Juros de 9% e dólar abaixo de R$ 4? A condição fiscal que poderia levar o Ibovespa aos 300 mil pontos, segundo analistas
No relatório "E se o governo ajustar as contas públicas", especialistas da Empiricus e do BTG Pactual traçam cenários e seus efeitos no mercado; saiba mais

Um pacote fiscal capaz de fortalecer a sustentabilidade das contas públicas poderia levar o Brasil a um cenário de reancoragem fiscal, com maior confiança dos investidores na trajetória das contas do país.
Nessa realidade, os juros poderiam voltar à casa de um dígito, chegando até 9% ao ano, o dólar operar a R$ 3,95 e o Ibovespa alcançar um patamar inédito, aos 300 mil pontos.
Embora esse cenário parecer fazer parte de um futuro utópico, essa faixa de precificação para juros, câmbio e bolsa podem ser críveis caso o governo ajuste as contas públicas, segundo afirmam analistas da Empiricus e do BTG Pactual.
Os analistas traçam esse cenário no relatório "E se o governo ajustasse as contas públicas", divulgado em meados de agosto.
Com as eleições de 2026 em contagem regressiva, o investidor busca a resposta para a seguinte pergunta: "em um cenário benigno, em que o presidente eleito seja capaz de endereçar o problema fiscal e frear a trajetória crescente da dívida pública, onde eu deveria investir o meu dinheiro?".
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De acordo com o relatório, a estabilização da dívida exigiria do próximo governo um superávit primário próximo de 2,1% do PIB.
Hoje, o Brasil possui um déficit primário de 0,67% do PIB. Na prática, isso significaria uma melhora aproximada de 2,7 a 3 pontos percentuais para se equilibrar as contas públicas.
Para os especialistas, uma alteração dos preços do mercado exigiria do próximo governo mais do que o simples cumprimento das metas anuais.
"Para que a dívida deixe de crescer, o investidor precisaria enxergar melhora recorrente do resultado primário e redução da rigidez das despesas", afirmam.
No documento, os especialistas elencam uma série de medidas que poderiam ajudar a melhorar o fiscal e, por consequência, a percepção dos agentes financeiros sobre a trajetória da dívida. Entre elas estão:
- A desaceleração das despesas obrigatórias;
- A revisão de indexações e benefícios;
- A limitação de novas exceções ao arcabouço;
- E metas primárias verificáveis;
"A credibilidade aumentaria se o plano apresentasse etapas, gatilhos automáticos e metas intermediárias, permitindo ao mercado acompanhar a execução sem depender apenas de promessas de longo prazo", acrescentam.
Ibovespa em até 300 mil pontos? Como mercado brasileiro reagiria a um possível ajuste fiscal
Para entender o efeito que um possível ajuste fiscal teria no mercado, os analistas desenharam três cenários possíveis, que levam em consideração projeções econômicas, dados históricos e diferentes hipóteses.
Nesse sentido, portanto, os números apresentados a seguir devem ser interpretadas como um exercício de sensibilidade e reprecificação, e não como projeções pontuais.
- Cenário de ajuste crível
Um cenário de ajuste crível representa um programa econômico suficiente para reduzir o prêmio fiscal e aproximar a dívida de uma trajetória de estabilização.
Nesse caso, o contrato de DI jan/2031, que forma a curva de juros futuros, o dólar e a bolsa começariam a apresentar sinais de melhora diante do atual cenário:

"Com menor risco de que a dívida cresça indefinidamente, os juros longos poderiam recuar antes mesmo de o Banco Central reduzir a Selic. A queda da curva estimularia a entrada de capital, fortaleceria o real e reduziria a inflação esperada", explicam os analistas no relatório.
- Cenário de um ajuste forte
Já uma realidade de ajuste forte pressupõe uma reforma relevante das despesas obrigatórias e superávits recorrentes por parte da equipe econômica. Aqui, o dólar poderia cair para R$ 4,25, enquanto o Ibovespa poderia operar na faixa dos 260 mil pontos:

Esse segundo cenário dependeria de resultados consistentes, com a queda efetiva do déficit, estabilização da dívida e convergência da inflação. Sem essa confirmação, parte do rali inicial poderia ser devolvida, advertem os analistas.
- Cenário de reancoragem
Agora, uma conjuntura de reancoragem estrutural exigiria, além do ajuste doméstico, inflação convergente, ambiente externo construtivo e entrada expressiva de capital.
Nesse ponto, a curva de juros futuros (DI jan/2031) poderia chegar a 9,8%, o dólar alcançar o patamar dos R$ 3,95 e a bolsa atingir os 300 mil pontos:

Vale ressaltar que um dólar abaixo de R$ 4,20 exigiria condições adicionais, como dólar global fraco, commodities sustentadas, estabilidade política e fluxo estrangeiro relevante.
EMPIRICUS+: VEJA COMO ACESSAR O RELATÓRIO COMPLETO AQUI
Fiscal: Os ativos para alocar na carteira caso um cenário benigno se concretize
Na visão dos especialistas, um ajuste fiscal crível reduziria os juros longos, fortaleceria o real e favoreceria a bolsa, com maior potencial para títulos IPCA+ longos e setores domésticos sensíveis à queda da Selic.
Nesse sentido, os analistas apresentam no relatório (leia aqui) uma alocação que privilegia duration real longa, crédito de infraestrutura e ativos domésticos sensíveis à queda do custo de capital.
A estratégia leva em consideração classes e ativos como:
- Renda Fixa: um ETF e duas debêntures que buscam capturar juros reais elevados e possuem marcação a mercado;
- Crédito: dois papéis com carrego e exposição a projetos regulados;
- Ações: quatro papéis e um ETF voltados ao ciclo doméstico que podem se beneficiar da retomada da atividade;
- Fundos imobiliários: três FIIs que buscam renda e valorização com a queda dos juros.
É importante ressaltar que os analistas da Empiricus e do BTG Pactual são especialistas em mercado financeiro e construíram esse portfólio de investimento sob medida caso o governo realize o ajuste fiscal.
Caso você queira ler a tese completa do relatório e acessar a lista dos ativos, basta fazer seu cadastro no Empiricus+, assinatura que dá acesso a todas as recomendações de investimentos dos analistas da Empiricus.
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