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Capaz de resistir a radiação, falta de água, temperaturas extremas e até ao vácuo do espaço, o urso-d'água desafia os limites da biologia e entra na lista dos seres mais resistentes já estudados

Um dos animais mais conhecidos por sua resistência é a barata — cercada pelo mito de que poderia, inclusive, sobreviver a uma bomba nuclear. Mas existe outro ser vivo na Terra capaz de ir ainda mais longe. Ele não apenas resistiria a uma explosão nuclear, como também a cenários extremos que poderiam marcar o fim do mundo como o conhecemos: o tardígrado, também chamado de urso-d’água.
Seja uma guerra nuclear, o impacto de asteroides gigantes ou qualquer evento capaz de provocar uma extinção em massa, esse microanimal estaria entre os sobreviventes.

Ao contrário do que se poderia imaginar, o tardígrado não conta com uma carapaça impenetrável nem com um corpo preparado para viver com poucos recursos. Seu principal “superpoder” é outro: a capacidade de praticamente parar o próprio funcionamento.
Com cerca de 1 milímetro de comprimento, o tardígrado já existia no período Permiano, há aproximadamente 250 milhões de anos. Naquele momento da história do planeta, cerca de 90% das espécies desapareceram em um dos maiores eventos de extinção em massa já registrados. Ainda assim, ele sobreviveu, adaptou-se e seguiu evoluindo.
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Além do tamanho microscópico, testes em laboratório e observações em ambientes extremos mostram que os tardígrados suportam condições que eliminariam praticamente qualquer outra forma de vida.
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Esses microanimais conseguem:
Essa combinação de características coloca o tardígrado em uma categoria única entre os organismos estudados pela ciência. Em termos práticos, se o mundo acabar, ele provavelmente sobreviverá.

O segredo dessa resistência está em um processo chamado criptobiose. Quando o ambiente se torna hostil, o tardígrado elimina mais de 95% da água do corpo e entra em um estado de quase paralisação total. O metabolismo cai a níveis mínimos, com as funções vitais temporariamente suspensas.
Nesse estado, o animal pode permanecer inativo por anos ou até décadas e retomar suas atividades normalmente assim que as condições ambientais voltam a ser favoráveis — em um processo que lembra a hibernação dos ursos, mas de forma muito mais extrema.
Pesquisas publicadas em 2017 por cientistas das universidades de Oxford e Harvard analisaram o impacto de eventos cósmicos extremos sobre a vida na Terra, como a colisão de grandes asteroides, supernovas próximas e explosões de raios gama.
Segundo os pesquisadores, apenas fenômenos capazes de ferver todos os oceanos do planeta seriam suficientes para exterminar completamente os ursos-d’água. Ainda assim, a probabilidade de algo assim acontecer é considerada mínima.
Mesmo com a escalada das tensões entre países que possuem armas nucleares nos últimos anos, como EUA e Rússia, um cenário de guerra nuclear não representaria uma ameaça direta aos tardígrados. Já as baratas…
Simulações indicam que um conflito desse tipo provocaria resfriamento global, colapso da agricultura e quebra das cadeias de suprimento — fatores fatais para os humanos, mas não para esses micro-organismos.
Graças à criptobiose, os tardígrados poderiam atravessar esse período em estado dormente e retornar quando o ambiente voltasse a ser habitável.

De acordo com a astrofísica, o único evento capaz de extinguir até mesmo os organismos mais resistentes da Terra será a própria evolução do Sol.
Daqui a cerca de 5 bilhões de anos, o aumento gradual da luminosidade solar tornará o planeta quente e seco demais para sustentar qualquer forma de vida conhecida.
Até lá, os ursos-d’água seguem como um lembrete de que, mesmo que a humanidade desapareça, a vida na Terra deve continuar.
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