Galípolo diz que dorme tranquilo com Selic em 15% e que o importante é perseguir a meta da inflação
Com os maiores juros desde 2026, Galípolo dispensa faixa e flores: “dificilmente vamos ganhar o torneio de Miss Simpatia no ano de 2025”

Poucas coisas na vida superam a tranquilidade de quem tem um objetivo claro — e, para Gabriel Galípolo, esse propósito o ajuda a dormir à noite.
Nesta terça-feira (8), o presidente do Banco Central disse ter consciência de que o Comitê de Política Monetária (Copom) não receberá um prêmio de “Miss Simpatia” ao manter a taxa Selic em 15% ao ano, mas afirmou estar tranquilo por estar perseguindo a meta de inflação.
“Nós, do Copom, dificilmente vamos ganhar o torneio de Miss Simpatia no ano de 2025”, afirmou, durante evento da Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo e associados do Instituto Unidos Brasil, em Brasília.
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“Mas eu durmo muito tranquilo sabendo que o que eu estou fazendo é cumprir a meta e perseguir a meta [de inflação], e tenho absoluta convicção que este é o papel do Banco Central”, disse.
A declaração vem em um momento de descompasso entre a expectativa do BC e do mercado. O Boletim Focus mais recente, divulgado na segunda-feira (7), projeta inflação de 4,50% para o fim de 2025. Enquanto isso, Galípolo reforça que seu compromisso segue inabalável com o centro da meta, os 3%.
Sem deixar margem para leituras complacentes, Galípolo usou a repetição como arma retórica. A frase “a meta é três” virou quase um mantra.
“A meta é 3%: eu não recebi uma sugestão ou um conselho, há um decreto que definiu que a meta é 3% [...]. Cumprir bem essa meta — não a banda, a meta — é três, a meta é três, a meta é três. É essa a meta que eu tenho que observar", disse Galípolo.
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“O intervalo é para absorver choques temporários, externos, exógenos. Um choque de oferta, um choque cambial, tem um buffer para absorver aquele choque. Mas não é uma leniência.”
Duas cartas e um “infeliz recorde”
Durante o evento, o presidente do BC também comentou o que chamou de “infeliz recorde”: deverá ser o primeiro presidente da instituição a assinar duas cartas de descumprimento da meta de inflação em apenas seis meses.
Com a entrada em vigor do sistema de meta de inflação contínua, em janeiro, o chefe da autarquia precisa enviar uma carta aberta ao ministro da Fazenda com justificativas para o descumprimento sempre que a inflação em 12 meses ficar acima da meta por seis meses seguidos.
A primeira se refere ao fechamento de 2024, quando o IPCA alcançou 4,83%. A segunda está por vir, após a divulgação do dado de junho, nesta quinta-feira (10), que deve confirmar o estouro do teto da banda em 2025.
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Sem cavalo de pau no BC
Durante o encontro com parlamentares e empresários, Galípolo também ouviu críticas sobre o nível atual da Selic, a mais alta desde 2006 e uma das maiores do mundo. Em resposta, reforçou o compromisso com a estabilidade, mas rejeitou a ideia de inação diante de distorções na economia.
“Banco Central nunca tem cavalo de pau em nada. A autoridade monetária jamais dá cavalo de pau em nada. A autoridade monetária é aquela instituição que precisa garantir estabilidade, normalidade. Mas ficar impassivo, ficar sem fazer nada, vai ser muito perigoso.”
Ao comentar especulações sobre a atuação dos membros do Copom, Galípolo disse estar preocupado com o risco de perda de credibilidade institucional. Para ele, a percepção de que nomes diferentes no comando do BC podem conduzir políticas mais ou menos rígidas enfraquece o papel da autoridade monetária.
“A ideia de que, a depender de quem eu coloquei lá no BC, ele pode perseguir mais ou menos a meta, que tem uma meta que a gente passou para você, mas também não é que você persegue ela de verdade, sugere uma flacidez institucional que me preocupa muito.”
Galípolo também afirmou que gostaria de ver menos atenção aos nomes dos diretores do Copom e mais foco nas regras e mecanismos que orientam a política monetária no Brasil.
“Eu realmente vou ficar muito feliz no dia em que, para quem investe no Brasil, para quem aplica no Brasil, para quem abre negócios no Brasil, importarem menos os nomes dos diretores do Copom, e importar mais qual é o arcabouço institucional da política monetária.”
*Com informações do Estadão Conteúdo
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