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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

REAÇÃO AO RESULTADO

Sem dividendos para a Cosan (CSAN3): CEO da Raízen (RAIZ4) revela estratégia após balanço fraco enquanto mercado vê pressão no curto prazo

O mote da nova estratégia da Raízen para a safra de 2025/2026 será a volta ao “core business”, com busca por eficiência e simplificação dos negócios

Camille Lima
Camille Lima
17 de fevereiro de 2025
11:50 - atualizado às 14:57
Placa com o logo da Raízen (RAIZ4), subsidiária da Cosan que fez IPO em 2021
Raízen (RAIZ4) - Imagem: Divulgação/Raízen

Depois de entregar um prejuízo bilionário e uma dívida crescente no balanço do terceiro trimestre da safra 2024/2025, a Raízen (RAIZ4) deixou claro que dividendos estão fora de cogitação nos próximos meses. Daqui para frente, todo o foco estará em estancar a queima de caixa e aumento da dívida

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“Será um ciclo marcado pela decisão de não priorizar a distribuição para os acionistas, já que estamos em um momento de preservar caixa e melhorar a estrutura de capital da companhia”, disse Rafael Bergman, diretor financeiro (CFO) e de relação com investidores (DRI) da Raízen, em teleconferência com analistas.

Ou seja, a Cosan (CSAN3), um dos maiores acionistas da Raízen, deixará de receber dividendos relevantes de uma de suas principais subsidiárias — vistos por analistas como parte crucial do processo de desalavancagem da holding de Rubens Ometto.

Por volta das 11h35, os papéis da produtora de açúcar e etanol caíam 1,69% e figuravam entre as quedas do Ibovespa, negociados a R$ 1,74. Nas mínimas do dia, as ações chegaram a recuar mais de 6%.

No acumulado do ano, RAIZ4 amarga perdas de quase 20% na B3, hoje avaliada a pouco mais de R$ 2,3 bilhões.

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A estratégia da Raízen (RAIZ4) daqui para frente

Segundo o CEO Nelson Gomes, o último ciclo de crescimento acelerado da Raízen (RAIZ4) consistiu em um extenso portfólio de aquisições e na entrada em várias novas frentes de negócio.

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“Tudo isso trouxe muita complexidade e distração para a organização, com aumento da estrutura organizacional e custos, e, no fim, um crescimento da dívida que foi amplificado pela ascensão muito rápida da taxa de juros. Isso nos traz um senso de urgência muito grande para trazer a companhia de volta ao equilíbrio”, disse o presidente da Raízen.

Vale lembrar que o endividamento líquido da empresa avançou 22,5% no acumulado de nove meses, em base anual, para R$ 38,59 bilhões. Já a alavancagem subiu 3,2 pontos percentuais, para 6,5 vezes.

Veja os destaques do balanço do 3T25:

  • Prejuízo líquido: R$ 2,57 bilhões, revertendo o lucro de R$ 793 milhões do 3T24;
  • Ebitda ajustado: R$ 3,12 bilhões (-20,5% a/a);
  • Receita líquida: R$ 66,87 bilhões (+14,3% a/a);
  • Investimentos (capex): R$ 2,79 bilhões (-7,7% a/a);
  • Fluxo de caixa de financiamento (FCF): -R$ 1,57 bilhão, contra cifra positiva em R$ 459 milhões no 3T24.

* A divulgação de resultados da Raízen segue o ano-safra, ou seja, 3T25 diz respeito ao trimestre iniciado em 1° de outubro e com término em 31 de dezembro. Já o acumulado de nove meses diz respeito ao exercício social da safra 2024/2025.

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Não à toa, o mote da nova estratégia para a safra de 2025/2026 será a volta ao “core business” da Raízen, com busca por eficiência e simplificação dos negócios.

Isso inclui um plano arrojado de venda de ativos para diminuir a dívida de curto prazo — mas com precauções para garantir o valor adequado e os “melhores novos proprietários” para qualquer ativo que a empresa decida desinvestir.

Aumento de capital e planos de crescimento

Questionado sobre a possibilidade de realizar um aumento de capital para aliviar a pressão sobre o caixa, o CFO da Raízen afirmou que a empresa agora está focada no dever de casa e tem bastante coisa para fazer nesse sentido.

“É o momento de organizar a casa para entregar eficiências antes de cogitar outras alternativas.”

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Na avaliação da gestão, um dos principais causadores da queima de caixa dos últimos tempos foi o capex (investimento) em crescimento.

É por isso que a companhia reforçou que não fará novos investimentos em expansão — apenas continuará os projetos que já tem em andamento, como as duas plantas de etanol de segunda geração (E2G) em construção.

“Interromper a construção no meio do caminho não seria uma decisão que geraria valor. O E2G segue como uma oportunidade importante para a companhia. Na maturidade, esses dois ativos vão gerar um caixa que beneficiará a empresa. Só que não é o momento de iniciar novos projetos, e sim de gerir portfólio que herdou e tomar decisões de desinvestimento para ativos que não tiverem tanto valor para a carteira”, avaliou o diretor financeiro.

O balanço “confuso e de baixo desempenho” da Raízen (RAIZ4)

Na visão do BTG Pactual, o último balanço da Raízen (RAIZ4) marcou um trimestre “confuso e de baixo desempenho”, no primeiro resultado desde o anúncio de mudanças gerenciais e estratégicas para uma volta às raízes da companhia.

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Lembrando que Nelson Gomes assumiu a cadeira de CEO em outubro de 2024, com a missão de retomar uma trajetória de ganhos de eficiência dos negócios da Raízen que se traduzam em desalavancagem.

“Com a maior parte do ano agrícola já para trás, não há muito que a nova gestão possa fazer por agora”, avaliaram os analistas.

“A Raízen tem muitas opções em jogo e prevê um intenso fluxo de notícias nos próximos meses”, acrescentaram os analistas.

O banco prevê atualização das estimativas para uma visão mais conservadora, mas manteve recomendação de compra para as ações RAIZ4 “por enquanto”, em meio a expectativas de que “mesmo uma pequena melhoria no perfil de fluxo de caixa possa desencadear um significativo aumento no preço das ações”.

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O Citi já previa resultados fracos do 3T25, afetados negativamente pelo início do realinhamento da estrutura de capital da empresa, e espera que os desafios continuem nos próximos meses.

“Embora vejamos essas mudanças estratégicas como cruciais e positivas para as perspectivas de longo prazo da empresa, também esperamos um período desafiador pela frente, pois, em nossa visão, a Raízen só gerará fluxo de caixa positivo na safra 2026/27.”

Para o Itaú BBA, a Raízen oferece uma “intrigante proposta de risco-recompensa no longo prazo devido aos resultados potenciais de seu recém-iniciado processo de recuperação”.

Porém, os analistas reforçam que as atuais fraquezas no balanço e a visibilidade limitada sobre os processos de recuperação de eficiência e desalavancagem podem prejudicar o otimismo dos investidores de curto prazo.

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