Dê tempo aos juros: Bradesco Asset espera manutenção da Selic pelo Copom e “aceita” que inflação de 3% só será alcançada no futuro
Gestora avalia que o juro está suficientemente restritivo e que o BC deve acompanhar os dados, mantendo um novo aumento no radar como possibilidade futura

Para a Bradesco Asset, o nível atual da taxa Selic — em 14,75% ao ano — já é bastante elevado. O que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central precisa fazer agora é dar tempo para que este patamar de restrição faça efeito na atividade econômica.
“Vimos um aumento de mais de 300 pontos-base no final do ano passado e começo deste. Parcelado, mas intenso. Agora precisa de tempo para fazer efeito. Isso vale em qualquer ciclo de juros, mas principalmente quando há um aumento forte”, diz Marcelo Toledo, economista-chefe da Bradesco Asset, em entrevista ao Seu Dinheiro.
O ciclo de alta atual começou em setembro do ano passado, quando o Banco Central — ainda sob a gestão de Roberto Campos Neto — aumentou a Selic de 10,50% para 11,25% ao ano. De lá para cá, foram 425 pontos-base de alta, em oito meses.
- VEJA TAMBÉM: Saiba quais são as melhores ações, fundos imobiliários, títulos de renda fixa, ativos internacionais e criptomoedas para o 2º semestre de 2025
Para Toledo, uma elevação dessa magnitude precisa de um período de acomodação maior, por causa da defasagem no efeito, que é comum para a política monetária em qualquer situação.
A Bradesco Asset avalia que o patamar atual de juros já é bastante restritivo quando se considera o juro real do país — um indicador que subtrai da taxa de juro o valor da inflação no mesmo período.
A referência de juro real restritivo é 5%. No momento, o Brasil apresenta um juro real de 9,5%.
Leia Também
Toledo compara o nível atual com o de anos passados e afirma que esses 9,5% só foram verificados anteriormente no começo dos anos 2000. Isso significa que a política monetária de 2025 é a mais apertada da história recente do Brasil, superando a de crises como a de 2008 e a de 2014.
O Copom decidirá por uma alta de 0,25 ponto percentual, que elevaria a Selic a 15% ao ano, ou pela manutenção dos juros em 14,75% ao ano, nesta quarta-feira (18).
O resultado está em aberto. Gestores de fundos multimercados, por exemplo, se mostram divididos em relação ao movimento do Banco Central. Já nos mercados, até ontem (17), data de início da reunião, as opções de Copom, negociadas na B3, mostravam 60% de probabilidade de alta e 40% de manutenção.
Manutenção não é sinônimo de fim do ciclo
Embora a estimativa da Bradesco Asset seja de manutenção na reunião de hoje, Toledo esclarece que esta não é uma posição pelo final do ciclo de alta.
“Reconheço que é uma comunicação um pouco esquisita. É uma postura estranha dizer que parou, mas que não é o fim do ciclo. Mas nossa avaliação é de que tem que ficar no meio do caminho e se manter vigilante, porque 14,75% pode não ser suficiente”, diz o economista-chefe da gestora.
Ele avalia que há fatores que favorecem a manutenção pontual neste momento.
Desde a última reunião do Copom, em 7 de maio, houve uma apreciação do real em relação ao dólar e uma estabilização no preço das commodities em patamares menores. São duas quedas que diminuem a pressão sobre a inflação.
- CONFIRA: O país dos juros altos: por que a Selic está tão alta e qual a tendência para os próximos anos?
Não são dados definitivos, pois se tratam de variáveis instáveis, mas Toledo considera que são relevantes para o alívio no curto prazo.
Entre dados mais estruturais, o economista-chefe da Bradesco Asset destaca a melhora nos núcleos de inflação, que caiu de um nível de 6% para 5,5%. “É uma melhora sutil, mas sugere que o pior momento da inflação ficou para trás e agora é preciso acompanhar”, diz.
Até porque, há fatores de pressão nos preços que também estão na mesa.
A atividade econômica segue demonstrando poucos sinais de enfraquecimento, mesmo com os juros tão elevados, e o mercado de trabalho permanece aquecido na criação de empregos formais e informais, e no aumento dos salários.
Copom e a meta de inflação: vai ficar para o futuro
Mesmo que a política monetária do Banco Central faça efeito neste ano, desacelerando a economia e segurando a inflação, o economista-chefe da Bradesco Asset não espera nada próximo da meta de 3% — quem sabe no topo da meta, em 4,5%.
“Nossa visão é que a batalha do Banco Central é para ficar abaixo do topo da meta mesmo em 2026. Se ficar abaixo de 4% no próximo ano será uma grande conquista, considerando o cenário em que a gente está, e partindo da inflação que a gente tem”, disse.
O cenário a que o economista se refere é o de estímulos fiscais e parafiscais que partem do governo federal para aquecer a economia.
Toledo cita o programa de crédito consignado, o aumento da faixa 4 do Minha Casa Minha Vida, aumento do crédito para empresas por meio do BNDES, e a aprovação da isenção no Imposto de Renda para pessoas que recebem até R$ 5 mil — que a gestora considera certo, mesmo que tenha mudanças na proposta em relação às compensações.
É um volume financeiro que a Bradesco Asset considera contratado para 2025 e 2026, além dos aumentos anuais de benefícios indexados à inflação e ao salário mínimo.
Com isso, Toledo argumenta que a meta de inflação em 3% é um desafio para o futuro: “Não vai ser no horizonte de 2026 e nem de 2027.”
Para o economista, é uma meta que não depende apenas do Banco Central e da política monetária, mas de rever desequilíbrios que existem na economia. Questões como as contas do governo, reformas estruturais, regras fiscais que diminuem estímulos, entre outras.
“Está muito além do que o BC pode fazer agora. Quem sabe na próxima administração”, diz.
CENÁRIO ELEITORAL
“Se o Lula vencer, o cenário tende a favorecer mais o rentismo”, diz CEO da EQI; veja as apostas da corretora
23 de outubro de 2026 - 15:56VANTAGEM EM XEQUE
Esta cidade fora de SP virou hub de galpões logísticos. Agora, a Reforma Tributária pode mudar o jogo
23 de outubro de 2026 - 11:15A SERVIÇO DE SUA MAJESTADE
Quem será o próximo James Bond? Quatro nomes estão na disputa final para interpretar o agente 007
23 de outubro de 2026 - 11:09ELEIÇÕES NO MERCADO IMOBILIÁRIO
Minha Casa Minha Vida ou Casa Verde Amarela? Os planos de Lula e Flávio Bolsonaro para o mercado imobiliário e a compra da casa própria
23 de outubro de 2026 - 7:09CARRO-CHEFE ENCALHADO
Mega-Sena acumula novamente e prêmio alcança R$ 230 milhões; 3 bolões com dezenas de pessoas dividem a Lotofácil
23 de outubro de 2026 - 5:47DISPUTA DE REGULADORES
Afinal, quem falhou no caso Banco Master? Ex-presidente da CVM aponta para o Banco Central
22 de outubro de 2026 - 18:45LUZES ACESAS
Volta ao presencial e ‘cheque gordo’ do Itaú (ITUB4) dão nova vida a escritórios de SP — mas nem todos os bairros ganham
22 de outubro de 2026 - 10:09Conteúdo Empiricus
Mercado de opções cresce 79% na B3 em 2026; confira como você também pode aproveitar oportunidades com esse tipo de operação na bolsa
22 de outubro de 2026 - 10:00PRECISA DE CONSERTO
Lotofácil, Quina e outras loterias acumulam e atenção se volta para prêmio de R$ 200 milhões em jogo na Mega-Sena
22 de outubro de 2026 - 5:53MAIS DINHEIRO NA MESA
Governo libera mais R$ 6,49 bilhões para empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA e por conflitos internacionais; veja quem pode acessar o crédito
21 de outubro de 2026 - 10:03NEM POR DECRETO
Mega-Sena acumula de novo e prêmio vai a R$ 200 milhões; Dia de Sorte aproveita para brilhar sozinha
21 de outubro de 2026 - 5:42FINANÇAS
Investimentos liberam mais limite nos cartões de crédito do BTG Pactual. Conheça os requisitos e benefícios das versões Gold, Platinum e Black
20 de outubro de 2026 - 16:00PRÉVIA DO RESULTADO
Receitas em alta e ações de lado: balanço da SpaceX (SPCX) finalmente decolou? Saiba o que esperar
20 de outubro de 2026 - 15:03DESTAQUE NA IMPRENSA
Repórteres do Seu Dinheiro são vencedoras do prêmio +Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças
20 de outubro de 2026 - 14:58O MISTÉRIO CONTINUA
Universidade desembolsa R$ 4,5 milhões em nova etapa de busca por avião desaparecido de Amelia Earhart, mas encontra outra coisa
20 de outubro de 2026 - 14:02COMEÇOU BEM
Lotomania desencanta, paga R$ 14 milhões e ofusca prêmio milionário na Lotofácil; Mega-Sena acumulada promete R$ 185 milhões hoje
20 de outubro de 2026 - 5:55REAJUSTADO E ANTECIPADO
Governo antecipa pagamento do Bolsa Família reajustado a poucos dias do tira-teima entre Lula e Flávio Bolsonaro — e coloca a culpa no El Niño
19 de outubro de 2026 - 13:06ABRIU DISTÂNCIA
Mega-Sena acumulada se aproxima dos R$ 200 milhões; Quina pode pagar R$ 51 milhões hoje
19 de outubro de 2026 - 6:48ANOTE NA AGENDA
Temporada de balanços do 3T26 bate à porta: veja as datas das divulgações e das teleconferências
19 de outubro de 2026 - 6:04PARA OS ESTUDANTES