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Ainda que a maior parte de Wall Street continue sendo pró Trump, há um problema de ordem semântica no “período de transição”: seu falsacionismo não é nada trivial
Pergunta de um milhão de dólares para o momento: estariam os EUA passando por um sacrifício necessário agora, de modo a colher frutos significativos mais à frente? A julgar pela entrevista que Donald Trump deu à Fox News no domingo passado, sim. Mais especificamente, o presidente americano descreveu a fase atual como um “período de transição”.
Segundo o mandatário, são mudanças muito profundas, não só para os EUA, como também para a nova ordem geopolítica global. Não há como fazê-las de modo suave. Em compensação, seus benefícios serão diretamente proporcionais à intensidade da dor corrente.
Ao menos no que tange ao seu alicerce retórico, o raciocínio de Trump vai contra uma das definições mais clássicas de populismo – que é justamente a de evitar ao máximo todo e qualquer sacrifício (“nosso povo já fez muitos sacrifícios historicamente”) e privilegiar o pronto atendimento das benesses.
Por que, então, o mercado aparentemente parou de conceder um voto de fé incondicional depois das primeiras semanas de governo Trump?
Bem, ainda que a maior parte de Wall Street continue sendo pró Trump, há um problema de ordem semântica no “período de transição” supramencionado: seu falsacionismo não é nada trivial.
Qual é o tamanho desse sacrifício necessário?
E em quanto tempo poderemos capturar os primeiros sinais confiáveis da sonhada melhora que se avizinha?
No caso recente e bem-sucedido de Javier Milei com a recuperação da economia argentina, a solução calhou de ser rápida por dois motivos básicos:
Isso posto, corremos o risco de aguardar eternamente pelo fim deste período de transição nos EUA.
Ou talvez outro risco: o da transição ser relativamente rápida face aos seus níveis de complexidade, deixando-nos em situação consideravelmente pior.
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