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Mello chefia a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda; economista tem atuado na defesa de cortes na taxa de juros, atualmente em 15%

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, encaminhou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a indicação de Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica, para ocupar uma das vagas abertas na diretoria do Banco Central (BC) desde o ano passado.
A nomeação, caso seja formalizada pelo Planalto, dependerá de aprovação do Senado, onde o economista será sabatinado.
A escolha, no entanto, gerou ruído no mercado financeiro. Investidores avaliam que a entrada de Mello pode representar mais riscos do que reforço à condução da política monetária, em razão de sua proximidade com o governo e de uma possível postura considerada excessivamente “dovish” — favorável a juros mais baixos — no Comitê de Política Monetária (Copom).
A indicação de um economista do círculo de confiança dos petistas ocorre em meio à manutenção da taxa Selic em 15% ao ano pelo Copom.
Guilherme Mello, de 42 anos, foi um dos responsáveis pela elaboração do plano de governo de Lula em 2022, junto à Fundação Perseu Abramo. O documento criticava os aumentos promovidos pelo BC à época.
Mestre em Economia Política pela PUC-SP e doutor em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O economista leciona e coordena o programa de pós-graduação em Desenvolvimento Econômico na Unicamp.
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Segundo o seu perfil no Lattes, suas linhas de estudo incluem temas como economia monetária, políticas monetárias não convencionais, estratégias de desenvolvimento nacional, economia do setor público e desigualdade social.
Ele também é autor de teses como "A pós-grande indústria capitalista e a questão do valor: uma abordagem marxista" e a "Os derivativos e a crise do subprime: o capitalismo em sua quarta dimensão", respectivamente, de mestrado e doutorado.
A possível indicação de Mello ao Banco Central provocou forte movimento nos juros futuros nesta segunda-feira (2).
As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimentos mais longos — que funcionam como um termômetro da confiança dos investidores em relação ao futuro da economia — registraram alta, refletindo o aumento dos prêmios de risco exigidos pelo mercado para emprestar dinheiro em prazos estendidos.
Às 13h35, o DI para janeiro de 2027 oscilava em 13,47%; o de janeiro de 2028 avançava de 12,69% para 12,755%; o de janeiro de 2029 subia para 12,805%; e o de janeiro de 2031 saltava de 13,04% para 13,20%.
Nos vencimentos mais distantes, o movimento foi ainda mais intenso: o DI de janeiro de 2035 atingiu 13,47%, maior nível em uma semana.
Esse comportamento é chamado de “bear steepening”: a curva de juros futuros fica mais inclinada porque os investidores acreditam que, no longo prazo, haverá maior incerteza ou necessidade de juros mais altos para compensar riscos.
*Com informações do Estadão Conteúdo e Valor Econômico
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