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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

VISÃO DO GESTOR

Exclusivo: A nova aposta da Kinea para os próximos 100 anos — e como investir como a gestora

A Kinea Investimentos acaba de revelar sua nova aposta para o próximo século: o urânio e a energia nuclear. Entenda a tese de investimento

Camille Lima
Camille Lima
18 de agosto de 2025
18:18
Kinea revela aposta em investimentos em urânio e energia nuclear.
Imagem: iStock

Enquanto a inteligência artificial (IA) ganha cada vez mais protagonismo no dia a dia, a Kinea Investimentos — gestora ligada ao Itaú, com mais de R$ 131 bilhões sob gestão — acaba de revelar sua nova aposta para o próximo século: o investimento em urânio e energia nuclear.

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Para a gestora, em um mundo movido por inteligência artificial, o que antes era ficção científica passa a ser dependente de algo muito concreto: energia. E o combustível para essa revolução é o urânio.

“A beleza algorítmica da IA só será possível em larga escala se for sustentada por uma reinvenção da matriz energética global”, disse a Kinea, em relatório enviado com exclusividade ao Seu Dinheiro.

A nova aposta da Kinea para os próximos 100 anos

A inteligência artificial não é mais apenas um conceito abstrato. Ela já está nos nossos celulares, nas decisões corporativas, nas redes sociais — em praticamente tudo ao nosso redor.

Mas todo esse poder computacional precisa de energia. E não é energia qualquer: é energia abundante, constante e confiável. Com milhões de data centers surgindo pelo planeta, a demanda elétrica disparou.

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Segundo a Kinea, só nos Estados Unidos, a carga elétrica deverá crescer cerca de 70 GW até 2030 — o equivalente a duas Eletrobras inteiras em apenas cinco anos —, chegando a representar 8,5% de toda a eletricidade consumida no país.

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“Com toda essa explosão de demanda vindo da IA e os potenciais impactos dessa tecnologia, a geração de energia elétrica passa a ter papel estratégico no tabuleiro geopolítico mundial”, afirmou a Kinea.

O problema é que energia renovável, embora fundamental, não consegue suprir totalmente essa demanda. Será preciso explorar as vantagens de cada fonte de energia — e todas as fontes serão necessárias, de acordo com a Kinea.

“Parte da solução virá inevitavelmente das fontes renováveis, mas, como os data centers exigem estabilidade, será necessário a expansão de fontes não intermitentes”, avaliou a gestora.

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O brilho do urânio e da energia nuclear

É aí que entra a energia nuclear. Estável, limpa e de baixo custo operacional, ela voltou a ganhar destaque no radar de países que antes a evitavam, como Reino Unido e Japão. 

Nos EUA, o cenário parece promissor, segundo a gestora: grandes empresas de tecnologia, como Google, Amazon e Microsoft, vêm investindo ou firmando parcerias, enquanto o governo dá novo impulso à energia nuclear. 

“Após anos de hiato e ameaças de fechamento de usinas, o país volta a apostar nessa fonte constante de eletricidade”, escreveu a gestora.

O cenário para a “commodity nuclear”, segundo a Kinea

Para a Kinea, o “renascimento” nuclear tem impacto direto no mercado de urânio, combustível que alimenta os reatores. 

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Desde o acidente de Fukushima, em 2011, o setor passou por anos de baixa, com preços em queda e cortes na produção. 

Mas a Kinea já identificava desde 2023 um déficit crescente, que tende a se acentuar na próxima década. 

A chegada de novos data centers, o religamento de usinas e a expansão da vida útil de outras plantas só adicionam ainda mais complexidade ao cenário.

Segundo a gestora, a construção de novas usinas, que demoram cerca de 10 anos para entrar em operação, não traz uma demanda imediata, mas aumenta a projeção de déficit futuro. Isso poderia levar as usinas a antecipar compras para evitar desabastecimento.

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No curto prazo, atrasos em projetos-chave e dificuldades de produção no Canadá e Cazaquistão — países que respondem por mais de 50% da oferta global — tornam o quadro ainda mais delicado. 

Para a Kinea, a equação é clara: maior demanda nuclear + oferta insuficiente de urânio = déficit de mercado. 

E a consequência natural? Preços mais altos, “já que os níveis atuais não trazem incentivo econômico à expansão da capacidade necessária", afirmou a gestora.

Onde estão as oportunidades de investimento em urânio e energia nuclear?

Na avaliação da Kinea, o renascimento da energia nuclear com o crescimento da inteligência artificial abre diversas frentes de oportunidades de investimentos e diferentes elos da cadeia podem se beneficiar. 

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“A IA não vive de promessas intermitentes — ela exige potência permanente, como a que só fontes como a energia nuclear podem oferecer. Neste novo ciclo tecnológico, estamos reprogramando nossa matriz energética para sustentar o poder computacional da próxima era”, afirmou a Kinea.

A Kinea aponta três principais maneiras de se expor a essa tendência.

Como a Kinea investe na nova “tese secular”:

  1. Geradoras de energia nuclear:
    • Exemplos: Nos EUA, a Kinea destaca a Constellation Energy, dona da maior frota nuclear americana, e a Talen. Ambas operam na região de PJM, que concentra o maior parque de data centers do mundo.
    • Racional: Os preços de energia nessa região já começam a refletir a crescente demanda futura dos data centers. Além disso, contratos de longo prazo, com duração de até 20 anos, estão sendo firmados a preços significativamente superiores à curva futura de energia local, o que evidencia a busca das empresas por "fornecimento energético confiável a longo prazo".
  2. Mineradoras de urânio e fabricantes de reatores:
    • Exemplo: A Cameco, a maior mineradora do Ocidente, está bem-posicionada para suprir a demanda, segundo a Kinea.
    • Racional e detalhes: A maior oportunidade de curto prazo, para a Kinea, vem da subsidiária da Cameco, a Westinghouse, que fabrica e presta serviços para reatores nucleares e responde por um terço do Ebitda da Cameco.

      Segundo a Kinea, poucas empresas no mundo têm capacidade para construir reatores nucleares e a Westinghouse detém cerca de 50% desse mercado.

      A gestora acredita que o mercado ainda não precifica o potencial da Cameco caso os 10 reatores prometidos pelo governo Trump sejam aprovados e a Westinghouse, como única empresa americana no setor, conquiste os contratos. Além disso, a Europa pode encomendar quatro novos reatores para a empresa na próxima década.

      Juntos, esses fatores poderiam aumentar o lucro operacional da Westinghouse em cerca de 70%, o que representaria um impacto de aproximadamente 30% no lucro da Cameco, considerando sua participação de 49%.
  3. Investimento direto em urânio físico: Fundos especializados que compram e armazenam urânio físico.
    • Exemplos: Sprott Physical Uranium Trust e Yellow Cake PLC.
    • Racional: Esses fundos especializados permitem ao investidor se expor diretamente à valorização do preço da commodity, sem os riscos operacionais inerentes às mineradoras.

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