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Monique Lima

Monique Lima

Repórter de finanças pessoais e investimentos no Seu Dinheiro. Formada em Jornalismo, também escreve sobre mercados, economia e negócios. Já passou por redações de VOCÊ S/A, Forbes e InfoMoney.

SÓ MAIS UMA CHANCE

Copom mantém Selic em 15% ao ano e não dá sinais de corte no curto prazo

Trata-se da terceira decisão de manutenção da taxa básica de juros e reforça expectativa do mercado de que o primeiro corte deve ficar para 2026

Monique Lima
Monique Lima
5 de novembro de 2025
18:43 - atualizado às 0:58
Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo - Imagem: Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Confirmando as expectativas do mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa Selic em 15% ao ano nesta quarta-feira (5). Em comunicado, a autoridade monetária reforçou o discurso de manutenção do juro alto por “tempo prolongado” — o mesmo utilizado em junho, quando o BC elevou a Selic para o nível atual, que é o maior em duas décadas. 

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Economistas esperavam algum alívio no comunicado do Copom, visto que a economia começa a dar sinais de enfraquecimento, em linha com o esperado diante dos juros em 15%. Entretanto, o tom duro do texto reforça a expectativa do mercado de que o primeiro corte deve ficar para 2026.  

Afinal, só há mais uma reunião prevista para este ano: a de dezembro. Até lá, a maior parte dos agentes financeiros não espera indicadores com números muito drásticos que mudem a leitura da tendência vista até aqui.  

A inflação continua acima de 5% no acumulado de 12 meses até setembro. Os dados preliminares de outubro indicam que o índice de preços pode cair para menos de 5% neste mês. A pesquisa do Banco Central com economistas de mercado — o relatório Focus — já estima a inflação oficial (IPCA) fechando o ano em 4,55%, pouco acima do topo da meta, que é de 4,50%.  

Além disso, a atividade econômica também dá sinais de enfraquecimento, tanto na indústria quanto no comércio. Mas nada disso é visto como suficiente, segundo o comunicado do Copom desta quarta-feira.  

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O texto reconhece que a economia dá sinais de “moderação no crescimento”, mas reforça que o mercado de trabalho “mostra dinamismo”. As expectativas futuras de inflação também são apresentadas como um ponto de incômodo, pois seguem acima da meta de 3% — ainda que tenham melhorado e estejam dentro do limite de tolerância até 4,5%.   

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A projeção de inflação do Copom para o segundo trimestre de 2027, atual horizonte de análise do comitê, situa-se em 3,3% no cenário de referência. "O Comitê avalia que a estratégia de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta".

O comunicado ainda traz a indicação de possível retomada do ciclo de ajuste "caso julgue apropriado", evidenciando que a postura da autoridade ainda é dura e restritiva.

O que precisa para a Selic cair?  

Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV e ex-assessor no Ministério da Fazenda durante o Plano Real, acredita que a maior preocupação do Copom é com a expectativa futura de inflação.  

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Para ele, o comitê de política monetária só vai cogitar cortar a Selic quando vir a projeção futura convergindo para a meta de 3% — atualmente está em 3,3%.  

“Não é que a projeção precisa ser de 3% exatamente, mas precisa chegar mais próximo. Acredito que o Copom só vai cortar quando tiver confiança dessa convergência. No momento, faltam dados que deem essa segurança”, diz o economista.   

Essa é a opinião predominante entre economistas e outros agentes financeiros. Mas há quem pense diferente.  

Para Tatiana Pinheiro, economista-chefe da Galapagos Capital, se a inflação corrente — aquela que o IBGE divulga todos os meses — se encaminhar para fechar 2025 dentro do limite flexível da meta (até 4,5%), já há espaço para um primeiro corte na Selic.  

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E esse primeiro corte poderia acontecer em dezembro, de 50 pontos-base, para a Selic fechar o ano em 14,5% ao ano.  

A economista acredita que a política monetária já está restritiva o suficiente, e um primeiro corte não tende a prejudicar o efeito contracionista na economia.  

“Vemos um processo de desinflação forte. Hoje, existe uma possibilidade grande de a inflação convergir para o topo da meta, de 4,5%, ao fim de 2025. Se o IPCA de outubro vier comportado e o de novembro caminhar no mesmo sentido, é um cenário muito favorável para corte em dezembro”, diz Pinheiro. 

Entrelinhas do comunicado do Copom

De modo geral, o comunicado da decisão desta quarta-feira não teve muitas mudanças. Porém, isso também tem significados.

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Umas das principais ponderações apontadas por Fernando Gonçalves, economista do Itaú Unibanco, é em relação a estratégia de manutenção da taxa de juros no nível atual por um período "bastante prolongado". Antes, o Copom ainda avaliava se a estratégia seria suficiente para levar a inflação de volta a meta de 3%. No comunicado de hoje, entretanto, o comitê assegurou que a estratégia é suficiente para este objetivo.

"O comitê afirma que a estratégia está funcionando, o que indica uma mudança de postura. É uma nova fase em que há confiança na estratégia, mas não está na iminência de mudá-la", diz Gonçalves.

Para o economista, esta é uma consideração importante porque aumenta a confiança do BC em relação ao objetivo de levar a inflação à meta, mas também aumenta a credibilidade da autoridade monetária junto ao mercado, o que pode influenciar na tendência de queda das expectativas futuras de inflação.

Por outro lado, alguns pontos ficaram em aberto. Gonçalves aponta principalmente a falta de clareza sobre quais dados foram incorporados à projeção de inflação no horizonte relevante. No comunicado desta quarta, o Copom sinalizou que seu horizonte relevante vai até o segundo trimestre de 2027, e nesta data, a projeção é de 3,3% de inflação em 12 meses.

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O número é 0,1 ponto percentual menor que o indicado na decisão de setembro. Entretanto, não se sabe quais dados o BC considerou.

"Tivemos agora a aprovação do projeto de lei de isenção de IR para salários até R$ 5 mil. Isso foi considerado ou não?", questiona Gonçalves. "Se não foi incorporado, a projeção pode ser revisada para cima e prolongar o tom duro do comunicado".

O economista acredita que algumas respostas podem ser dadas na Ata do Copom, na próxima semana, ou em entrevistas de diretores no futuro.

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