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Além da adaptação aos impactos climáticos, muitos países esperavam medidas para enfrentar as causas do aquecimento global, que não foram anunciadas

Para os países que esperavam regras claras para o financiamento climático e um caminho estabelecido para diminuir a dependência de combustíveis fósseis, a COP30 deixou frustrações.
O maior esforço da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas é em torno do financiamento climático, para mitigar os efeitos de eventos extremos. Nesse sentido, a cúpula termina com um esforço para triplicar esses aportes de 2025 até 2030.
Também foi criado um fundo para manter florestas em pé, que já recebeu os primeiros financiamentos.
O evento também foi marcado por problemas de infraestrutura, falta de comida em alguns momentos, protestos indígenas e até um incêndio, que atingiu a Zona Azul, espaço onde ficam concentrados os pavilhões e associações dos países.
Veja abaixo o que já foi anunciado — e o que ficou a desejar:
Os investimentos em adaptação — como a melhoria da infraestrutura para lidar com o calor extremo ou o reforço de edifícios contra o agravamento das tempestades — são vitais para salvar vidas. Mas, por oferecerem pouco retorno financeiro, têm dificuldade em atrair capital privado.
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O debate sobre financiamento é especialmente sensível por causa do Artigo 9.1 do Acordo de Paris, que obriga países desenvolvidos a custear ações climáticas em nações em desenvolvimento.
Na COP29, esse valor foi fixado em US$ 300 bilhões ao ano, considerado insuficiente. Para acelerar os esforços, a presidência da COP30 sugeriu mobilizar até US$ 1,3 trilhão anuais, embora ainda não haja compromisso concreto nesse montante.
No entanto, não foi especificado se esse dinheiro seria fornecido diretamente pelos governos ricos ou por outras fontes, incluindo bancos de desenvolvimento ou o setor privado. Isso pode decepcionar países mais pobres, que querem garantias mais sólidas de que o dinheiro público será gasto nessa área.
O Brasil lançou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), um modelo de renda fixa destinado a financiar a conservação de florestas tropicais. Os rendimentos serão direcionados a países que mantêm suas matas preservadas, com prioridade para Brasil, Indonésia e Congo.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o mecanismo como uma “iniciativa ousada para tornar as florestas em pé mais valiosas que áreas desmatadas, alinhando conservação, oportunidade e prosperidade compartilhada”.
Ele destacou que esses biomas são fundamentais para a estabilidade climática e a biodiversidade.
A Alemanha anunciou aporte de 1 bilhão de euros. Brasil (US$ 1 bilhão), Noruega (US$ 3 bilhões), Indonésia (US$ 1 bilhão) e França (US$ 500 milhões) também confirmaram contribuições.
Mesmo assim, os valores estão bem abaixo das expectativas. O plano é que os países investidores aportem US$ 25 bilhões nos próximos anos, com meta de alavancar mais de US$ 100 bilhões do setor privado, segundo a ONU.
Além da adaptação aos impactos climáticos, muitos países esperavam medidas para enfrentar as causas do aquecimento global.
Integrantes do governo brasileiro afirmam que a adaptação é importante, mas insuficiente. “É fundamental enfrentar as causas, como reduzir a dependência de combustíveis fósseis e frear o desmatamento”, disse a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.
Mesmo assim, o rascunho do texto final, elaborado sob liderança do Brasil, não menciona combustíveis fósseis. Uma referência considerada crucial, já que países defendiam um plano global para a transição energética — promessa assumida na COP28.
Cerca de 80 países apoiavam a elaboração desse “mapa do caminho”, segundo organizações da sociedade civil. A primeira versão divulgada nesta semana ainda trazia opções sobre o tema.
Porém, Arábia Saudita e outras nações produtoras de petróleo se opuseram, relataram negociadores à Reuters. O governo saudita não comentou.
O documento ainda será negociado e precisa de consenso para ser aprovado.
Com Estadão Conteúdo e Agência Brasil
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