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Pesquisa indica que até quem tem arritmia pode se beneficiar de uma das bebidas mais consumidas do mundo

Você já deve ter reparado que muitos alimentos vivem numa montanha-russa científica: uma hora fazem bem, noutra fazem mal. Isso já aconteceu com o ovo, o leite de vaca, o vinho, o chocolate e, agora, chegou a vez do queridinho dos brasileiros: o café.
Seu cardiologista provavelmente já te disse para pegar leve na cafeína, especialmente se você tem fibrilação atrial, um tipo de arritmia que afeta milhões de pessoas no mundo. Mas um novo estudo acaba de desafiar essa tese: beber café com cafeína pode, na verdade, reduzir o risco de batimentos irregulares.
É isso que identificou o estudo Does Eliminating Coffee Avoid Fibrillation (Decaf), publicado no Journal of the American Medical Association e apresentado no congresso da American Heart Association, em Nova Orleans.
A discussão toca em um tema sensível para os brasileiros, afinal, o café é a segunda bebida mais ingerida no país (ficando só atrás da água).
Os pesquisadores acompanharam 200 pacientes com arritmia persistente por seis meses. Todos eram idosos, moradores dos EUA, Canadá ou Austrália, e já tinham o hábito de tomar café.
Eles foram divididos aleatoriamente em dois grupos:
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Durante o período, os participantes fizeram check-ups por vídeo e relataram o consumo da bebida. Além disso, utilizaram eletrocardiogramas e monitores cardíacos para detectar qualquer batimento irregular.
É claro que a pesquisa tem suas limitações. Ela não mediu o impacto da cafeína de outras bebidas e nem considerou as diferenças nos hábitos alimentares ou na prática de exercícios dos participantes.
Contudo, o resultado surpreendeu: quem bebeu café teve 17% menos chance de ter uma recorrência de arritmia ao longo do estudo e demorou mais para registrar o primeiro episódio de batimento irregular.
Em outras palavras, o café com cafeína não piorou a arritmia.
Com cautela e moderação, a resposta tende a ser sim, segundo o estudo.
Para quem tem fibrilação atrial, os dados sugerem que uma xícara de manhã não é motivo de alarme, como explica a cardiologista Johanna Contreras, cardiologista do Mount Sinai Fuster Heart Hospital: “Você pode tomar um café e ficar bem”.
Ainda não é hora de tratar o seu café como um remédio — mas agora, pelo menos você sabe que ele não é o inimigo.
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