que o BC vai colocar os juros no nível elevado pelo tempo necessário para que a inflação convirja para a meta, classificando a Selic de 15% ao ano como um patamar restritivo adequado.
Ele também afirmou que o cenário está andando na direção que o BC gostaria, mas não tão rápido quanto o desejado.
Entre os dados, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), considerado a prévia da inflação, subiu 0,20% em novembro, após avanço de 0,18% no mês anterior. O consenso do mercado era de um novo ganho de 0,18% mensal.
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No ano, a prévia da inflação avançou 4,15% e em 12 meses, 4,50% – dentro da faixa de tolerância no acumulado anual e no limite no horizonte mais longo.
Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% nos três meses até outubro – o menor nível da série histórica iniciada em 2012. A mediana das previsões em pesquisa da Reuters era de que a taxa ficaria em 5,5% no período.
No exterior, o mercado consolidou as apostas de continuidade do ciclo de afrouxamento monetário, precificando mais de 80% de chance de o Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA) reduzir os juros para a faixa de 3,50% a 3,75% ao ano na próxima decisão do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), em dezembro.
A ponta positiva do Ibovespa foi liderada por Vamos (VAMO3), em semana de reprecificação de ativos e recuperação das perdas recentes.
Com o avanço semanal, as ações da companhia de segmento de locação de pesados reduziram as perdas acumuladas desde janeiro para cerca de 17%.
Confira a seguir as maiores altas do Ibovespa entre 24 e 28 de novembro:
| CÓDIGO | NOME | VARIAÇÃO SEMANAL |
| VAMO3 | Vamos ON | 12,98% |
| MRVE3 | MRV ON | 10,98% |
| PETZ3 | Petz ON | 10,97% |
| RAIL3 | Rumo ON | 9,92% |
| SMFT3 | Smart Fit ON | 9,47% |
| VIVA3 | Vivara ON | 9,10% |
| NATU3 | Natura ON | 8,94% |
| YDUQ3 | Yduqs ON | 8,19% |
| B3SA3 | B3 ON | 7,70% |
| RENT3 | Localiza ON | 7,64% |
Já a ponta negativa do Ibovespa foi encabeçada por Hapvida (HAPV3), com baixa de mais de 7% – em meio ao pessimismo dos investidores com a companhia e uma série de revisões negativas de bancos e corretoras sobre a ação da operadora de saúde.
O balanço do terceiro trimestre (3T25) trouxe novas preocupações aos investidores, com destaque para a queima de caixa livre de R$ 51,9 milhões no 3T25, pressionado pela piora do Ebitda; e o aumento da taxa de sinistralidade (MLR), que subiu 1,4 ponto percentual, para 75,2%, motivada pelo aumento de ocorrências médicas.
Nas últimas duas semanas, seis casas de análise – entre bancos e corretoras – revisaram o modelo de Hapvida. A Ágora Investimentos/Bradesco BBI reduziu o preço-alvo das ações em quase 50% — um corte de R$ 24. Agora, o banco projeta as ações HAPV3 em R$ 27 no final de 2026. O preço-alvo anterior era de R$ 51.
O BB Investimentos também rebaixou a recomendação das ações de compra para neutro e o BTG Pactual cortou o preço-alvo de R$ 67 para R$ 50 no final de 2026.
Já o JP Morgan fez uma dupla revisão: rebaixou a recomendação de compra para neutra e reduziu o preço-alvo de R$ 52 para R$ 39. O Itaú BBA “copiou” e passou a recomendar posição neutra e cortou o preço-alvo das ações de R$ 66 para R$ 22.
Veja as maiores quedas na semana:
| CÓDIGO | NOME | VARIAÇÃO SEMANAL |
| HAPV3 | Hapvida ON | -19,06% |
| MBRF3 | MBRF ON | -6,62% |
| BRKM5 | Braskem PN | -4,64% |
| PRIO3 | PRIO ON | -4,10% |
| PETR3 | Petrobras ON | -3,41% |
| CMIN3 | CSN Mineração ON | -3,40% |
| BRAV3 | Brava Energia ON | -3,06% |
| PETR4 | Petrobras PN | -2,39% |
| BEEF3 | Minerva ON | -1,89% |
| AZZA3 | Azzas 2154 | -1,86% |
A alta, iniciada em agosto, seguiu principalmente o mercado internacional. O avanço das negociações comerciais com os Estados Unidos — com a queda da tarifa adicional de 40% sobre alguns produtos brasileiros — e o afrouxamento monetário nos EUA impulsionaram o apetite de estrangeiros.
O mercado local ainda continua avesso a risco, e o “empurrão” do Ibovespa foi favorecido pelo diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos.
Analistas e gestores veem espaço para a bolsa brasileira continuar subindo, principalmente se os investidores locais voltarem para as ações. No entanto, esse movimento depende de corte dos juros locais.
Enquanto o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) segue seu ritmo de cortes, por aqui, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa Selic em 15% ao ano pela terceira vez consecutiva em novembro.
*Com informações de Money Times
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