China anuncia tarifa de 55% para importação de carne bovina; veja o que muda para o Brasil, maior exportador da proteína ao país
O Brasil, que responde por 45% da carne bovina importada pela China, terá uma cota isenta de tarifas, assim como outros grandes players

Horas antes de fechar o ano, a China anunciou a adoção de medidas de salvaguarda contra a importação de carne bovina no país. A decisão foi comunicada pelo Ministério do Comércio (Mofcom) do país. O Brasil, maior exportador da commodity ao país asiático, inicialmente não sofrerá tanto impacto, especialmente no curto prazo.
O governo chinês decidiu adotar cotas específicas por país para importação de carne bovina com a imposição de uma tarifa adicional de 55% para volumes que excederem a cota, conforme antecipou o Broadcast Agro.
As medidas entram em vigor amanhã (1º) e serão implementadas por três anos até 31 de dezembro de 2028.
O governo chinês já havia sinalizado aos países que adotaria as cotas e tarifas sobre a importação da carne bovina, e eram esperadas medidas moderadas. Ao justificar a decisão, o Mofcom alegou que "o aumento das importações de carne bovina causou graves danos à indústria nacional da China e que existe uma relação causal entre o aumento das importações e esses graves danos".
Salvos pelas cotas
Grandes players exportadores de carne bovina terão suas vendas ao mercado chinês limitadas por cotas, que foram estabelecidas de acordo pela participação de cada país nas exportações à China. Eventuais volumes não utilizados de cotas não poderão ser transferidos para o ano seguinte, informou o governo chinês.
A maior cota é do Brasil, que responde por 45% da carne bovina importada pela China. A Argentina terá cota de 511 mil toneladas no próximo ano. Uruguai terá cota de 324 mil toneladas sem tarifa adicional em 2026, seguido por Nova Zelândia com 206 mil toneladas, Austrália com 205 mil toneladas e Estados Unidos com 164 mil toneladas.
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Para produtos originários de países em desenvolvimento, caso a participação individual nas importações não ultrapasse 3%, e a participação total desses países não exceda 9%, as medidas de salvaguarda não se aplicam.
O que muda para o Brasil
As tarifas adicionais não recairão sobre toda a carne brasileira exportada para a China. O Brasil, principal fornecedor da proteína vermelha ao mercado chinês, terá uma cota de exportação de 1,11 milhão de toneladas sem tarifas adicionais no próximo ano.
O volume alcança 1,13 milhão de toneladas em 2027 e 1,15 milhão de toneladas em 2028. A título de comparação, neste ano no acumulado até novembro, o país já exportou 1,5 milhão de toneladas de carne bovina ao mercado chinês, somando US$ 8,03 bilhões.
A adoção de medidas de salvaguarda pela China era vista como "iminente" pelo governo e pelo setor produtivo brasileiro, que temem o impacto com a queda nas exportações da proteína vermelha ao país asiático.
Segundo Felipe Fabbri, analista de proteína animal da Scot Consultoria, a mudança anunciada pela China não deve impactar o mercado físico do boi no curto prazo, especialmente no primeiro semestre.
“Até que a totalidade dessa cota seja atingida, segue valendo o que está em vigor. Pode haver, sim, uma desaceleração nas compras por parte do importador chinês no curto prazo, considerando que é um mercado que se abasteceu bem em 2025. Ao mesmo tempo, a oferta de boiadas entre janeiro e fevereiro tende a ser menor, o que é um fator positivo para os preços”, afirma.
Fabbri destaca ainda que o início do ano, tradicionalmente marcado por um menor volume de compras da China, pode registrar uma desaceleração ainda mais intensa, com a demanda se concentrando no segundo semestre.
“Esse anúncio ocorre em meio a uma maior presença dos Estados Unidos no mercado e em um momento em que as tarifas norte-americanas já não estão mais em vigor, o que é positivo para o mercado global de carne bovina”, avalia.
Com Estadão Conteúdo e Money Times
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