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TORNOZELEIRA ELETRÔNICA?

MP denuncia Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, por esquema de propinas; valor pago por varejistas é de R$ 1 bilhão

Na época da deflagração da operação, Sidney chegou a ser preso, porém foi solto dias depois. Agora, o MP pede à Justiça que os acusados usem tornozeleira eletrônica

Sidney Oliveira, empresário dono da rede Ultrafarma
Sidney Oliveira, empresário dono da rede Ultrafarma - Imagem: Reprodução

"Ícaro, meu filho, recomendo-te que voes a uma altura moderada", aconselha Dédalo ao filho na mitologia grega, alertando para os perigos de se queimar ao voar muito perto do sol. A recomendação ao personagem também cairia bem para o dono da Ultrafarma, Sidney Oliveira, que foi denunciado por corrupção ativa na quinta-feira (5), pelo Ministério Público (MP).

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O nome do empresário aparece junto com outras seis pessoas na denúncia por participarem de um esquema criminoso dentro da Secretaria da Fazenda (Sefaz). Segundo o MP, Sidney teria subornado e repassado propinas milionárias a auditores fiscais da pasta durante os anos de 2021 e 2025.

O esquema veio à tona por conta da Operação Ícaro, realizada pela Polícia Federal (PF) e deflagrada em agosto do ano passado. A investigação revelou que os repasses indevidos tinham por objetivo garantir a liberação acelerada e inflada de créditos tributários.

Na época da deflagração da operação, Sidney chegou a ser preso, porém foi solto dias depois. Agora, o MP pede à Justiça que os acusados usem tornozeleira eletrônica.

Além de Sidney, ex-auditores da Receita estadual também foram denunciados, entre eles Artur Gomes da Silva Neto. Ele é indicado como o mentor do esquema, que, segundo a PF, arrecadou pelo menos R$ 1 bilhão em propinas de gigantes do varejo e pode ter custado mais de R$ 327 milhões aos cofres públicos.

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A denúncia contra a Ultrafarma

A acusação é subscrita por quatro promotores do Gedec, braço do Ministério Público que combate delitos tributários e contra a ordem econômica.

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Segundo a denúncia, a Ultrafarma tem direito a se ressarcir de créditos de ICMS-ST por ser uma rede varejista especializada no comércio de medicamentos. Porém o valor devolvido à empresa era realizado em tempo relâmpago, incompatível com o rito processual exigido.

"O procedimento por meio do qual o Fisco defere a restituição dos créditos fiscais é extremamente complexo, durando, em muitos casos, anos", afirmam os promotores.

Segundo a denúncia, o ressarcimento exige que o contribuinte apresente inúmeros documentos. O MP ressalta que a seleção é longa e difícil, exigindo, por parte da empresa, profissionais especializados na tarefa.

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“Muitas vezes a documentação precisa ser complementada pelo contribuinte, tornando o procedimento ainda mais lento e, por vezes, impedindo o seu ressarcimento”, complementa.

Dinheiro no bolso do dono da Ultrafarma

Além disso, o MP indica que a vantagem obtida pela Ultrafarma não se restringia apenas à velocidade do ressarcimento. Artur Gomes, exonerado após a deflagração da Operação Ícaro, e Alberto Toshio Murakami, que também tinha cargo na Fazenda e está foragido, inflavam os valores devolvidos à varejista.

“Além disso, a Ultrafarma ainda podia vender os créditos obtidos com o esquema criminoso para outras empresas após o deferimento dos valores. Tratava-se, assim, de verdadeiro ativo financeiro conquistado por meio do pagamento de propina", avaliam os promotores.

Segundo a denúncia, "em troca dos favores criminosos prestados pelos agentes públicos e seus comparsas, Aparecido Sidney Oliveira passou a remunerá-los com vultosos valores que eram pagos em espécie".

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As informações obtidas pela PF na época da deflagração da Operação Ícaro revelaram que Gomes recebia os pagamentos mensais por meio de uma empresa registrada em nome da mãe.

A Operação Ícaro

O foco da operação da PF é identificar irregularidades comerciais, que vão de políticas de preços questionáveis a fraudes em promoções e vendas online.

Com isso, além da Ultrafarma, o MP investiga outras empresas. Entre elas estão FastShop, Allmix Distribuidora, Rede28 Postos de Combustíveis, Kalunga e o Grupo Nós, controlador da Oxxo.

No caso da Kalunga, arquivos digitais enviados à Sefaz-SP teriam sido recusados, sugerindo participação no esquema. Já a Oxxo é citada em e-mails com documentos da consultoria Smart Tax, contratada para serviços tributários.

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*Com informações do Estadão Conteúdo.

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