Rodolfo Amstalden: Para um período de transição, até que está durando bastante
Ainda que a maior parte de Wall Street continue sendo pró Trump, há um problema de ordem semântica no “período de transição”: seu falsacionismo não é nada trivial

Pergunta de um milhão de dólares para o momento: estariam os EUA passando por um sacrifício necessário agora, de modo a colher frutos significativos mais à frente? A julgar pela entrevista que Donald Trump deu à Fox News no domingo passado, sim. Mais especificamente, o presidente americano descreveu a fase atual como um “período de transição”.
Segundo o mandatário, são mudanças muito profundas, não só para os EUA, como também para a nova ordem geopolítica global. Não há como fazê-las de modo suave. Em compensação, seus benefícios serão diretamente proporcionais à intensidade da dor corrente.
Ao menos no que tange ao seu alicerce retórico, o raciocínio de Trump vai contra uma das definições mais clássicas de populismo – que é justamente a de evitar ao máximo todo e qualquer sacrifício (“nosso povo já fez muitos sacrifícios historicamente”) e privilegiar o pronto atendimento das benesses.
Por que, então, o mercado aparentemente parou de conceder um voto de fé incondicional depois das primeiras semanas de governo Trump?
Bem, ainda que a maior parte de Wall Street continue sendo pró Trump, há um problema de ordem semântica no “período de transição” supramencionado: seu falsacionismo não é nada trivial.
O tempo e o preço da transição
Qual é o tamanho desse sacrifício necessário?
E em quanto tempo poderemos capturar os primeiros sinais confiáveis da sonhada melhora que se avizinha?
No caso recente e bem-sucedido de Javier Milei com a recuperação da economia argentina, a solução calhou de ser rápida por dois motivos básicos:
- (i) ao contrário dos EUA, que viviam um estado hedônico de excepcionalismo, a Argentina vinha de uma herança maldita, a partir da qual os benefícios marginais do ajuste são gigantescos.
- (ii) as medidas de Milei, sobretudo aquelas focadas em corte de gastos públicos e superávit fiscal, quase sempre se encaixavam per se no receituário ortodoxo, remetendo a um trade-off muito mais óbvio e previsível do que anexar o Canadá.
Isso posto, corremos o risco de aguardar eternamente pelo fim deste período de transição nos EUA.
Ou talvez outro risco: o da transição ser relativamente rápida face aos seus níveis de complexidade, deixando-nos em situação consideravelmente pior.
Leia Também
O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O gatilho para dividendos da Vale (VALE3), o alívio que vem do Oriente Médio e o que mais afeta o seu bolso hoje
26 de agosto de 2026 - 8:12O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A segurança futurista da Intelbras (INTB3), Casas Bahia (BHIA3), Braskem (BRKM5) e o que mais mexe com os mercados hoje
25 de agosto de 2026 - 8:23O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A herança desigual, as ameaças ao Irã e eleições presidenciais 2026: o que move os mercados hoje
24 de agosto de 2026 - 8:26RISCO OU OPORTUNIDADE?
Renda fixa: por que investir em Tesouro IPCA+ 8% se o CDI a 14% ao ano em tese paga mais?
23 de agosto de 2026 - 8:00O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A melhor ação para dividendos entre CXSE3 ou BBSE3, a exceção no varejo, e o que mais move seu bolso hoje
21 de agosto de 2026 - 8:34SEXTOU COM O RUY
A recuperação judicial da Casas Bahia (BHIA3) mostra por que prefiro ficar longe do varejo, exceto por uma única empresa
21 de agosto de 2026 - 7:33O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Um novo desafio para os empreendedores, a queda dos fundos multimercados e o que mais você precisa saber hoje
20 de agosto de 2026 - 9:13Rodolfo Amstalden: Estimada probabilidade, escrevo esta carta pensando em você
19 de agosto de 2026 - 19:51O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A novidade na renda passiva, o conflito no Oriente Médio e dados da economia brasileira: o que move os mercados hoje
19 de agosto de 2026 - 8:08O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O problema da inadimplência, as eleições presidenciais e o que mais move os mercados hoje
18 de agosto de 2026 - 8:17INSIGTHS ASSIMÉTRICOS
A economia começou a perder fôlego e a eleição vai sentir
18 de agosto de 2026 - 7:21O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A estratégia do Grupo Boticário, a recuperação judicial da Casas Bahia (BHIA3), a inovação do Open Energy e o que mais mexe com os mercados hoje
17 de agosto de 2026 - 8:33O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A Torre Eiffel dos investimentos, o humor dos mercados e o que mais afeta seu bolso hoje
14 de agosto de 2026 - 8:12SEXTOU COM O RUY
O que a queda das ações do BTG (BPAC11) diz sobre o humor do mercado — e como você pode se aproveitar disso
14 de agosto de 2026 - 7:08O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O eclipse no crédito privado, o resultado do Banco do Brasil (BBAS3) e o que mais move o mercado hoje
13 de agosto de 2026 - 8:30O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A corrida com obstáculos da Direcional (DIRR3) e Espaçolaser (ESPA3), a bolada do Tesouro IPCA+ e o que mais move o mercado hoje
12 de agosto de 2026 - 8:30O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A saúde do BTG Pactual, a recuperação do crédito estressado e o impacto das eleições e dos juros no seu bolso: acompanhe o que move o mercado
11 de agosto de 2026 - 8:36O MELHOR DO SEU DINHEIRO