Braskem (BRKM5) salta quase 10%, mas fecha com ganho de apenas 0,6%: o que explica o vai e vem das ações hoje?
Mercado reagiu a duas notícias importantes ao longo do dia, mas perdeu força no final do pregão
As ações da Braskem (BRKM5) dispararam no pregão da bolsa brasileira nesta quarta-feira (19), mas devolveram os ganhos e fecharam praticamente no zero a zero. No início das negociações, investidores repercutiam um combo de notícias que, no primeiro momento, pareciam favoráveis à petroquímica.
A primeira notícia foi a aprovação, no Senado, do Projeto de Lei que cria o programa de incentivos fiscais para a indústria química. A companhia aguardava o andamento desta pauta há alguns meses, na expectativa de que os créditos fiscais do programa ajudem na recuperação dos resultados futuros.
Além disso, logo pela manhã, o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, divulgou que a IG4 Capital, gestora ligada aos bancos credores da petroquímica, que deve assumir o comando da empresa, já teria definido nomes para a nova diretoria.
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O resultado foi uma alta de 9,38% na máxima intradia, a R$ 8,74. No entanto, as ações BRKM5 devolveram esses ganhos ao longo do dia. No fechamento, a alta se limitou a 0,63%, a R$ 8,05.
Por que Presiq é positivo para a Braskem?
A aprovação do Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq) no Senado Federal era bastante aguardada pela Braskem. O programa, criado pelo projeto de lei (PL) 892/2025, prevê incentivos à indústria química brasileira e estende o regime especial de tributação e benefícios para o setor (Reiq).
A ideia é promover o desenvolvimento da indústria petroquímica brasileira por meio da concessão de créditos fiscais para empresas elegíveis — sendo a Braskem uma das beneficiadas.
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Com a aprovação do Senado, o próximo passo é a sanção presidencial. Caso o texto receba o aval do Executivo, a previsão é de que as medidas possam entrar em vigor a partir de janeiro de 2027.
Na avaliação da XP, o Presiq ajuda a aliviar a queima de caixa da Braskem. Isso porque o programa cria um novo regime fiscal, no qual o governo concederia créditos fiscais de até R$ 3 bilhões por ano no período entre 2027 e 2029.
A proposta aprovada pelo Congresso também estabelece a aplicação de outro programa: o Reiq, que é um regime especial de tributação e benefícios para o setor.
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Na ponta do lápis
Agora, a proposta aumenta o crédito fiscal de cerca de 0,73% sobre compras de nafta e outras matérias-primas para 5,50% entre novembro e dezembro de 2025 e para 6,25% em 2026.
Com base na nova alíquota de crédito, a petroquímica deve se beneficiar com um aumento de cerca de US$ 25 milhões no Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) já neste ano, e entre US$ 300 milhões e US$ 380 milhões em 2026.
O valor corresponde a um crescimento de 55% a 70% em relação ao Ebitda da companhia nos últimos 12 meses.
A XP também estima que a Braskem deve “captar” US$ 1,5 bilhão, ou seja, metade do limite máximo de crédito fiscal ao setor no período entre 2027 e 2029.
A corretora tem recomendação neutra para as ações BRKM5, com preço-alvo de R$ 14,00.
IG4 vem aí para comandar a Braskem
Segundo Lauro Jardim, o acordo que vai transferir a participação da Novonor/Odebrecht na Braskem para a IG4 Capital será assinado nesta semana.
A IG4 representa os bancos credores da companhia, Itaú, Bradesco, Santander, BB e BNDES. Segundo a coluna, a empresa já escalou a nova equipe de gestão para a petroquímica, e toda a diretoria será trocada.
O plano prevê a substituição completa do atual conselho executivo após a conclusão do negócio. As mudanças não devem ser imediatas. Haverá um período de transição de pelo menos um mês.
A medida representa um passo fundamental na reformulação da governança da Braskem, sob a gestão de um acionista apoiado pelos credores. Agora, a empresa deve decidir sobre o avanço da reestruturação de capital, que poderá incluir reestruturação de ações e dívidas.
*Com informações do Money Times e de O Globo.
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