Bônus de catástrofe: investimento que une alto retorno e baixa volatilidade ganha força
O mercado de títulos de catástrofe, conhecido por oferecer retorno atrativos combinado com baixa volatilidade, está aquecido em 2026

O mercado de bônus de catástrofe, uma classe de ativos ainda pouco explorada e pouco conhecida por grande parte dos investidores, vem registrando forte aquecimento depois de renovar recordes em 2025.
De acordo com a provedora de dados Artemis.bm, a emissão dos chamados CAT bonds (na nomenclatura em inglês) disparou para US$ 25,6 bilhões em 2025, batendo o recorde de 2024 de pouco menos US$ 17,7 bilhões em 45%. A emissão resultou de 122 transações, superando o recorde anterior de 95, registrado em 2023.
Criados inicialmente na década de 1990, os CAT bonds são um instrumento financeiro que levanta fundos para seguradoras em casos de desastres naturais, como terremotos, furacões e outros.
Esses títulos, vinculados a seguros, são uma forma de seguradoras ou resseguradoras transferirem o risco de perdas potencialmente elevadas aos investidores. Com isso, as instituições têm acesso a financiamento, o que viabiliza o pagamento das devidas indenizações no caso da concretização de eventos extremos.
Segundo a emissora norte-americana CNBC, a expectativa é de que o fluxo de negócios desses títulos se intensifique nos próximos meses.
Andy Palmer, chefe de estruturação de títulos vinculados a seguros (ILS) na Swiss Re, uma das maiores resseguradoras do mundo, aponta que cerca de 60% dos negócios no mercado de títulos de catástrofe tendem a ter um prazo de três anos e que os investidores provavelmente renovarão a cobertura quando expirarem em 2026.
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"Uma regra prática bem rápida seria observar as novas emissões de 2023, que estimamos em cerca de US$ 15,6 bilhões, e isso serviria como uma espécie de piso", disse Palmer à CNBC.
Com a expectativa de crescimentos e de negócios robustos em 2026, a emissão de títulos de catástrofes pode atingir cerca de US$ 20 bilhões, afirmou ele. Caso se cumpra, o número não atingiria o patamar de 2025, mas ocuparia o segundo lugar de maior volume de emissões da história.
Como funcionam os bônus de catástrofe
A lógica é simples: o investidor adquire o título e recebe um retorno por ele, que tende a ser elevado tendo em vista o fator de risco de uma catástrofe. No caso da concretização de um evento, o investidor pode perder valores.
Em um cenário sem eventos que desencadeiem uma perda, esses bônus são reconhecidos por oferecerem retornos altamente atrativos, semelhante ao mercado de ações, mas com baixa volatilidade e baixa correlação com os mercados financeiros em geral.
Vale notar que a ascensão da classe de ativos como um instrumento financeiro mais comum ocorre em um momento de aumento na frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, em decorrência da crise climática.
De acordo com a CNBC, o interesse dos investidores nessa classe de ativos permanece alto após o terceiro ano consecutivo de retornos de dois dígitos para muitas estratégias de bônus de catástrofe em 2025.
Steve Evans, proprietário e editor-chefe da Artemis.bm, disse à emissora que a combinação do interesse com a crescente adoção dos títulos como uma fonte eficiente de resseguro plurianual entre seguradoras e outras entidades, deve garantir mais um ano forte em emissões no setor.
Na avaliação de Evans, ao longo do próximo ano, o mercado verá um número significativo de contratos a vencer, o que deve elevar os níveis de caixa e exigir o reinvestimento em novas emissões ou devolução aos investidores.
Esse tipo de título é apontado como uma boa opção para investidores que buscam diversificar os portfólios.
O que monitorar
Analistas da Fitch Ratings estão um pouco mais cautelosos em relação às perspectivas para os bônus de catástrofe. Ainda que esperem um crescimento contínuo no mercado de capitais de resseguros alternativos em 2026, a casa alerta para o aumento da pressão sobre o capital.
Na visão dos analistas, a continuidade do crescimento da demanda deve contribuir, inclusive, para a entrada de novos patrocinadores no setor e a expansão de riscos fora dos períodos de pico, como incêndios florestais, ataques cibernéticos e acidentes.
A Fitch vê os investidores desse tipo de título reinvestindo seus retornos no mercado de títulos vinculados a seguros, o que aumentará o capital e pressionará os retornos.
Apesar disso, os analistas esperam que os retornos para os investidores em 2026 permaneçam atrativos ante outras classes de ativos.
*Com informações da CNBC.
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