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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

A VISÃO DO GESTOR

Weg (WEGE3): fábrica de bilionários da B3 segue cobiçada pelos tubarões da Faria Lima e é uma das apostas da AZ Quest em ações para 2025

Em entrevista ao Seu Dinheiro, o gestor de renda variável Welliam Wang alertou para ano turbulento na bolsa brasileira — e revela quais ações estão na carteira da gestora

Camille Lima
Camille Lima
13 de janeiro de 2025
6:07 - atualizado às 9:05
Weg (WEGE3)
Weg (WEGE3) - Imagem: Divulgação

Gigante brasileira do setor elétrico, a Weg (WEGE3) continua a ser uma das ações mais cobiçadas da bolsa brasileira. Mais conhecida como “fábrica de bilionários” da B3, a companhia entregou um retorno de 45,32% em 2024, enquanto o Ibovespa apresentou desempenho negativo de 10,36% no mesmo período.

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O otimismo com a fabricante de motores elétricos é praticamente unanimidade entre o mercado financeiro. Do lado das casas de análise, das 12 recomendações para as ações na plataforma TradeMap, nove são de compra e três de manutenção.

Mas não é só no sell side que a Weg é bem quista. Uma das maiores gestoras de recursos do país, a AZ Quest — com mais de R$ 36 bilhões em ativos sob administração — tem os papéis WEGE3 como uma das principais apostas em ações para 2025.

Segundo Welliam Wang, gestor de renda variável da casa, a Weg é uma boa pedida para a proteção da carteira de investimentos em meio à volatilidade do mercado.

Welliam Wang, gestor de renda variável da AZ Quest.
Welliam Wang, gestor de renda variável da AZ Quest. Foto: Divulgação

Em entrevista ao Seu Dinheiro, o head do portfólio de ações da AZ Quest alertou para um ano turbulento para a bolsa brasileira em 2025 — e revelou quais outras ações estão na carteira da gestora hoje.

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Para espiar o que está no portfólio da gestora, basta continuar a leitura desta matéria.

Leia Também

Weg (WEGE3): aposta certeira para investir em 2025? Por que a AZ Quest está otimista com as ações

Há quatro fatores principais que sustentam a visão otimista da AZ Quest para as ações da Weg (WEGE3). 

São eles:

  • Tendência global de eletrificação: a crescente demanda pelo aumento da eletrificação e dos investimentos em infraestrutura elétrica, impulsionada pela popularização da inteligência artificial no mundo inteiro, posiciona a Weg como uma das principais beneficiárias globais.
  • Cultura empresarial forte: a empresa possui uma estrutura organizacional que permite que a companhia realize aceleradas fusões e aquisições (M&As) e integrações bem-sucedidas.
  • Verticalização das operações: o controle da cadeia produtiva completa permite maior eficiência de custos e resiliência a eventuais gargalos que poderiam ser causados pela dependência de fornecedores externos, diferentemente de seus concorrentes.
  • Valuation atrativo: apesar da forte valorização, o múltiplo de preço/lucro ajustado ao crescimento segue competitivo frente aos pares globais.

Embora a Weg apresente pontos positivos, parte dos investidores demonstra certa cautela em relação à compra das ações, com temor de que a empresa já esteja precificada à perfeição após a escalada dos papéis na B3.

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No entanto, a AZ Quest avalia que a fabricante de componentes elétricos segue com valuation atrativo mesmo depois da forte valorização.

Há também o potencial de novas revisões positivas dos números, impulsionada pelo câmbio e pela margem. “Essas duas são as principais alavancas para gerar mais retorno para a ação WEGE3”, disse Wang.

Além disso, para o gestor, a Weg naturalmente merece um prêmio em relação à média histórica devido ao seu "valor de escassez", por ser uma das poucas empresas da bolsa brasileira com exposição ao câmbio, crescimento consistente e baixa volatilidade.

Weg (WEGE3) e o risco Trump

Um dos principais riscos para a Weg hoje é a falta de visibilidade sobre a política comercial dos Estados Unidos na nova gestão de Donald Trump.

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A imposição de duras tarifas para parceiros comerciais como a China e o México ocupou boa parte das promessas de campanha do republicano — e o mercado teme que outros países, como o Brasil, possam virar alvo de impostos norte-americanos.

Contudo, Wang acredita que esse risco é limitado, já que a demanda por transformadores supera a oferta global — o que permitiria à Weg repassar aos clientes eventuais tarifas nos preços. Além disso, uma eventual nova fábrica nos EUA poderia mitigar esse impacto.

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As apostas da AZ Quest em ações na bolsa brasileira

Wang alerta para um ano turbulento para o mercado de ações brasileiro em 2025, o que demanda uma estratégia mais defensiva nos investimentos, focada em proteção e seleção criteriosa de ativos.

“Se não virmos nenhuma mudança com relação à política fiscal, será muito difícil que a bolsa brasileira tenha um ano positivo. 2025 deverá ser um ano de stock picking e de proteção para a carteira, então acreditamos que o investidor realmente tem que possuir no portfólio empresas que estão mais protegidas dos juros altos e do câmbio”, disse o gestor.

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A gestora possui diversas teses de investimento, com foco em empresas mais resilientes e com capacidade de atravessar cenários desafiadores com solidez e que apresentam um bom desempenho operacional.

Entre as principais as apostas em ações do portfólio da AZ Quest, estão:

  • Weg (WEGE3), Bradespar (BRAP4) e Marcopolo (POMO4): Exportadoras mais protegidas do cenário macroeconômico desafiador;
  • Embraer (EMBR3): Exportadora bem posicionada nos setores de aviação executiva, comercial e defesa;
  • JBS (JBSS3), BRF (BRFS3) e Marfrig (MRFG3): Empresas exportadoras beneficiadas pelo ciclo positivo das margens no setor de proteínas, impulsionado pela dificuldade em aumentar a oferta;
  • Sabesp (SBSP3): Potenciais ganhos com a privatização, com melhoria na eficiência de custos, maior agilidade para resolução de questões regulatórias e operacionais, maior geração de caixa e distribuição de dividendos; e
  • GPS (GGPS3): Potencial para consolidação em um mercado fragmentado e com muitos players fragilizados, o que permite que a empresa aproveite a fragilidade de seus concorrentes para realizar aquisições estratégicas.

Simultaneamente, a AZ Quest prefere evitar setores sensíveis aos juros altos, como varejo, infraestrutura rodoviária e ferroviária, e segmentos específicos do setor financeiro.

Dentro do varejo, o gestor se posiciona negativamente nos segmentos de vestuário, bens duráveis, eletroeletrônicos e alimentos.

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